<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-1913476363751269612</id><updated>2012-02-13T23:18:28.476-08:00</updated><category term='Coisas da Vida'/><category term='Caism Notícias (Filosofemas Simples)'/><category term='Nerd'/><category term='Resenhas'/><category term='Internet'/><category term='Cinema'/><category term='Futebol'/><category term='Histórias Ordinárias'/><title type='text'>Nobre Ordinário</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://nobreordinario.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1913476363751269612/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nobreordinario.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><link rel='next' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1913476363751269612/posts/default?start-index=101&amp;max-results=100'/><author><name>Denis Barbosa Cacique</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07947579438098992716</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://bp1.blogger.com/_042Q5imdD7k/SH8bfxGdKZI/AAAAAAAAAR0/qoj_FfuKrlA/S220/de3.JPG'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>137</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1913476363751269612.post-3308142870117533455</id><published>2010-07-13T18:17:00.000-07:00</published><updated>2010-07-13T18:22:12.919-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Futebol'/><title type='text'>Imagine</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_jSKVTbU47EI/TD0RGXArFAI/AAAAAAAAAWE/R-ikj2xNsFQ/s1600/bola+de+futebol.png"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 320px; height: 320px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_jSKVTbU47EI/TD0RGXArFAI/AAAAAAAAAWE/R-ikj2xNsFQ/s320/bola+de+futebol.png" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5493565921415599106" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;por B. F. Teixeira&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Imagine que eu tenha sido escolhido pela NASA para participar de uma missão tripulada ao planeta Marte. Imagine que essa missão consista na construção de um laboratório-base e na realização de alguns experimentos-base. Imagine que esse experimento, somados os tempos de ida e volta, leve cinco anos. Imagine que eu já tenha partido. Imagine, na verdade, que eu tenha partido em setembro de 2007. Imagine que eu esteja lá e que quem esteja escrevendo isso seja um blogueiro qualquer e não eu, astronauta famoso, ocupado em dar pequenos passos para homens, mas grandes passos para a humanidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Imagine que a viagem tenha sido cansativa, longa e monótona. Imagine que cada dia de trabalho é árduo, vermelho e tenha uma duração estranha. É claro, estranha para você porque eu já estou adaptado ao fuso horário local. Imagine que eu já esteja cansado de ver as mesmas caras e falar com as mesmas pessoas, mas eu não tenho muitas opções porque o contato via rádio com a terra é demorado, caro e reservado a comunicados de emergência e relatórios da missão, exceção seja feita aniversários, Natal e Ação de Graças (a missão é americana, os feriados são deles), qualquer comunicação diferente dessas resultaria em falta administrativa grave.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Imagine que eu seja um fanático por futebol. Imagine que eu nunca tenha escondido isso de ninguém, nem mesmo de meus companheiros de Agência. Se sua imaginação for algo fértil, você deve ter imaginado que eu encontrei algumas dificuldades no começo para discutir sobre esportes. Afinal, não sei nada de basquete, beisebol e vivo confundindo as palavras “soccer” e “football”, o que já me custou diversas frustrações, confusões, conversas e até amizades. A vida na terra do futebol da bola oval é difícil para os amantes do “jogo bonito”, mas há que se sobreviver pelo bem maior. Ah!, e  você já deve ter imaginado também, que a NASA é composta por um bando de nerds de exatas e que lá dentro nem existem tantos espectadores de ESPN assim, principalmente quando se comparado com a audiência de The Big Bang Theory. Pois é, isso é verdade, e tornou ainda mais dolorosa e árdua minha convivência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deixe, contudo, sua imaginação navegar um pouco mais, e visualize só por um momento um nerd colecionador de cards de beisebol, engenheiro aeroespacial brilhante, fanático por modelos matemáticos aplicados a coisas estranhas (como lutas de sumô e audiência de talk shows), filho de mãe eslovena e sensível. Em um resumo da ópera, um xuxu de garoto. Esse é o meu melhor amigo Darin. Darin, que embora não fale português, para que eu pudesse fazer trocadilhos infames com seu nome, é uma boa pessoa, pois, permite que eu passe os feriados com sua família apesar dos olhares que lanço a sua irmã, dona de uma exótica beleza do leste europeu. Só para finalizar de visualizar Darin, imagine que ele também tem o hábito de trabalhar até mais tarde em seus projetos, ainda que quase nunca lhe seja paga hora extra. Pronto. Esse é Darin.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora, imagine que Darin está trabalhando até mais tarde na Agência em Houston, Texas. Imagine que quase todo mundo já foi embora, com exceção dos vigilantes e o tarado do laboratório R que fica usando a banda larga para baixar pornografia. Imagine que o dia em questão é o dia 12 de julho de 2010. Darin já não me vê há quase três anos. Mas, não é nisso que ele pensa. Pensa apenas em ver seus e-mails rapidamente e, finalmente, ir para a casa começar a desenvolver um novo modelo matemático para se aumentar as chances de completar coleções de cards de beisebol. Quando abre a internet, Darin dá de cara, não dá de cara, mas lê, uma pequena nota sobre o final (e a final) da Copa do Mundo. Então, a mente de Darin parte em linha mais reta do que a de um foguete projetado por ele. Copa do Mundo FIFA. Futebol (soccer). Bruno. Marte. 3 anos. Bruno não sabe o que aconteceu na Copa do Mundo. É a essa verdade, tão árida quanto o planeta vermelho em que me localizo, que sua mente chega. Por um momento, Darin (eu disse que ele é sensível) se põe no meu lugar e imagina o horror de não saber o que aconteceu na competição mais importante do seu esporte predileto. Depois imagina o terror de ver essa competição só de quatro em quatro anos, depois imagina o terror de que esse esporte tenha tão poucos pontos marcados por partida...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Darin controla sua imaginação fértil e decide fazer algo por seu amigo que não vê há tanto tempo. É claro, seu amigo faz aniversário em setembro, e comunicações de motivos diversos poderiam ser feitas nesse dia sem colocar seu emprego em risco. Mas, não! Darin decide criar coragem, colocar seu pescoço na reta e infringir as regras (Como consolo, Darin pensa que jamais demitiriam um engenheiro aeroespacial tão brilhante).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fazendo uso do jeitinho brasileiro, aprendido com a convivência comigo, Darin entra no sistema de comunicações e envia a seguinte mensagem ao centro de comunicações do laboratório-base de Marte:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Espanha campeã Copa 2010.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Resultados:&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Suíça: 0x1; Honduras: 2x0; Chile: 2x1; Portugal: 1x0; Paraguai: 1x0; Alemanha: 1x0; Holanda: 1x0 (pro).&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;David Villa: 5 gols&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;PS: Jogaram com uma bola nova. Você precisa ver o modelo matemático para as curvas dela! Uma loucura! Te mando no seu aniversário!!&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Imagine agora minha reação ao receber a comunicação enviada por Darin. Primeiro, é claro, foi de surpresa pelo ato em si. Depois, é claro, de surpresa pelos números. Que me levaram a seguinte conclusão:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O efeito da derrota para a França na última copa do mundo (a última que eu assisti) foi forte demais para a Espanha. Aparentemente, a torcida e os dirigentes não aceitaram o fato de Zidane estar em um dia inspirado. Acharam que tudo estava errado com a Fúria. Afinal, jogavam como nunca e perdiam como sempre. Sempre. Era hora de mudar isso. De mudar tudo. Renovar. Acharam que era hora de a Fúria realmente se tornar furiosa. O título da Itália, então, única equipe capaz de frear Monsieur Zidane provava: ali estava a receita do sucesso. O talento não podia contra o comprometimento, contra a competitividade, contra a garra. Era hora de jogar como os italianos. Contrataram um técnico da velha bota (Fábio Cappello?) e imploraram para que os ensinasse o “catenaccio”. E assim o fez Cappello.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Jogando com cinco zagueiros, uma linha de quatro e um líbero, e dois volantes pesados, o time da Espanha truncou o jogo de seus adversários, dificultando qualquer exercício de criatividade por parte de seus adversários. Com o contra-ataque puxado por seu homem de velocidade no meio visando sempre David Villa, o time foi vencendo aos trancos e barrancos sempre com um gol de diferença. Exceção seja feita a frágil equipe hondurenha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais um time que jogou feio e ganhou. Melhor ter ficado em Marte que ver isso acontecer com o futebol. Imagine que é com esse pensamento que eu apago a transmissão de Darin do sistema e que é com ele que eu retorno com prazer a meus pequenos passos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Imagine, por fim, que o blogueiro qualquer tenha escrito tudo isso para provar o quão estranha foi mesmo essa Copa do Mundo. Mas, que estranho não quer necessariamente dizer ruim. Afinal, tudo poderia ter sido muito pior! Basta imaginar um pouco.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1913476363751269612-3308142870117533455?l=nobreordinario.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nobreordinario.blogspot.com/feeds/3308142870117533455/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1913476363751269612&amp;postID=3308142870117533455' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1913476363751269612/posts/default/3308142870117533455'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1913476363751269612/posts/default/3308142870117533455'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nobreordinario.blogspot.com/2010/07/imagine.html' title='Imagine'/><author><name>Brunão</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_jSKVTbU47EI/TD0RGXArFAI/AAAAAAAAAWE/R-ikj2xNsFQ/s72-c/bola+de+futebol.png' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1913476363751269612.post-3879491140653477314</id><published>2010-07-13T18:02:00.000-07:00</published><updated>2010-07-13T18:15:36.983-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Futebol'/><title type='text'>2010: Uma Copa Estranha</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_jSKVTbU47EI/TD0NruKObiI/AAAAAAAAAV8/pmTFfkI1-sE/s1600/copa-2010.jpeg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; 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F. Teixeira&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Agora que a Copa acabou posso postar aqui sobre ela (encare isso como uma homenagem póstuma aos Três Corneteiros) sem o risco de “queimar a língua”, “pagar a boca” ou qualquer coisa do tipo, sem estar, em fim, sujeito a essas peças que o futebol adora pregar e que recebem o nome de um certo eqüino que habita o continente africano (o único ser, que parece não correr esses riscos é o sábio polvo Paul).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois bem, pensando sobre a copa, cheguei à conclusão simples de que não a entendi. Isso mesmo. Simplesmente não a entendi. A coisa não fez sentido, ao menos para mim. A começar pela campeã, Espanha, que conseguiu arrancar elogios e suspiros da crítica esportiva ganhando praticamente todos os jogos de um a zero. Mais assustador talvez seja o fato de a Espanha ter realmente jogado bonito embora tenha vencido praticamente todos os jogos de 1 a 0.&lt;br /&gt;Depois, vem a nossa seleção que trocou a magia do futebol moleque pelo comprometimento tático. O brilho das individualidades dos craques pela força do grupo fechado. Trocou, enfim, o futebol arte pelo futebol arte da guerra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os franceses inventores da finesse, entraram de penetras, protagonizaram uma série de escândalos. Inventores do Estado moderno precisaram da invenção desse para cumprir tabela e, por fim, foram embora sem cumprimentar. Os ingleses, inventores do esporte e donos de uma torcida apaixonada, entraram em campo fleumáticos, mesmo sendo comandados por um técnico de sangue quente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E, quem diria, o mundo ficou tocado com a dedicação e o amor dos americanos. Logo, eles que tanto desprezavam o esporte, desprezavam tanto que nem o chamaram de “pé-na-bola”. Os africanos decepcionaram. Justo na copa da África. Decepcionaram não apenas pelos resultados ruins, mas também pelo futebol apresentado. Trocaram sua ingênua irresponsabilidade pelo pragmatismo, sua malemolência pela força física. Tentaram, em suma, se europeizar. Sem sucesso, pois lhes faltou certa frieza e objetividade, características essas que poderiam ter levado Gana a uma semifinal histórica. Gana que, embora tenha se igualado em classificação a Camarões e Senegal, não conseguiu encantar o mundo como seus antecessores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os italianos abusaram de sua capacidade de reação, e a falta dessa os levou a um vexame. Os holandeses de belo toque de bola, dispostos a sacrificar a vitória por uma bela apresentação inverteram seus ideais e sacrificaram as belas apresentações pela vitória. Vitória esta que lhes faltou no sétimo jogo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E, a Alemanha. O futebol frio, objetivo e duro dos germânicos não compareceu à África do Sul. A camisa tricampeã mundial foi representada por um grupo de garotos hábeis e velozes. Garotos que tocaram de primeira, trocaram de posições e até driblaram. Garotos que jogaram o futebol que todo o brasileiro, no fundo, desejava que o Brasil tivesse jogado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É. Essa foi uma copa estranha. Uma copa na qual o único invicto foi a Nova Zelândia. Por isso, não me impressiona que o melhor palpiteiro tenha sido um polvo...&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1913476363751269612-3879491140653477314?l=nobreordinario.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nobreordinario.blogspot.com/feeds/3879491140653477314/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1913476363751269612&amp;postID=3879491140653477314' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1913476363751269612/posts/default/3879491140653477314'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1913476363751269612/posts/default/3879491140653477314'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nobreordinario.blogspot.com/2010/07/img-stylemargin-0px-auto-10px-display.html' title='2010: Uma Copa Estranha'/><author><name>Brunão</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_jSKVTbU47EI/TD0NruKObiI/AAAAAAAAAV8/pmTFfkI1-sE/s72-c/copa-2010.jpeg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1913476363751269612.post-1265978114335327479</id><published>2010-02-10T03:15:00.001-08:00</published><updated>2010-02-10T03:16:24.389-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Caism Notícias (Filosofemas Simples)'/><title type='text'>A Natureza Sob Controle da Ciência Sem Controle</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_qtJaj0KbaeA/S3KVV5_6C2I/AAAAAAAAAAU/4fm49eESLMQ/s1600-h/terremoto.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; 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line-height: 115%;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;por Denis Barbosa Cacique&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 1cm;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; line-height: 115%;"&gt;Num relato, assim se descrevem os efeitos do terremoto: “o mar se ergue fervilhando sobre o porto e destrói os navios ancorados. Turbilhões de chamas e de cinzas cobrem as ruas e as praças públicas, as casas desmoronam, os tetos tombam sobre as fundações e estas se desfazem. Trinta mil habitantes de todos os sexos e idades são esmagados sob as ruínas”. Noutro excerto, o evento recebe tratamento poético: “Ó&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; line-height: 115%;"&gt; infelizes mortais! / Ó deplorável terra! / Ó agregado horrendo que a todos os mortais encerra! / Exercício eterno que inúteis dores mantém! / (...) contemplai estas ruínas malfadas / Estes escombros, estes despojos, estas cinzas desgraçadas / Estas mulheres, estes infantes uns nos outros amontoados / Estes membros dispersos sob estes mármores quebrados / Cem mil desafortunados que a terra devora / Os quais, sangrando, despedaçados, e palpitantes embora / Enterrados com seus tetos terminam sem assistência / No horror dos tormentos sua lamentosa existência! / Aos gritos balbuciados por suas vozes expirantes, / Ao espetáculo medonhos de suas cinzas fumegantes (...)”.Mas, afinal, que relatos são esses?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 1cm;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; line-height: 115%;"&gt;Pelo estilo da escrita, tem-se a impressão de serem doutra época. Pelo conteúdo, entretanto, contemplam-se perfeitamente os escombros de Porto Príncipe, capital do Haiti. Eis a atmosfera lúgubre, as almas fugindo por entre as falhas nos destroços, a fome, a sede, a violência e, enfim, todo o caos que se segue aos abalos sísmicos na América Central. Curiosamente, no entanto, os textos acima foram escritos há mais de 250 anos, por Voltaire (1964-1778), escritor e filósofo iluminista. O primeiro excerto faz parte da comédia romântica “Cândido, ou o Otimismo”; o segundo, do “Poema sobre o desastre de Lisboa”. Ambos relatam, direta ou indiretamente, o terremoto que atingira Lisboa no ano de 1755, resultando na destruição quase completa da cidade. O sismo foi seguido de um tsunami que, segundo relatos, teria atingido alturas entre 20 e 30 metros. Também se seguiram múltiplos incêndios e houve milhares de mortos. Atualmente, geólogos estimam que o abalo atingira a magnitude 9 na escala Richter, um dos sismos mais mortíferos da história.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 1cm;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; line-height: 115%;"&gt;O terremoto de Lisboa também se fez sentir na ideologia da época. Sua ocorrência exata, no dia 1 de novembro, feriado do Dia de Todos-os-Santos, associada ao fato de diversas igrejas importantes terem ido a baixo, levantou muitas questões teológicas por toda a Europa. Muitos acreditavam que o fenômeno fora uma manifestação da ira divina. Por outro lado, o terremoto estimulou ainda mais o pensamento iluminista, cientificista e cético. No poema de Voltaire citado acima, criticam-se as interpretações religiosas do evento: “Direis vós, perante tal amontoado de vítimas: / ‘Deus vingou-se, a morte deles é o preço de seus crimes’ / Que crime, que falta cometeram estes infantes / Sobre o seio materno esmagados e sangrantes? / Lisboa, que não é mais, teve ela mais vícios / Que Londres, que Paris, mergulhadas nas delícias? / Lisboa está arruinada, e dança-se em Paris (...)”. Defensor de uma interpretação científica do fenômeno, Kant publicou três textos distintos sobre o terremoto. Sua teoria, baseada em muitas hipóteses e nos pouquíssimos dados disponíveis na época, envolvia o deslocamento de enormes cavernas subterrâneas insufladas por gases a alta temperatura. Ainda que, mais tarde, tenha se mostrado falsa, sua teoria consistiu numa das primeiras tentativas sistematizadas de explicar sismos mediante causas naturais. Assim, observa-se, já naquela época, um grande esforço científico pela compreensão da natureza. Mas, afinal, para quê? &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 1cm;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; line-height: 115%;"&gt;Segundo Freud, o sofrimento ameaça a humanidade a partir “de nosso próprio corpo, condenado à decadência e à dissolução (...); do mundo externo, que pode voltar-se contra nós com forças de destruição esmagadoras e impiedosas; e, finalmente, de nossos relacionamentos com os outros homens”. Nos dois primeiros casos e, talvez, inclusive no terceiro, pode-se passar, com o auxílio de técnicas orientadas pela ciência, “ao ataque à natureza”, sujeitando-a à vontade humana”. Daí Marcuse dizer que “o &lt;i style=""&gt;telos&lt;/i&gt; [finalidade] da ciência não é nada mais que a proteção e o melhoramento da existência humana”. Ora, em que se converteu esse ímpeto iluminista? Segundo Adorno e Horkheimer, é de se espantar que a humanidade, “em vez de entrar em um estado verdadeiramente humano, esteja se afundando em uma nova espécie de barbárie”. Evidentemente, o problema da ciência não é tão somente sua incapacidade de antever, evitar ou controlar terremotos. Na verdade, tal afirmação faz parte do livro “A Dialética do Esclarecimento”, publicado logo após o fim da Segunda Guerra Mundial, quando as luzes do iluminismo se converteram em sombras de aviões de guerra lançando bombas nucleares sobre o Japão.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;span style="font-size: 10pt; line-height: 115%; font-family: &amp;quot;Calibri&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;;"&gt;O verdadeiro fracasso da razão se dá no combate à fome, à pobreza e à violência, bem como, por outro lado, na promoção da saúde, da igualdade, da liberdade, e da paz. Nesse sentido, de acordo com Franklin Leopoldo e Silva, “nunca se dispôs de tantos meios, e nunca eles estiveram tão distanciados dos fins a que deveriam servir”. Assim, há de se reconhecer que a pior ameaça à humanidade não decorre de terremotos, sacudindo o mundo a partir das profundezas da Terra, e sim da própria humanidade, destruindo a natureza e, por conseguinte, a si mesma, a partir do uso irresponsável da razão.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1913476363751269612-1265978114335327479?l=nobreordinario.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nobreordinario.blogspot.com/feeds/1265978114335327479/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1913476363751269612&amp;postID=1265978114335327479' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1913476363751269612/posts/default/1265978114335327479'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1913476363751269612/posts/default/1265978114335327479'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nobreordinario.blogspot.com/2010/02/natureza-sob-controle-da-ciencia-sem.html' title='A Natureza Sob Controle da Ciência Sem Controle'/><author><name>Denis Barbosa Cacique</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_qtJaj0KbaeA/S3KVV5_6C2I/AAAAAAAAAAU/4fm49eESLMQ/s72-c/terremoto.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1913476363751269612.post-8162215212885668727</id><published>2010-01-14T15:44:00.000-08:00</published><updated>2010-01-14T15:56:31.119-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Histórias Ordinárias'/><title type='text'>Epifania: 15 reais.</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_jSKVTbU47EI/S0-s03FoiAI/AAAAAAAAAVw/2lvPNqrYxSw/s1600-h/431boca.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 240px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_jSKVTbU47EI/S0-s03FoiAI/AAAAAAAAAVw/2lvPNqrYxSw/s320/431boca.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5426746100145489922" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;i&gt;por B. F. Teixeira&lt;/i&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="mso-tab-count:1"&gt;            &lt;/span&gt;“Está perdido?”.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;text-indent: 35.4pt; "&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt; &lt;/span&gt;Ela pergunta, se aproxima e segura em minha não direita. Em algum ponto da Avenida São João.&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;  &lt;/span&gt;Ela tem o corpo esguio e lindos cabelos cacheados ruivos. Pintados, como eu descobriria mais tarde.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;text-indent: 35.4pt; "&gt;Ela move seu polegar pela palma da minha mão. Pela minha linha da vida, do dinheiro e do amor. Seu polegar percorre todas essas linhas porque ela vai se envolver em todas essas coisas. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="mso-tab-count:1"&gt;                &lt;/span&gt;“Estou”. Respondo, sorrindo e sem soltar sua mão. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="mso-tab-count:1"&gt;                &lt;/span&gt;“Tu tens um sorriso bonito”. Ela diz com sotaque gaúcho e tom em algum lugar entre o maternal e o sedutor.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="mso-tab-count:1"&gt;                &lt;/span&gt;Mantenho minha mão na sua. Seu polegar continua passeando na palma da minha mão. Dinheiro, vida, amor. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="mso-tab-count:1"&gt;                &lt;/span&gt;Tento reservar-me. Fingir que o toque não me traz conforto. Fingir que é tudo business. Oferta e procura. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="mso-tab-count:1"&gt;                &lt;/span&gt;“E por quanto sai?”&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="mso-tab-count:1"&gt;                &lt;/span&gt;“Para você, 30”. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="mso-tab-count:1"&gt;                &lt;/span&gt;“Só tenho 15. Preciso sacar. Onde tem um BB por aqui?”&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="mso-tab-count:1"&gt;                &lt;/span&gt;“Fale baixo. Aqui está cheio de noia. Eles roubam até óculos de grau”.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="mso-tab-count:1"&gt;                &lt;/span&gt;“Se roubarem os meus, não poderei ver nem mesmo você.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="mso-tab-count:1"&gt;                &lt;/span&gt;Ela sorri de modo terno. Agora, tendendo mais para o maternal. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="mso-tab-count:1"&gt;                &lt;/span&gt;“Vamos no E-com. Lá ninguém sabe o que vamos fazer. Eu sei onde tem um”. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="mso-tab-count:1"&gt;                &lt;/span&gt;Ela assume a frente como um guia. Ou melhor, me arrasta pelo caos da grande e caótica metrópole como uma mãe arrasta a uma criança. Mãos dadas. Seu polegar percorrendo a palma da minha mão. Vida, dinheiro, amor.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="mso-tab-count:1"&gt;                &lt;/span&gt;“Que drogas você usa?” Ela me pergunta com a mesma naturalidade de quem pergunta “qual é a sua profissão?”&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="mso-tab-count:1"&gt;                &lt;/span&gt;“Cerveja e remédios para dormir”. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="mso-tab-count:1"&gt;                &lt;/span&gt;“Isso não são drogas”. Ela despreza. Obviamente ela não conhece muito bem as benzodiazepinas. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style="mso-tab-count:1"&gt;               &lt;/span&gt;“Eu fumo um beck de vez em quando”. Ela confessa. “Já fumou um beck?”&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="mso-tab-count:1"&gt;                &lt;/span&gt;“Eu fiz faculdade.”&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="mso-tab-count:1"&gt;                &lt;/span&gt;“Hmmm?”&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="mso-tab-count:1"&gt;                &lt;/span&gt;“É uma espécie de pré-requisito para se formar”.&lt;span style="mso-tab-count:1"&gt;           &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="mso-tab-count:1"&gt;                &lt;/span&gt;“Ah tá! Só isso só. Eu não me misturo com esses nóia não”. Diz ela se referindo aos consumidores de crack nos arredores da praça da república. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="mso-tab-count:1"&gt;                &lt;/span&gt;Continuamos a andar. Ela a frente. Eu atrás. Puxando-me pela mão, como uma mãe faz a uma criança pequena. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="mso-tab-count:1"&gt;                &lt;/span&gt;Chegamos ao&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;  &lt;/span&gt;e-com. Uma espécie de pequeno supermercado.&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;  &lt;/span&gt;Um pequeno supermercado para emergências. Pequeno é claro para os padrões paulistanos. Médio para os padrões da minha cidade.&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;  &lt;/span&gt;A máquina do banco 24 horas se encontra logo de frente a entrada para onde nós nos dirigimos, ou melhor, para a entrada a qual ela me guia.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="mso-tab-count:1"&gt;                &lt;/span&gt;Uma folha de papel sulfite colada na máquina frustra nossos planos: &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;text-indent: 35.4pt; "&gt;“Caixa fora do Ar”&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;text-indent: 35.4pt; "&gt;Ela se aproxima do segurança de postura tão impecável quanto seu terno e sua gravata e pergunta, usando agora seu tom sedutor:&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;text-indent: 35.4pt; "&gt;“O sistema está fora do ar para todos os bancos?”.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;text-indent: 35.4pt; "&gt;Ele confirma. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;text-indent: 35.4pt; "&gt;Ela conversa com as pessoas. Ela escolhe os locais. Ela conhece os caminhos. Não há dúvidas sobre a natureza de nossa relação de poder maternal depravada.&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;   &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;text-indent: 35.4pt; "&gt;“E onde nós podemos tirar dinheiro essa hora?”&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;text-indent: 35.4pt; "&gt;“No e-com lá de cima? É muito longe.” A balança, agora, pende de vez para o lado sedutor.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;text-indent: 35.4pt; "&gt;“É o único jeito, senhora”&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;text-indent: 35.4pt; "&gt;“Tudo bem. Obrigado”. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;text-indent: 35.4pt; "&gt;Ela volta a me arrastar. Agora pelo caminho de volta. Até a esquina onde eu estava perdido. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;text-indent: 35.4pt; "&gt;“Tive uma idéia”. Ela diz. A balança pendendo ao lado maternal. Você vai ao hotel onde você está, fecha a conta e paga no cartão 15 reais a mais. Ele volta esses 15 pra você em dinheiro e você me dá.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;text-indent: 35.4pt; "&gt;Concordo tacitamente. É uma boa idéia, afinal. Atravesso a rua e me dirijo ao meu hotel. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;text-indent: 35.4pt; "&gt;“Mas, você estava em frente ao seu hotel?”. Ela me pergunta, perplexa. Quase surtando, mas se controlando, como uma mãe liberal que encontra maconha na gaveta do quarto do filho.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;text-indent: 35.4pt; "&gt;“Você me perguntou se eu estava perdido. Mas, não especificou o sentido”. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;text-indent: 35.4pt; "&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt; &lt;/span&gt;Ela faz um som interessante, algo entre um hmmmm e um ahhhh e se resigna.&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;  &lt;/span&gt;Aparentemente satisfeita com minha esperteza ou conformada com minha estranheza .&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;text-indent: 35.4pt; "&gt;Chegamos ao hotel. Faço a proposta ao recepcionista.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;text-indent: 35.4pt; "&gt;“Eu não tenho dinheiro aqui. Não tenho dinheiro no caixa de noite. Desculpe, ninguém acerta de noite”.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;text-indent: 35.4pt; "&gt;Olho para ela. No meu olhar a pergunta: “o que fazemos agora?” Ela entende e logo responde.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;text-indent: 35.4pt; "&gt;“Vamos fazer por esses 15 que você tem mesmo. Se não, vamos ter que andar muito.”&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;text-indent: 35.4pt; "&gt;“Tá”.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;text-indent: 35.4pt; "&gt;“Você é de maior?” pergunta o recepcionista do hotel. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;text-indent: 35.4pt; "&gt;“Claro que sou”. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;text-indent: 35.4pt; "&gt;“Nome e RG”&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;text-indent: 35.4pt; "&gt;Ela os passa. Entramos no elevador juntos.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;text-indent: 35.4pt; "&gt;“Com essa cara” _ ela diz _ “Não ser maior de idade como?”.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;text-indent: 35.4pt; "&gt;“Quantos anos você tem? Uns 22?”&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;text-indent: 35.4pt; "&gt;“Obrigada. Tenho 24”.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;text-indent: 35.4pt; "&gt;“É que você tem um sorriso jovial”&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;text-indent: 35.4pt; "&gt;“Obrigada. E você... você deve ter uns 27 anos”.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;text-indent: 35.4pt; "&gt;“Quase acertou. Tenho 26”.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;text-indent: 35.4pt; "&gt;“É que você tem cara de sério”.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;text-indent: 35.4pt; "&gt;O elevador para. Um daqueles elevadores velhos onde a porta automática é uma grade e você tem que abrir a porta principal. Um daqueles elevadores nos quais você não consegue depositar muita fé em sua vida. Ela desce.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;text-indent: 35.4pt; "&gt;“704. Deixa eu abrir”.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;text-indent: 35.4pt; "&gt;Abro a porta.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;text-indent: 35.4pt; "&gt;“Fique a vontade”, digo. E vou ao banheiro. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;text-indent: 35.4pt; "&gt;Quando volto, a TV está ligada no jornal da globo e ela está completamente nua. Seu corpo esguio e seus seios tipo taça de champagne atraem a mim e a meus olhares. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;text-indent: 35.4pt; "&gt;“Você disse para eu ficar a vontade, eu fiquei. Posso ir ao banheiro?”.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;text-indent: 35.4pt; "&gt;“Claro”.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;text-indent: 35.4pt; "&gt;Enquanto ela está no banheiro, abro os botões da minha camisa. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;text-indent: 35.4pt; "&gt;Ela sai. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;text-indent: 35.4pt; "&gt;Me abraça e me beija. Seu beijo tem sabor de cigarro mentolado. Não posso reclamar o meu deve ter gosto de cerveja. Mas, eu gosto. Gosto do sabor do cigarro mentolado. É forte. É como um cigarro misturado com um trident do mais forte. Enquanto ela me beija tira de vez minha camisa. Me coloca sentado na cama, se&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;  &lt;/span&gt;ajoelha a meus pés e abre o zíper da minha calça. Ela coloca meu pênis em sua boca com a habilidade que só uma profissional pode ter. &lt;/p&gt;  &lt;p class="ListParagraph" style="text-align: justify;margin-left: 53.4pt; "&gt;‘ *&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;   &lt;/span&gt;*&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;  &lt;/span&gt;*&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;  &lt;/span&gt;* * &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;text-indent: 35.4pt; "&gt;“Eu gozei gostoso, fiquei até de perna bamba, mas você não...” Ela mente, provavelmente. Mas, como dizer a ela que eu senti prazer, mas não ejaculo. Não sou capaz de ejacular às vezes por causa da gigantesca carga de antidepressivos que tomo. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;text-indent: 35.4pt; "&gt;“Não foi culpa sua, eu digo”. Para evitar longas explicações.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;text-indent: 35.4pt; "&gt;“É a primeira vez que você paga uma garota?”.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;text-indent: 35.4pt; "&gt;“É. Antes disso, só namoradinha”.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;text-indent: 35.4pt; "&gt;“Então foi isso. Eu sabia que era alguma coisa psicológica. Ele queria sair, mas não saía”. Tem algo mesmo, porém não é psicológico é psiquiátrico. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;text-indent: 35.4pt; "&gt;“Você faz o que aqui em São Paulo?”&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;text-indent: 35.4pt; "&gt;“Um curso.”&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;text-indent: 35.4pt; "&gt;“Para o trabalho?”&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;text-indent: 35.4pt; "&gt;“É”&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;text-indent: 35.4pt; "&gt;“Vai embora quando?”&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;text-indent: 35.4pt; "&gt;“Amanhã”&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;text-indent: 35.4pt; "&gt;“Que horas?”&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;text-indent: 35.4pt; "&gt;“A hora que eu quiser”&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;text-indent: 35.4pt; "&gt;“Então vamos nos ver de novo amanhã. Eu te faço uma massagem. Uma massagem diferente. Que usa as mãos, os pés, os seios, e o clitóris. É tailandesa. A massagem dura uns 20 minutos, daí usamos os outros 40 para fazer outras coisas.” _ Ela diz, a balança agora, tendendo por completo para o lado sedutor _ “Eu vou te levar em um motelzinho, não tem frigobar como seu hotel, mas é bom, não tem nóia, não tem&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;  &lt;/span&gt;nada”&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;text-indent: 35.4pt; "&gt;“Vamos então”.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;text-indent: 35.4pt; "&gt;“Que horas você está livre?”&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;text-indent: 35.4pt; "&gt;“As cinco”&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;text-indent: 35.4pt; "&gt;“Me passa o número do seu celular. Eu to sem. Me roubaram o meu. Um Nokia simplezinho que só tinha rádio acredita?”&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;text-indent: 35.4pt; "&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt; &lt;/span&gt;Eu escrevo um numero num pedaço de uma folha, rasgo e lhe dou.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;text-indent: 35.4pt; "&gt;“Vou mandar a mensagem do celular de uma amiga por volta do meio dia. Vou assinar como Cris Gaúcha. Onde nós encontramos?”&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;text-indent: 35.4pt; "&gt;“Ali. Na esquina. Na esquina onde você me salvou”. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;text-indent: 35.4pt; "&gt;“Ok”. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;text-indent: 35.4pt; "&gt;Ela se veste com uma velocidade impressionante.&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;  &lt;/span&gt;Eu ainda estou nu. Frágil como uma criança diante da mãe. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;text-indent: 35.4pt; "&gt;“Amanhã, hein? Eu te mando mensagem. Por volta do meio dia. Cris Gaúcha”. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;text-indent: 35.4pt; "&gt;Ela me da um beijo de despedida, sabor cigarro mentolado, e sai. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;text-indent: 35.4pt; "&gt;Me deixando lá. Nú, sozinho e frágil, mas confortado e esperançoso.&lt;/p&gt;  &lt;p class="ListParagraph" style="text-align: justify;margin-left: 53.4pt; text-indent: -18pt; "&gt;&lt;span style="font-family:Symbol; mso-fareast-font-family:Symbol;mso-bidi-font-family:Symbol"&gt;&lt;span style="mso-list:Ignore"&gt;·&lt;span style="font:7.0pt &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;"&gt;         &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;* * * * &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;text-indent: 35.4pt; "&gt;Acordo cedo para ir ao treinamento. Passo a manhã toda de olho no celular. Esperando a mensagem. Esperando uma sms de um telefone qualquer com a assinatura de Cris Gaúcha. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;text-indent: 35.4pt; "&gt;Meio-dia&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;  &lt;/span&gt;a sms não vem. Uma da tarde o sms não vem. Checo o celular, primeiro, de hora em hora. Depois de minuto em minuto. Duas da tarde e o sms não vem. Três, quatro, cinco, nada. Saio do curso e vou em direção ao hotel. Preciso pegar minhas malas de qualquer forma. Subo no meu quarto no elevador antigo. Pego minhas malas, desço. Sempre olhando para o outro lado da esquina. Para a esquina onde ela me salvou. Mas, não vejo nada. Não vejo ninguém parada. Ninguém de corpo esguio e belos cabelos ruivos cacheados. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;text-indent: 35.4pt; "&gt;Talvez, ela esteja atrasada. Saio do hotel e espero. Ela não mandou mensagem mais ainda há um pouco de esperança em mim. Espero por 15 minutos na porta do hotel. De qualquer forma, não quero pegar o metrô agora, na hora do Rush, não&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;  &lt;/span&gt;quero ser esmagado. Entro em um boteco ao lado do hotel e peço uma Skol. Escolho uma posição de onde posso ver a esquina. E vou tomando. Vou tomando. Uma, duas, três, quatro. A hora do rush passa. E ela não aparece.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;text-indent: 35.4pt; "&gt;Saio do bar, decepcionado, mas nem tanto. Me recordo com um estranho carinho de seu sorriso jovial e de seu jeito maternal.&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;  &lt;/span&gt;O conforto do seu polegar passeando pela palma da minha mão: Vida, Dinheiro, Amor. Essa mulher fez mais por mim. Mais do que o melhor boquete da minha vida. Carinho. É isso: carinho. Essa mulher fez com que eu tomasse consciência do carinho que sentia por ela. E, se sou capaz de sentir carinho por uma prostituta, o que dizer então do que eu sinto pelas pessoas que convivem comigo? Amigos? Colegas? De alguma forma essa puta de rua, essa mulher, foi capaz de fazer o que meses de tratamento com &lt;span style="font-size:12.0pt;line-height:115%"&gt;venlaflaxina&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:10.0pt;line-height:115%;font-family:&amp;quot;Century Gothic&amp;quot;; mso-bidi-font-family:&amp;quot;Century Gothic&amp;quot;"&gt; &lt;/span&gt;não foram: fizeram a vida parecer melhor de ser vivida.&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;text-indent: 35.4pt; "&gt;Com fé renovada na humanidade, na vida e em mim mesmo, mato meu copo de cerveja, pego minha mala e deixo o bar rumo à estação de metrô da República. Rumo à minha casa.&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1913476363751269612-8162215212885668727?l=nobreordinario.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nobreordinario.blogspot.com/feeds/8162215212885668727/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1913476363751269612&amp;postID=8162215212885668727' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1913476363751269612/posts/default/8162215212885668727'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1913476363751269612/posts/default/8162215212885668727'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nobreordinario.blogspot.com/2010/01/epifania-15-reais.html' title='Epifania: 15 reais.'/><author><name>Brunão</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_jSKVTbU47EI/S0-s03FoiAI/AAAAAAAAAVw/2lvPNqrYxSw/s72-c/431boca.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1913476363751269612.post-4916349687276741662</id><published>2009-12-13T13:54:00.000-08:00</published><updated>2009-12-13T13:58:51.918-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Coisas da Vida'/><title type='text'>Fazendo do blog um blog ou Momento desabafo (volume II)</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_jSKVTbU47EI/SyVjL_Q55eI/AAAAAAAAAVo/7nCF8d_6P5U/s1600-h/semaforo_N.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 220px; height: 200px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_jSKVTbU47EI/SyVjL_Q55eI/AAAAAAAAAVo/7nCF8d_6P5U/s320/semaforo_N.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5414843184594937314" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;Por B. F. Teixeira&lt;/i&gt;&lt;div&gt;&lt;i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="line-height: 24px; "&gt;Sim, eu estou bravo com você. Estou tão bravo com você que nem mesmo o dobro da dose receitada de alprazolam , 4mg, mais duas latinhas de cerveja foram capazes de  me acalmar. Escrevo este na esperança de que ao menos, este, o seja. Estou bravo assim porque me revelei, me expus e você se omitiu. Se omitiu a ponto de me negar uma resposta simples: sim ou não. Você foi covarde. Você foi covarde ao extremo. Antes tivesse me dado o não, porém, você não poderia tê-lo feito porque essa não é a resposta que está em seu coração. Eu sei disso. Você sabe disso. Nós sabemos disso. Então, por que omitir, por que adiar, por que camuflar, por que fugir do “sim?”&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;i&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;line-height:150%"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;Você fugiu do sim enquanto eu lhe oferecia de todas as formas uma chance de viver a vida.  E você... você.... preferiu “isso”. Você preferiu o marasmo do conhecido, da solidão. Sim, eu estou bravo com você. Não, isso não vai passar tão cedo. E, sim, as drogas já fizeram efeito a essa hora. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;line-height:150%"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;Sim, eu acho que você cometeu uma grande besteira. Porque no mundo de hoje, nós não convivemos mais com as pessoas. Nós simplesmente esbarramos nelas, passamos por elas, como carros em uma avenida, que de vez em quando, param lado a lado, por alguns momentos, em um sinal fechado, como na música de Paulinho da Viola. Depois disso, depois que o sinal se abre, depois que o verde aparece, todos se misturam, se perdem no meio das intricadas avenidas cheias de desvios e acessos da vida. É isso que vai acontecer conosco. Mais rápido do que você imagina o sinal vai se abrir e vamos nos misturar aos outros, virar em esquinas diferentes e nos perder para sempre. Seremos apenas memórias distantes um para o outro. Um potencial não realizado. Um eterno “e se”. Tudo porque você não quer que eu a siga. Tudo porque você está adiando o sim por tempo demais. Adiando o sim até que o sinal se abra.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1913476363751269612-4916349687276741662?l=nobreordinario.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nobreordinario.blogspot.com/feeds/4916349687276741662/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1913476363751269612&amp;postID=4916349687276741662' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1913476363751269612/posts/default/4916349687276741662'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1913476363751269612/posts/default/4916349687276741662'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nobreordinario.blogspot.com/2009/12/fazendo-do-blog-um-blog-ou-momento.html' title='Fazendo do blog um blog ou Momento desabafo (volume II)'/><author><name>Brunão</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_jSKVTbU47EI/SyVjL_Q55eI/AAAAAAAAAVo/7nCF8d_6P5U/s72-c/semaforo_N.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1913476363751269612.post-4403332806453998879</id><published>2009-12-10T02:10:00.000-08:00</published><updated>2009-12-10T02:14:56.974-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Internet'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Coisas da Vida'/><title type='text'>Bi-Campeão!</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_042Q5imdD7k/SyDJTWrzYEI/AAAAAAAAAdY/J34CzCV1hTw/s1600-h/SANY0736.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 400px; height: 300px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_042Q5imdD7k/SyDJTWrzYEI/AAAAAAAAAdY/J34CzCV1hTw/s400/SANY0736.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5413548086443335746" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;br /&gt;por Denis Barbosa Cacique&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;Se o Brasileirão 2009 foi o mais emocionante dos últimos anos, o mesmo se pode dizer do &lt;a href="http://bolaocerrada.blogspot.com/"&gt;Bolão&lt;/a&gt; &lt;a href="http://bolaocerrada.blogspot.com/"&gt;Marcação Cerrada 2009&lt;/a&gt;, com a diferença de que este é organizado faz apenas dois anos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Em ambos os casos, parte da emoção se deve a Palmeiras e a Valdez, os cavalos paraguaios de cada uma das competições. Confesso que, ainda no meio dos dois campeonatos, dei por decidido o campeão, mas, felizmente, estava errado. A partir da chegada do Murici no Verdão, o time foi perdendo o gosto pelas vitórias, &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=cUCifj-eLgw&amp;amp;feature=related"&gt;a cabeça&lt;/a&gt;, o título, e até mesmo a vaga na Libertadores da América. Sabe-se lá o porquê, algo semelhante ocorreu com Valdez. Depois de ter feito um primeiro turno quase perfeito no Marcação Cerrada, ele foi perdendo fôlego, e acabou a competição em terceiro lugar. Não é uma má posição, mas todos sabem que ele prometia bem mais do que isso.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style=""&gt;Apesar das diversas semelhanças, é preciso esclarecer que tais competições possuem importantes diferenças. Se, por um lado, o Brasileirão foi marcado por erros graves de arbitragem e interferências tendenciosas do STJD, por outro, não há qualquer mácula sobre o Marcação Cerrada. Numa época em que a popularização da internet torna cada vez mais difícil encontrar um blog de qualidade, o &lt;a href="http://cerrada.blogspot.com/"&gt;Marcação Cerrada&lt;/a&gt;, bem como sua página irmã &lt;a href="http://bolaocerrada.blogspot.com/"&gt;Bolão Marcação Cerrada&lt;/a&gt;, são exemplos de seriedade. Criados por Vinícius Grissi, esses blogs são exemplos de que páginas independentes podem, sim, apresentar conteúdo, atualizações regulares, textos bem escritos, organização e confiabilidade. No caso do Bolão Marcação Cerrada, essas qualidades se ressaltam ainda mais. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;br /&gt;Grissi conduzir a competição até o final com muita responsabilidade, transparência, respeito aos competidores, regularidade na postagem dos resultados e iniciativa e inteligência. Por tudo isso, gostaria de agradecer ao Vinícius toda a diversão que ele possibilitou aos competidores do bolão durante grande parte de 2009.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style=""&gt;Enfim, antes que eu me esqueça: sim, eu levei o caneco &lt;a href="http://nobreordinario.blogspot.com/2009/01/bolo-marcao-cerrada.html"&gt;novamente&lt;/a&gt;!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style=""&gt;No ano que vem tem mais.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1913476363751269612-4403332806453998879?l=nobreordinario.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nobreordinario.blogspot.com/feeds/4403332806453998879/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1913476363751269612&amp;postID=4403332806453998879' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1913476363751269612/posts/default/4403332806453998879'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1913476363751269612/posts/default/4403332806453998879'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nobreordinario.blogspot.com/2009/12/bi-campeao.html' title='Bi-Campeão!'/><author><name>Denis Barbosa Cacique</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07947579438098992716</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://bp1.blogger.com/_042Q5imdD7k/SH8bfxGdKZI/AAAAAAAAAR0/qoj_FfuKrlA/S220/de3.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_042Q5imdD7k/SyDJTWrzYEI/AAAAAAAAAdY/J34CzCV1hTw/s72-c/SANY0736.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1913476363751269612.post-7599554113976618228</id><published>2009-12-04T01:49:00.000-08:00</published><updated>2009-12-04T01:51:24.003-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Caism Notícias (Filosofemas Simples)'/><title type='text'>Salve o Peru do Natal</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_042Q5imdD7k/SxjbTF5lGII/AAAAAAAAAdQ/jYfnyTnEoeg/s1600-h/Macy%2BHosts%2BAnnual%2BThanksgiving%2BDay%2BParade%2B-HHjmXcYobjl.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 400px; height: 267px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_042Q5imdD7k/SxjbTF5lGII/AAAAAAAAAdQ/jYfnyTnEoeg/s400/Macy%2BHosts%2BAnnual%2BThanksgiving%2BDay%2BParade%2B-HHjmXcYobjl.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5411316073333332098" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;por Denis Barbosa Cacique&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Alguma vez lhe ocorreu a idéia de que pode haver algo de errado na pretensa legitimidade do uso que nós, animais humanos, fazemos dos animais não-humanos quando nos servimos deles para a alimentação? Essa sensação pode ser provocada por notícias semelhantes à seguinte: ‘recentemente, a polícia desmontou um abatedouro de cães, em Suzano, cidade da região metropolitana de São Paulo. O estabelecimento clandestino funcionava nos fundos de uma casa, para onde eram levados cachorros de rua. Lá, uma vez engordados, eram mortos. A carne era vendida principalmente para açougues coreanos. Já os pedaços sem proveito, incineravam. E assim, à surdina, o abatedouro funcionou durante três anos’. Imagine quanto maniqueísmo foi necessário para que se pusesse em marcha tão repugnante indústria. Mas, além disso, não se furte de imaginar uma solução para o seguinte problema: será que os clientes do abatedouro de cães são moralmente piores do que nós, que já temos planejado o peru de Natal?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em parte, essa é uma questão cultural. E quem de nós escolheu onde ou quando nasceria? Aleatoriamente surgidos num ponto do tempo e do espaço - assim eu suponho – nascemos, e pronto. Encontramo-nos, então, numa sociedade cujos elementos culturais já estavam sedimentados o bastante para que fiássemos neles sem sequer hesitar. Quase nunca questionamos nossas próprias tradições, mas sempre julgamos os elementos culturais estrangeiros. É complicado explicar os porquês desse comportamento. Na verdade, o ser humano tem a razão, essa perigosa fera no interior de cada um de nós, domesticada pelo hábito. Ele nos afrouxa o espírito crítico a tal ponto de considerarmos qualquer coisa aceitável: a razão afrouxada é capaz de tudo. Mas como se dá esse afrouxamento? Perceba: muitas de nossas verdades jamais passaram pelo crivo da razão. É normal e, em certos casos, positivo que hajamos assim. Damos crédito às coisas que nossos pais nos ensinaram. Eles assim também o fizeram. Do mesmo modo será com nossos filhos. E assim as tradições se perpetuam, de geração a geração, indefinidamente. Trata-se de um importante modo de compartilhamento de informações, o qual utilizamos o tempo todo, até sem perceber. Quando um médico nos prescreve uma medicação, por exemplo, não lhe exigimos uma demonstração minuciosa dos riscos e benefícios dos comprimidos. Nós simplesmente acreditamos no que ele nos diz. Em parte, é assim que se dá a perpetuação dos valores culturais, todavia numa escala muito maior e mais complexa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Feita essa sinuosa, porém necessária, digressão, deve ficar mais claro o estranhamento que se sente diante dum cardápio estrangeiro. Por razões diversas, e que não vem ao caso elencar, cada sociedade engendra ao longo do tempo valores acerca de tudo, inclusive sobre os hábitos alimentares. Surgem, então, certas éticas alimentares, isto é, conjuntos de regras quanto ao certo e ao errado em torno do ato de comer. Nas sociedades ocidentais contemporâneas, por exemplo, se comem perus, sobretudo no Natal. Já em algumas sociedades asiáticas, a carne de cachorro é um prato bastante comum. Nos dois casos, o hábito alimentar e seu respectivo valor moral local são culturalmente determinados. E justamente por se tratar de um hábito, pouco se questiona a seu respeito, a não ser que ele seja alheio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas o que, afinal, é pior, alimentar-se de cães ou de perus? Por hipótese, assumamos que ambas as práticas são moralmente condenáveis. Há muitas pessoas convictas sobre isso e nós devemos ao menos refletir a respeito. Segundo elas, assumindo que o consumo de carne é dispensável aos seres humanos, o que, na verdade, é tema bastante controverso, então é moralmente necessário adotarmos dietas vegetarianas. Ao fazê-lo, evitaríamos os incontáveis sofrimentos infligidos a animais das mais diversas espécies, de cães a perus, tudo em nome do nosso simples paladar. Mas se essa mera idéia lhe soa demasiadamente estranha e, quiçá, risível, vale lembrar que o racismo, o sexismo e a homofobia, por exemplo, produziram, até pouquíssimo tempo atrás, teorias e práticas amplamente legitimados por cientistas, filósofos e religiosos, que, na verdade, apenas reproduziam valores culturais vigentes em suas épocas. E já que outrora fomos capazes de tão graves equívocos, o que nos garante que estamos certos quanto ao especicismo? Por via das dúvidas, portanto, talvez não seja uma má idéia salvar o peru do Natal. Pense nisso.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1913476363751269612-7599554113976618228?l=nobreordinario.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nobreordinario.blogspot.com/feeds/7599554113976618228/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1913476363751269612&amp;postID=7599554113976618228' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1913476363751269612/posts/default/7599554113976618228'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1913476363751269612/posts/default/7599554113976618228'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nobreordinario.blogspot.com/2009/12/salve-o-peru-do-natal.html' title='Salve o Peru do Natal'/><author><name>Denis Barbosa Cacique</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07947579438098992716</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://bp1.blogger.com/_042Q5imdD7k/SH8bfxGdKZI/AAAAAAAAAR0/qoj_FfuKrlA/S220/de3.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_042Q5imdD7k/SxjbTF5lGII/AAAAAAAAAdQ/jYfnyTnEoeg/s72-c/Macy%2BHosts%2BAnnual%2BThanksgiving%2BDay%2BParade%2B-HHjmXcYobjl.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1913476363751269612.post-2475878816192110000</id><published>2009-11-25T15:57:00.000-08:00</published><updated>2009-11-25T16:07:22.964-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Coisas da Vida'/><title type='text'>Fazendo do blog um blog ou Momento desabafo</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_jSKVTbU47EI/Sw3Fz5RxgfI/AAAAAAAAAVg/F2owcKXCZrY/s1600/diva.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 278px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_jSKVTbU47EI/Sw3Fz5RxgfI/AAAAAAAAAVg/F2owcKXCZrY/s320/diva.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5408196222881202674" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;i&gt;por B. F. Teixeira&lt;/i&gt;&lt;div&gt;&lt;i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;i&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;Sento no chão frio só de cuecas. Minha cabeça roda em uma velocidade agradável. Não sei mais o que é álcool, o que é clonazepam. Nem quero saber. Penso nela. Preciso preparar uma surpresa. Preciso preparar alguma forma de surpresa. Alguma forma de conquista. Ela é mais profunda do que parece. Esconde uma tristeza, uma melancolia por baixo de um sorriso. Somos muito parecidos. O meu biombo é blasé, o dela feliz. Mas, eu consigo ver através de seu biombo. Lá, nos conectamos. Na solidão. Isso é o que mais me atrai nela... ela é como eu.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;Porém, uma vez juntos, sendo aquilo que nos conecta a solidão, não estaríamos, então, imediatamente separados? Poderemos nos salvar ou eu vou levá-la abaixo em minha espiral de químicos? De qualquer forma, eu preciso tentar. Tentar de forma intensa. Foda-se o biombo blasé. Com ela, serei, ao menos uma vez, ao menos ao tentar, o homem intenso que ama com cada fibra do ser, que acredita no amor romântico sem tomar nenhuma precaução. Com ela serei o menino que chora vendo E.T ou Wall-E. E se nada disso der certo, posso sempre voltar ao Blasé. Ao álcool. Ao clonazepam.&lt;/span&gt; &lt;/p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1913476363751269612-2475878816192110000?l=nobreordinario.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nobreordinario.blogspot.com/feeds/2475878816192110000/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1913476363751269612&amp;postID=2475878816192110000' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1913476363751269612/posts/default/2475878816192110000'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1913476363751269612/posts/default/2475878816192110000'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nobreordinario.blogspot.com/2009/11/fazendo-do-blog-um-blog-ou-momento.html' title='Fazendo do blog um blog ou Momento desabafo'/><author><name>Brunão</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_jSKVTbU47EI/Sw3Fz5RxgfI/AAAAAAAAAVg/F2owcKXCZrY/s72-c/diva.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1913476363751269612.post-367819238367455519</id><published>2009-11-08T10:24:00.000-08:00</published><updated>2009-11-08T10:29:02.584-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Caism Notícias (Filosofemas Simples)'/><title type='text'>Entre o saci e as bruxas</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_jSKVTbU47EI/SvcNe88aCRI/AAAAAAAAAVY/8vaqvhhOikw/s1600-h/saci.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 200px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_jSKVTbU47EI/SvcNe88aCRI/AAAAAAAAAVY/8vaqvhhOikw/s320/saci.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5401801103460927762" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:35.4pt;line-height: 150%"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:35.4pt;line-height: 150%"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;i&gt;Por B. F. Teixeira"&lt;/i&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:35.4pt;line-height: 150%"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal; "&gt;"A bruxa vem aí/E não vem sozinha/Vem na base do Saci”. A clássica marchinha mostra essas duas criaturas mágicas do folclore em convivência harmoniosa. Nos últimos anos, porém, esses dois seres mágicos são os protagonistas de uma verdadeira guerra cultural. Tudo por causa de uma data. Dia 31 de outubro.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;line-height:150%"&gt;&lt;span style="mso-tab-count:1"&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt; &lt;/span&gt;De um lado dessa batalha, o Halloween. Como o próprio nome deixa claro, não tem origem em nossa cultura. O dia das bruxas. Uma festa dos países de cultura anglo-saxã (Irlanda, Canadá, EUA) que é cada vez mais comemorada em nosso país. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;line-height:150%"&gt;&lt;span style="mso-tab-count:1"&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt; &lt;/span&gt;Do outro lado o “Dia do Saci”. Símbolo da resistência cultural nacional. Nacionalistas culturais, (Sociedade de caçadores/observadores de SACIs) que já contam até com o apoio de um senador, Aldo Rebelo (PC do B/SP), querem expulsar as bruxas americanas e dedicar o dia todo à lenda nacional.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;line-height:150%"&gt;&lt;span style="mso-tab-count:1"&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt; &lt;/span&gt;Nessa luta, como em todas as outras, a resistência é o lado mais fraco. Alguns dos fatores para essa diferença de poder são, obviamente, o poderio econômico americano e sua indústria cultural que por meio de Hollywood exporta seus costumes e sua cultura para todos os lugares do mundo. Inclusive o Halloween, inclusive para o Brasil. Contudo, muitos esquecem é que esse não é o único fator. A diferença de poder entre o saci e as bruxas reside também na forma com a qual cada um dos povos se relaciona com o seu folclore. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;line-height:150%"&gt;&lt;span style="mso-tab-count:1"&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt; &lt;/span&gt;Para os anglo-saxões seu folclore é como um imenso baú de recursos de onde autores podem retirar elementos para suas histórias e altera-los a sua vontade. É isso que aconteceu com o mundo mágico dos bruxos de Harry Potter ou com os Vampiros de Crepúsculo ou de Anne Rice. As lendas anglo-saxãs estão em um constante reaproveitamento e reciclagem e, portanto, sempre atualizadas e nas mentes das pessoas.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;line-height:150%"&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt; &lt;/span&gt;Enquanto para nós as lendas já são histórias contadas. Terminadas. Fiéis a suas raízes, mas estagnadas. Nossas lendas continuam ligadas a um Brasil rural, enquanto agora a maioria de nossa população é urbana. Fazer trança em crina de cavalo é uma travessura que não se encaixa no Brasil de hoje. O saci precisa de novas travessuras. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;line-height:150%"&gt;&lt;span style="mso-tab-count:1"&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt; &lt;/span&gt;Não me entendam mal, nessa luta, estou do lado da resistência cultural, só acho que a estratégia de batalha é errada. As lendas não vivem de festas, políticas culturais ou de projeto de lei, mas sim de histórias. &lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1913476363751269612-367819238367455519?l=nobreordinario.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nobreordinario.blogspot.com/feeds/367819238367455519/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1913476363751269612&amp;postID=367819238367455519' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1913476363751269612/posts/default/367819238367455519'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1913476363751269612/posts/default/367819238367455519'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nobreordinario.blogspot.com/2009/11/entre-o-saci-e-as-bruxas.html' title='Entre o saci e as bruxas'/><author><name>Brunão</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_jSKVTbU47EI/SvcNe88aCRI/AAAAAAAAAVY/8vaqvhhOikw/s72-c/saci.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1913476363751269612.post-7999650937868623075</id><published>2009-10-31T09:45:00.001-07:00</published><updated>2009-11-02T14:34:43.321-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Histórias Ordinárias'/><title type='text'>Síndrome de Wendy</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_jSKVTbU47EI/SuxpxHUkRJI/AAAAAAAAAVI/_ahf87iR4ek/s1600-h/peter-wendy.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 240px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_jSKVTbU47EI/SuxpxHUkRJI/AAAAAAAAAVI/_ahf87iR4ek/s320/peter-wendy.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5398806345810199698" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;i&gt;por B. F. Teixeira&lt;/i&gt;&lt;div&gt;&lt;i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal; "&gt;Ele goza. Eu não.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal; "&gt;Ele sai de cima de mim. Vira-se de barriga pra cima. Coloca o antebraço em cima da testa. Emite um suspiro bobo de prazer.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal; "&gt;Eu baixo os braços rente ao corpo e olho para o relógio: 11h30. Tudo – se é que posso chamar de tudo – entre nós começou às 11h15.  Dou uma longa inspirada de tédio. Não devia, mas resolvo perguntar:&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal; "&gt;“Quantos anos você tem?”&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: italic; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;“&lt;/span&gt;&lt;st1:metricconverter productid="16”" st="on"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;16”&lt;/span&gt;&lt;/st1:metricconverter&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: italic; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;Eu jamais devia fazer uma pergunta cuja resposta eu não queira ouvir. No fundo da minha mente, um ruído: eu atingindo o fundo do poço.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: italic; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;Ele me olha e sorri com o olhar de realização de quem acabou de passar de fase em um jogo de Playstation. E eu, eu sou o bônus.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: italic; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;“Você quer outra? Quer dizer, vocês podem... aquela coisa de orgasmos múltiplos e tal...”&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: italic; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;Pelo menos é prestativo.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: italic; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;“Não”.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: italic; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;"Tem certeza?”.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: italic; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;“Sim. Estou indo já”.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: italic; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;Levanto. Começo a me vestir.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: italic; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;“A gente se vê por aí”&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: italic; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;“É... a gente se vê...”&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: italic; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;Abro a porta. Súbito estou envolta novamente pela festa. Adolescentes bebendo e dançando por todo o lugar. Preciso achar a minha adolescente. Dou um giro em busca de minha sobrinha. Não encontro. Encontro apenas um pequeno grupo de garotas bêbadas ao redor de uma batida de frutas.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: italic; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;“Do que é essa batida?”&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: italic; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;“Pêssego”&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: italic; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;“Que seja”&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: italic; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;Tomo a batida no gargalo da garrafa Pet. As meninas já tomaram quase tudo mesmo.  Enquanto o líquido doce desce, desejo que a vodka estivesse pura, para que queimasse minha garganta. Afinal, já atingi o fundo do poço mesmo...&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: italic; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;Saio da casa. Lá fora, encostada em meu carro está minha sobrinha. Pergunto-me o que aconteceu. Com certeza brigou com o namorado... Deve tê-lo visto olhando para outra.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: italic; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;“O que aconteceu?”&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: italic; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;“Você ainda pergunta?”&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: italic; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;“Não devia perguntar?”&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: italic; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;“Você não devia trepar com meu namorado!”&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: italic; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;Puta que pariu! A coisa é pior do que eu pensava. É verdade o que dizem sobre as coisas sempre poderem piorar. Não sei o que dizer, então, olho para o chão e dou outra golada na batida desejando, mais uma vez, que não fosse tão doce.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: italic; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;“Eu não sabia”&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: italic; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;“Você devia me trazer na festa. Não entrar e dar pra qualquer um. Especialmente quando esse qualquer um é meu namorado! Olhe ao seu redor, você vê alguém da sua idade? Vê o quanto está sendo ridícula?”&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: italic; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;Sentir-se patética, saber que é patética, é uma coisa. Agora, ouvir isso da boca de sua sobrinha de dezesseis anos é muito pior.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: italic; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;“Desculpe”&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: italic; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;“Não&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: italic; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;Ela se levanta e começa a andar.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: italic; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;“Onde você vai?”&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: italic; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;“Embora”&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: italic; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;“Entra no carro. Eu te levo”.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: italic; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;“Não quero mais nada de você. Vou a pé”&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: italic; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;“Ah! Você vai andar a Zona Sul inteira?”&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: italic; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;“Eu vou de ônibus”&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: italic; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;“Larga de ser teimosa e entra no carro!”&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: italic; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;Como eu vim parar nessa situação ridícula? Como uma mulher como eu se submete a uma coisa dessas?&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;div&gt;&lt;i&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:35.4pt"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" align="center" style="margin-left:35.4pt;text-align:center"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;*     *      *     *     *&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;            Os dias terminam como começam. È o que sempre diz minha mãe. Um dia que começa errado não pode terminar certo. Não adianta tentar conserta-lo. Um dia, para ser bom, deve começar bom. Simples assim.  E hoje começou comigo e com Jonhattan na cafeteria. Ele estava quieto. Fumando. Totalmente quieto. Absolutamente quieto.  Achei estranho. Jonhattan falava bastante. Quase sempre sobre si mesmo. É um daqueles tipos egóicos que gosta de falar sobre o que acha, o que faz, o que compra – é até um pouco superficial. Na verdade, bastante superficial. Mas, é melhor do que aqueles tipos calados, de olhar perdido, que se pensam como profundos. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;            Ele alternava entre tragadas e goles no café expresso longo. Acompanhava a fumaça com o olhar. Eu sabia que havia algo errado. Havia algo que ele queria me dizer. Por isso, havia me convidado para tomar café. Goles e tragadas eram apenas meios para protelar.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;“Algum problema”, arrisquei perguntar. Se tinha que acontecer, que acontecesse logo.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;            “Na verdade, tem”.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;            “Qual é?”&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;            “Eu simplesmente não te quero mais”.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;            Filho da puta! Ele acha que é assim. Me paga um capuccino, cita REM e está tudo acabado.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;            “Assim? Só isso?”&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;            “É”&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;            Filho da puta!&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;E foi assim. Realmente foi assim.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;            Nós terminamos o café, pagamos a conta – na verdade, ele pagou – levantamos e seguimos caminhos separados. Andei até a minha casa, ele até a dele. Passei em uma padaria para comprar cigarros. O dia transcorreu enquanto eu fumava deitada. Observando a fumaça subir, se espalhar e sumir. A história da minha vida amorosa&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;            Num determinado momento, já há muito havia perdido a noção do tempo, o telefone toca:&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;            “Tia, preciso de uma carona. Preciso que alguém me leve a uma festa”&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: center;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;* * * * * &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;Ela entra no carro emburrada e bate a porta com força, fazendo pirraça, fazendo birra. Não tem mais idade para isso, mas no momento, quem sou eu para criticar.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;“Você não deveria foder com o meu namorado”&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;Mas fodi.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;“Você não deveria entrar na festa”&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;Mas entrei.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;“Você não deveria se comportar como uma adolescente”&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;Mas, às vezes, me comporto. Sim, eu, às vezes, mulher mais do que feita, me comporto como uma estúpida adolescente.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;“Você não devia beber tanto”.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;Mas, eu bebo. Faz parte do comportar-se como adolescente.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;Minha sobrinha é como toda a adolescente. Um momento de esperteza e, quem sabe até iluminação, ilhado por um mar de escrotice. Uma verdadeira pentelha.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;“Tem essa tal de lei seca”&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;Puta que pariu!&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;O policial acena para que eu pare. Enquanto paro o carro, imagino o que vou dizer ao poço de estabilidade, segurança e responsabilidade familiar que é minha irmã. Nenhuma idéia boa o bastante me ocorre. Talvez, porque não existam idéias boas a serem tidas nesses momentos.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;“Documento, por favor”&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;“Ela está bêbada”&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;Biscatinha, quer mesmo andar a zona sul inteira.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;“Documento, por favor” – o guarda ignora como uma brincadeira adolescente&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;“Não, é sério, ela está bêbada”&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;Dessa vez, a biscatinha é mais convincente.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;“É.....”&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;Ela quer mesmo ir andando. Subestimei o comprometimento com o meio ambiente da nova geração.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;“A senhora sabe que eu devia prender você e o veículo...”&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;Espero que a pentelha interrompa o policial com um “Você não pode deixá-la ir”. Mas, não.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;“... mas, há um hotel há duas esquinas daqui. Se as senhoras ficarem por lá, pela noite, não oferecendo risco a vida de mais ninguém e nem a de vocês, por mim, está tudo certo”.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;Me pergunto se ele me achou bonita ou se ganha um por fora do hotel. Se me achou bonita, já gastei minha dose vadia por hoje.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;“Ta bom”, sem opções, concordo.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;“Eu acompanho as senhoritas”&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;O guarda entra em seu carro e nos guia lentamente até o hotel. Nos deixa lá, cumprimenta e volta para o seu posto. Realmente, não queria nada de mim. Deve ter um acordo com o dono do hotel. Descemos no hotel e a pentelha volta logo a disparar:&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;“Achei que você ia dar pra ele pra conseguir se livrar dessa”.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;Palavras de minha irmã vêem a minha mente: você só é contra os tapinhas na criação de crianças por que não as tem. Ela está certa. Se Luana fosse minha filha agora, acertaria ela com um belo tapa na boca. Com as costas da mão. Na esperança de que o solitário que porto cortasse seus lábios.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;Entramos no hotel em passos rápidos para escapar da fria garoa da madrugada paulistana. Minha adolescente na frente, eu atrás.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;Vou direto ao balcão enquanto a jovem fica examinando o saguão de entrada. Pequeno. Um balcão. À esquerda, seis poltronas viradas uma em direção as outras, um monumento à época em que as pessoas ainda conversavam em saguões de hotel, um monumento à época em que as pessoas ainda conversavam. E próximo a escada, em um suporte daqueles baratos, a máquina que tornou todas as conversas de saguão de hotel obsoletas: a TV.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;“Um quarto para duas, por favor”.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: italic; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;“Ah nos temos o &lt;/span&gt;&lt;st1:metricconverter productid="207”" st="on"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;207”&lt;/span&gt;&lt;/st1:metricconverter&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;. , ele coloca a chave sobre o balcão enquanto pede meus dados pessoais.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: italic; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;Começo a preencher a ficha e ,só então, ela percebe a verdade terrível.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: italic; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;“Eu não quero ficar no mesmo quarto que você”.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: italic; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;“Eu não vou pagar quartos diferentes”&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: italic; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;“Então vou ligar para minha mãe vir me buscar”. Tira o celular da bolsa.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: italic; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: italic; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;Arranco-o de suas mãos  num segundo e atiro-o contra parede. Os componentes sofisticados e minúsculos separam-se e quebram-se facilmente. Giro-me em sua direção, com o dedo &lt;/span&gt; &lt;st1:personname productid="em riste. Grito" st="on"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;em riste. Grito&lt;/span&gt;&lt;/st1:personname&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;:&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: italic; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: italic; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;“Chega! Chega de querer foder comigo! Chega de bancar a pentelha! Eu não estuprei ninguém! Ele quis me comer! Ele quis me comer!”&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: italic; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: italic; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;Seus olhos marejam. Ela pega a chave de sobre o balcão e sobe correndo as escadas.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: italic; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: italic; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;Não vou atrás.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: italic; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: italic; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;Do saguão, escuto a porta do quarto bater.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: italic; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: italic; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;Olho para o rosto perplexo do atendente do hotel.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: italic; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: italic; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;“Adolescentes”.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: italic; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: italic; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;Ele ri um sorriso amarelo. Pensando, provavelmente, nas peças de celular que terá de limpar do chão.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: italic; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: italic; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;Vou até as cadeiras onde outrora grandes diálogos devem ter sido travados, grandes amores devem ter nascido, grandes causos devem ter sido contados. Sento ali e penso. Afundo meu corpo na poltrona e projeto minha mente sobre o que fazer.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: italic; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: italic; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;Eu não vou dormir em uma poltrona nem tão confortável. Depois de toda essa confusão com a polícia, nem estou mais tão bêbada assim. Não vou pagar outro quarto, meu cartão de crédito está estourado. Não vou tentar favores sexuais, minha cota de vadia também está estourada. Só me resta uma alternativa. Eu paguei por um quarto duplo e vou usar a minha parte. Ele vai ser um quarto duplo.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: italic; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: italic; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;Levanto-me decidida. Ponho-me a subir a escada até encontrar o 207. Bato na porta.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: italic; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: italic; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;“Vá embora, Tia”&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: italic; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: italic; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;“Eu paguei por isso, tenho direito de usar”.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: italic; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: italic; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;“Fica pelo meu celular que você quebrou”.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: italic; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: italic; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;“Vou te dar outro telefone, mas agora preciso que você abra a porta, preciso dormir”&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: italic; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: italic; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;“Não. Durma aí fora”.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: italic; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: italic; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;“Você não está sendo madura o bastante para sua idade”.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: italic; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: italic; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;“Olha quem fala? Olha quem fala? A mulher que vai em festa e transa com adolescentes”.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: italic; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: italic; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;“É isso mesmo! E se você não quiser terminar como eu, é melhor começar a crescer agora! É melhor começar a tomar suas atitudes adultas já! Que tal começar por abrir a porra dessa porta!”.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: italic; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: italic; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;Silêncio.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: italic; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: italic; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;Um incômodo silêncio recai sobre os dois lados da porta. Coloco minhas costas sobre a porta e vou descendo lentamente, até sentar-me no chão. Já sem esperanças. Imaginando como seria o sono na poltrona do saguão, quanto teria que pagar por ele ou com o que teria que pagar por ele.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: italic; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: italic; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;Súbito a porta se abre.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: italic; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: italic; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;“Entra”&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: italic; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: italic; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;Entro olhando para o quarto nem tão bem arrumado e para as paredes nem tão bem pintadas. Pensando se não fui muito dura com ela ou comigo.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: italic; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: italic; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;“A cama maior é minha”&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: italic; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: italic; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;Tudo bem. Eu concordo.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: italic; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: italic; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;Deito em minha cama e ela não é tão confortável assim. Penso que a outra também não deve ser.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: italic; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: italic; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;Um estranho silêncio toma conta do ambiente. Luana apaga as luzes. O silêncio que antecede o sono toma conta do ambiente, nos duas deitadas, uma em cada cama, o silêncio, porém, é quebrado por Luana:&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: italic; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: italic; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;“Como ele é”?&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: italic; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: italic; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;“Quem?”&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: italic; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: italic; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;“Meu namorado”&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: italic; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: italic; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;“Você o conhece melhor que eu”&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: italic; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: italic; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;“Na cama. Na cama só você o conhece”&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: italic; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: italic; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;“Ele era virgem?”&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: italic; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: italic; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;“Sim”.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: italic; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: italic; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;“Parecia mesmo”.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: italic; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: italic; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;“Então, como ele é?”&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: italic; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: italic; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;“Virgem. Perdido. Não é dos melhores, mas é prestativo, ao menos”.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: italic; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: italic; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;As duas riem.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: italic; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: italic; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;“E o....”&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: italic; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: italic; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;"E o, o que?”&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: italic; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: italic; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;“O pinto dele”.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: italic; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: italic; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;“O que quer saber sobre o pinto dele?”&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: italic; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: italic; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;“É grande ou pequeno?”&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: italic; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: italic; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;“É pequeno. Mas, vai dizer que você não sabia?”.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: italic; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: italic; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;“Eu sabia. Eu sentia quando dávamos uns catos mais nervosos. Parecia um pequeno botão de rosa me cutucando”.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: italic; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: italic; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;As duas gargalham.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: italic; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: italic; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;“Você não perdeu muita coisa. O cara come qualquer vadia, goza rápido e tem o pau pequeno”.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: italic; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: italic; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;As gargalhadas aumentam.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: italic; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: italic; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;“No final, eu vou ter que acabar te agradecendo”.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: italic; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: italic; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;Mais gargalhadas.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: italic; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: italic; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;Respiro fundo. Olho para o teto nem tão bem pintado. Respiro fundo. Procuro por ar. Deixo o silêncio reinar por alguns minutos.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: italic; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: italic; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;“Sabe, você está certa sobre uma coisa. Eu vou procurar um terapeuta. Não posso continuar assim... devo sofrer de alguma forma de complexo de Peter Pan... ou  melhor, de Wendy....”.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: italic; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: italic; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;Rio.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: italic; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: italic; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;“O que você acha?”&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: italic; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: italic; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;Sem resposta.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: italic; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: italic; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;Minha adolescente adormeceu. Levanto. Observo. Ela dorme com uma expressão feliz no rosto. Cubro-a com o lençol nem tão macio. Volto a minha cama. Talvez, minha mãe estivesse errada, um dia poderia terminar diferente do que começara. Um dia que começara ruim podia terminar bem.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: italic; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: italic; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;Olho no relógio: 00: 47.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: italic; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: italic; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;Viro de bruços na cama nem tão confortável, não mais desejando que minha mãe esteja errada.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: italic; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: italic; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;Pelo menos não por hoje.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1913476363751269612-7999650937868623075?l=nobreordinario.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nobreordinario.blogspot.com/feeds/7999650937868623075/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1913476363751269612&amp;postID=7999650937868623075' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1913476363751269612/posts/default/7999650937868623075'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1913476363751269612/posts/default/7999650937868623075'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nobreordinario.blogspot.com/2009/10/sindrome-de-wendy.html' title='Síndrome de Wendy'/><author><name>Brunão</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_jSKVTbU47EI/SuxpxHUkRJI/AAAAAAAAAVI/_ahf87iR4ek/s72-c/peter-wendy.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1913476363751269612.post-6173888150363012487</id><published>2009-09-08T04:48:00.000-07:00</published><updated>2009-09-08T04:54:23.888-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Caism Notícias (Filosofemas Simples)'/><title type='text'>Frações de “Mea Culpa” no Pessimismo em Torno da Política Brasileira</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_042Q5imdD7k/SqZFGKNTO_I/AAAAAAAAAc4/bTKmZcpTL78/s1600-h/02collor0.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 400px; height: 247px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_042Q5imdD7k/SqZFGKNTO_I/AAAAAAAAAc4/bTKmZcpTL78/s400/02collor0.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5379062777062308850" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="margin-top: 12pt; text-indent: 1cm; text-align: justify; font-family: arial;"&gt;&lt;span style="line-height: 115%;font-size:100%;" &gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;por Denis Barbosa Cacique&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="margin-top: 12pt; text-indent: 1cm; text-align: justify; font-family: arial;"&gt;&lt;span style="line-height: 115%;font-size:100%;" &gt;A incômoda sensação de impotência frente aos problemas do Brasil é um sentimento cada vez mais comum. Sua proliferação está relacionada a uma série de fatores, em especial, ao aparente fracasso de ideais como democracia e liberdade, dentre outros. O que acontece é que, por hábito, nos fiamos em algumas idéias de modo irrestrito e irrefletido. São muitas as razões pelas quais fazemos isso. Pode ocorrer, por exemplo, de considerarmos uma afirmação como sendo verdadeira simplesmente por ela ter sido feita por uma autoridade, como um professor ou um pastor, por exemplo. Há diversos outros motivos pelos quais agimos assim, mas não vem ao caso analisá-los aqui. O fato é que estamos cada vez mais céticos quanto ao nosso poder de transformar o Brasil por meio desses ideais. Pensemos em sobre como isso acontece.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="font-family: arial;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="margin: 12pt 0cm 0.0001pt; text-indent: 1cm; text-align: justify; font-family: arial;"&gt;&lt;span style="line-height: 115%;font-size:100%;" &gt;Esse mal-estar da impotência frente aos problemas da humanidade possui muitas formas. No mais das vezes, ele se nos apresenta sob o aspecto da desesperança. Neste caso, é como se caminhássemos há muito tempo por uma longuíssima trilha, mas, sem termos conseguido chegar aonde queríamos, começássemos a questionar o caminho escolhido. Analogia à parte, não se trata, é claro, de uma desesperança generalizada. Todos nós sabemos que a esperança é fundamental para a vida. Quando nos alimentamos, por exemplo, o fazemos com a expectativa de que o alimento saciará nossa fome e nutrirá nosso corpo. Neste caso, a esperança, chamada ali de “expectativa”, é muito bem fundamentada: durante toda a vida, experimentamos a cessação da fome e a nutrição do corpo se seguirem ao ato da alimentação; e isso faz com que esperemos efeitos semelhantes sempre que nos alimentarmos. Noutros casos, no entanto, nossa experiência de vida vem nos mostrar que ter esperança em certas coisas é tolice. É o caso da política, pensada , aqui, como a administração institucionalizada das cidades, dos estados e da nação brasileira como um todo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify; font-family: arial;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="margin: 12pt 0cm 0.0001pt; text-indent: 1cm; text-align: justify; font-family: arial;"&gt;&lt;span style="line-height: 115%;font-size:100%;" &gt;Contra a nossa esperança, pesam fatos como a absolvição de Edmar Moreira, o “deputado do castelo” da acusação de uso indevido de verba indenizatória em benefício próprio. Dá-se o mesmo no caso da afirmação do também deputado, Sérgio Moraes, de querer que a opinião pública se lixe. Isso sem falar dos mais de 600 atos secretos que movimentaram um sistema de nepotismo que beneficiou amigos e parentes de senadores durante os últimos quinze anos. Acusado de autorizar alguns desses atos, uns dos quais para a contratação de seus parentes, José Sarney foi absolvido integralmente pelo Conselho de Ética. No Senado, a discussão em torno do caso foi marcada por violentos bate-bocas. Num deles, Fernando Collor disse a Pedro Simon: “antes de citar o meu nome desta tribuna, vossa excelência engula, digira, e faça dela [a tribuna] o uso que julgar conveniente”. Noutra discussão, Renan Calheiros e Tasso Jereissatti baixaram ainda mais o nível. Acusando-se mutuamente de corrupção, esbravejaram coisas do tipo: “não aponte esse dedo sujo para cima de mim”. Diante do clima de guerra instaurado no Senado, Demóstenes Torres realizou um discurso no qual sintetizou muito bem a imagem dos políticos junto à maioria da população brasileira. Nesse discurso, afirmou: “chegamos a um ponto extraordinariamente baixo”. E questionou: “para que existe o Senado Federal? Para que existe o Congresso Nacional? Somos um bando de “fouchés” [oportunistas], figuras menores (...) que vêm aqui com o único objetivo do enriquecimento pessoal e não para defender os interesses da sociedade (...). Não foi o Senado que apodreceu (...). Foram os Senadores que apodreceram, alguns deles, que não têm condição de honrar esse nome, que não têm condição e nem espírito... (...) Sem espírito público não se pode sentar numa cadeira dessa [do Senado]”.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify; font-family: arial;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="margin: 12pt 0cm 0.0001pt; text-indent: 1cm; text-align: justify; font-family: arial;"&gt;&lt;span style="line-height: 115%;font-size:100%;" &gt;Mas o pior de tudo não é a falta de espírito público dos políticos. Passadas pouco mais de duas décadas da derrocada do governo militar, já faz um bom tempo que é o povo que elege seus representantes políticos. Graças à democracia e à liberdade, é, na verdade, sobre nós que recaem a culpa e a pena pelos crimes que os políticos cometem. Nesse sentido, o sentimento de desesperança nada mais é do que a percepção crítica da nossa incapacidade de melhorar o país mediante o exercício da democracia e da liberdade.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="margin: 12pt 0cm 0.0001pt; text-indent: 1cm; text-align: justify; font-family: arial;"&gt;&lt;span style="line-height: 115%;font-size:100%;" &gt;...Se um dia readquiriremos a confiança na política? É difícil prever. Mas talvez esse mal-estar nos faça bem,a começar pela instauração, em nossas mentes, da dúvida sobre em que consiste, exatamente, nossa “mea culpa”.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1913476363751269612-6173888150363012487?l=nobreordinario.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nobreordinario.blogspot.com/feeds/6173888150363012487/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1913476363751269612&amp;postID=6173888150363012487' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1913476363751269612/posts/default/6173888150363012487'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1913476363751269612/posts/default/6173888150363012487'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nobreordinario.blogspot.com/2009/09/fracoes-de-mea-culpa-no-pessimismo-em.html' title='Frações de “Mea Culpa” no Pessimismo em Torno da Política Brasileira'/><author><name>Denis Barbosa Cacique</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07947579438098992716</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://bp1.blogger.com/_042Q5imdD7k/SH8bfxGdKZI/AAAAAAAAAR0/qoj_FfuKrlA/S220/de3.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_042Q5imdD7k/SqZFGKNTO_I/AAAAAAAAAc4/bTKmZcpTL78/s72-c/02collor0.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1913476363751269612.post-6589961889051730512</id><published>2009-08-03T11:23:00.000-07:00</published><updated>2009-08-03T11:25:35.512-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Caism Notícias (Filosofemas Simples)'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Coisas da Vida'/><title type='text'>Como Superar o Choque de Gerações</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_042Q5imdD7k/Sncrd1oGcCI/AAAAAAAAAcw/M6D34-tB97E/s1600-h/photo_325___father_and_son_by_slumberdoll.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; DISPLAY: block; HEIGHT: 331px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5365805272646709282" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_042Q5imdD7k/Sncrd1oGcCI/AAAAAAAAAcw/M6D34-tB97E/s400/photo_325___father_and_son_by_slumberdoll.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;por Denis Barbosa Cacique&lt;/strong&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Eu nunca serei realmente bom em muitas das coisas em que meu pai é perito. Mesmo quando eu passar dos cinqüenta e tiver agrisalhado os cabelos, ainda serei inepto para o vocabulário e os segredos da mecânica automobilística, para as longas e cansativas viagens feitas atrás do volante dum Opala marrom, para os cuidados mínimos da jardinagem, para a sabedoria despretensiosa do trabalho no campo, para a força exigida pela construção civil e para a inventividade empregada em pequenos, porém valiosos, reparos residenciais. Faz alguns anos, ele escalava uma árvore e descascava laranjas lá em cima. Isso, sem romper a casca, machucar a fruta ou se desequilibrar. Ele não temia a altura. E o vento seco e cortante tiritando as folhas das arvores de Lagoinha, pequeno vilarejo do município de Salinas, situado na região norte do estado de Minas Gerais, não lhe infligia o menor tremor. Quanto a mim, com ou sem vento, em Campinas ou em Salinas, não subo em árvores, menos ainda com uma lâmina entre os dentes e meia dúzia de laranjas numa dobra da camisa. Em resumo, embora bastante parecidos no acanhamento mal disfarçado e na esguiez do corpo, meu pai e eu somos bastante diferentes em quase tudo o mais. Somos dois universos regidos cada um por suas próprias leis naturais, não obstante possuirmos sangue e trejeitos iguais. Eis, portanto, um choque de gerações? De modo algum. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A existência de diferenças entre gerações é inevitável. Não bastasse o fato de que cada pessoa é, com rigor, um indivíduo psicológica e geneticamente singular, há de se considerar ainda que a sociedade atual, globalizada, informatizada, de livre mercado e industrial, encontra na correnteza cada vez mais rápida das mudanças seu modelo peculiar de reprodução. É por meio de pequenas e sucessivas transformações ocorridas no interior de si mesma que a sociedade contemporânea segue adiante. Não é por acaso, portanto, que as ultimas décadas testemunharam significativas transformações de valores morais, de desejos de consumo, de deveres e de direitos, de habilidades e técnicas de produção, de moda, e de conhecimento sobre o mundo e os seres humanos. Nada mais natural, portanto, que as gerações atuais sejam radicalmente diferentes umas das outras. Tanto é que a noção contemporânea de geração sofreu um achatamento se comparada ao que significava até pouco tempo atrás. Mudou a noção de tempo. Já não se calcula mais que entre uma geração e outra haja 25 anos, e sim assustadores dois ou três. Uma prova? A geração Twiter considera a geração Skype ultrapassada, e esta, por sua vez, pensa o mesmo com relação à galera do Messenger, software que aperfeiçoou o empoeirado ICQ, que havia sido uma revolução se comparado às sempre lotadas, pouco seguras e totalmente desprovidas de privacidade salas de bate-papo. No Brasil, entre uma ponta e outra da evolução e popularização dessas formas de conversação pela Internet há, certamente, não mais do que 15 anos. E, no entanto, o número de micro-gerações de internautas no interior dessa década e meia talvez já se aproxime de 10. Como têm de conviver essas gerações entre as quais até mesmo a grafia da onomatopéia do riso mudou radicalmente? &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Às vezes, eu lamento o fato de não poder falar com meu pai por meio do Messenger, mas isso não nos impede a conversa. Não raramente, passamos longos minutos ao telefone repetindo assuntos e frases decoradas. O tema quase sempre não importa. Noutras vezes, ainda melhores, nos falamos pessoalmente, durante uma caminhada pelo pátio dum leilão de veículos, que freqüentamos sob o pretexto de fazer um bom negócio. Mas estamos sempre duros, eis a verdade. E o nosso único bom negócio, tenho de admitir, é encontrarmos um ao outro sob o Sol agradável das manhãs de Sábado. Nesses momentos, ele pode até lamentar minha absoluta ignorância quanto a carburadores ou sobre virabrequins, mas ainda assim continuo sendo convidado para acompanhá-lo em leilões. Minha ignorância é a deixa para que ele se aproxime e me explique pela enésima vez o subir e descer dos pistões e a função das velas de quatro pontas. Eu não entendo muita coisa. Mas ele explica o que for preciso, sempre que for preciso, como se fosse a primeira vez. E se meu carro morre de repente, no meio do caminho, depois da meia noite, ele atende ao telefone disposto e, poucos minutos depois, prestativo, aparece com uma caixa de ferramentas e faz o bicho funcionar. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Renato Russo tinha toda razão quando cantava que, embora os filhos se queixem da incompreensão dos pais, eles mesmos, por sua vez, não entendem os pais. O problema real nos conflitos entre pais e filhos, entre uma geração e outra e entre as pessoas em geral quase nunca se deve à mera existência de diferenças. Numa calçada, a mera presença de um desnível não provoca por si só um tropeço. Para que o acidente aconteça, é preciso pressupor outras coisas, em especial a desatenção do transeunte. Mas um sujeito atento tira proveito do desnível, faz dele degrau, e dá um passo adiante. Semelhantemente, é assim que deve ser entre os pais e filhos que não se dão bem, sob alegação do famigerado choque de geração. É bem verdade que os desníveis são inevitáveis, mas os tropeços não o são. As famílias seriam muito mais felizes se seus membros tivessem, ao menos por um instante, a grandeza de abandonar suas próprias convicções em benefício do ponto de vista alheio. Esse simples gesto de grandeza é capaz de verdadeiros milagres. Ele evitaria guerras, eu acredito. E por que, então, não reataria o maravilhoso laço entre pais e filhos, visível já nos primeiros meses de gestação, na feição abobalhada de um pai que acaricia a barriga da mãe ou espreita de modo risível as imagens confusas de uma ecografia? &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;As diferenças entre pais e filhos quase sempre são inevitáveis. Eles se frustram mutuamente e é natural que seja assim. Filhos de palmeirenses se tornam corintianos. Alguns pais que curtem carros têm filhos que preferem bicicletas. Pais pagodeiros descobrem que seus filhos ouvem Pink Floyd e The Doors no mp3. Pais conservadores às vezes têm filhos homossexuais. Não raramente, filhos protestantes têm pais espíritas. A vida é assim. A liberdade pessoal leva cada um aonde quer. Por conta disso, os pais e filhos que desejam verdadeiramente ser felizes precisam se esforçar por abdicar do amor próprio que lhes impede validar os pontos de vistas um do outro. E os filhos, principalmente, precisam compreender com urgência o simples fato de que pais são singulares. Nem sempre é possível esperar o desaparecimento das diferenças para aproveitá-los bem. A vida é fugaz. Conheço pessoas que se tornaram órfãs muito cedo, assim como conheço pais que perderam filhos que mal haviam deixado a adolescência ou sequer chegado nela. E aí? Rostos pálidos e frios não sorriem. E o tempo nunca volta. A memória ajuda, mas contanto que tenha o que lembrar. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Eu desejo aos pais, filhos e filhas que prestigiam o Caism Notícias uma longa caminhada por cima dos degraus das gerações.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1913476363751269612-6589961889051730512?l=nobreordinario.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nobreordinario.blogspot.com/feeds/6589961889051730512/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1913476363751269612&amp;postID=6589961889051730512' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1913476363751269612/posts/default/6589961889051730512'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1913476363751269612/posts/default/6589961889051730512'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nobreordinario.blogspot.com/2009/08/como-superar-o-choque-de-geracoes.html' title='Como Superar o Choque de Gerações'/><author><name>Denis Barbosa Cacique</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07947579438098992716</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://bp1.blogger.com/_042Q5imdD7k/SH8bfxGdKZI/AAAAAAAAAR0/qoj_FfuKrlA/S220/de3.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_042Q5imdD7k/Sncrd1oGcCI/AAAAAAAAAcw/M6D34-tB97E/s72-c/photo_325___father_and_son_by_slumberdoll.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1913476363751269612.post-6717821755674222728</id><published>2009-07-27T11:38:00.000-07:00</published><updated>2009-07-28T05:56:49.194-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Histórias Ordinárias'/><title type='text'>O Circulo dos Terapeutas</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;br /&gt;No post anterior, Bruno havia proposto a seguinte troca: eu escreveria um conto e ele um filosofema simples.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;br /&gt;Pois bem, minha parte foi feita. Eis meu conto:&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;strong&gt;O CIRCULO DOS TERAPEUTAS&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;p align="center"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_042Q5imdD7k/Sm30hW7ph3I/AAAAAAAAAcg/JgpMcQGDC3I/s1600-h/10001188.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; text-align: center; width: 400px; display: block; height: 300px;" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5363211585196754802" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_042Q5imdD7k/Sm30hW7ph3I/AAAAAAAAAcg/JgpMcQGDC3I/s400/10001188.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;por Denis Barbosa Cacique&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Dr. Roberto da Conceição Martins, ou simplesmente “Beto”, não fazia parte do grupo de pessoas que se metem na especialização em psiquiatria movidos pela louvável convicção moral quanto ao dever de ajudar aos outros. Nem ele, nem eu. Ainda que fosse o caso, a ilusão teria durado muito pouco, talvez não mais que um semestre. Convicções morais não costumam resistir ao escrutínio filosófico que precisa ser promovido pelos desbravadores da mente humana, sobretudo os mais jovens deles. O pior cego, ensina o provérbio, é aquele que não quer ver. Mas Beto e eu víamos o bastante. Nossa única convicção moral tinha os olhos voltados para dentro e fitava nossas próprias dores, jamais as do mundo. Tínhamos, então, uma tola esperança de que um dia encontraríamos cura, talvez num livro velho e empoeirado da biblioteca da faculdade de ciências médicas. Mas a cura definitiva só vem amanhã, sempre amanhã, ou depois de depois de amanhã, nos livros das próximas edições, ad infinitum. Pois o tal livro, real apenas por entre as brumas da esperança, parece ainda não ter sido escrito, e, quiçá, sequer terá nascido o seu iluminado autor. É claro que demora certo tempo até que se comece a desconfiar que, por trás das brumas da esperança, nada há além de um gigantesco espelho convexo. Beto e eu, por exemplo, ainda não tínhamos considerado seriamente essa possibilidade quando ingressamos no curso de psiquiatria movidos pela necessidade urgente de salvação. A salvação haveria de ser sofistica. E a psiquiatria é sofisticada. Um leva ao outro. Xeque-mate! Futuro do pretérito. Futuro condicional. Mas a salvação é como a verdade de Drummond, cuja porta estava aberta, mas só deixava passar meia pessoa de cada vez: &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;br /&gt;Assim não era possível atingir toda a verdade,&lt;br /&gt;porque a meia pessoa que entrava&lt;br /&gt;só trazia o perfil de meia verdade.&lt;br /&gt;E sua segunda metade&lt;br /&gt;voltava igualmente com meio perfil.&lt;br /&gt;E os meios perfis não coincidiam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Arrebentaram a porta. Derrubaram a porta.&lt;br /&gt;Chegaram ao lugar luminoso&lt;br /&gt;onde a verdade esplendia seus fogos.&lt;br /&gt;Era dividida em metades&lt;br /&gt;diferentes uma da outra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chegou-se a discutir qual a metade mais bela.&lt;br /&gt;Nenhuma das duas era totalmente bela.&lt;br /&gt;E carecia optar. Cada um optou conforme&lt;br /&gt;seu capricho, sua ilusão, sua miopia.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Além de colegas no curso de medicina, Beto e eu morávamos no mesmo lugar, uma república construída nos arredores da Unicamp e na qual ainda moravam outros tantos alunos. O pequeno prédio tinha três andares, com quartos e banheiros individuais, mas com uma lavanderia e um refeitório coletivos. As refeições estavam incluídas no aluguel dos quartos. Já as roupas, lavávamos nós mesmos, contanto que encontrássemos ao menos uma das três lavadoras disponível. Eu costumo lembrar e, às vezes, até mesmo sonhar, não sei ao certo o porquê, com os desenhos que se formavam por meio da união dos azulejos da lavanderia. Minha imaginação bem que poderia ser capaz de produzir diversos outros objetos com tamanha fidedignidade. Alguns deles certamente seriam muito mais interessantes do que aqueles azulejos. Que tal as circunferências irregulares de Beatriz, demarcando as periferias em torno de seus bicos rijos, porém macios, e com sabor de perfume caro? Mas ela, a memória, insiste em me mostrar o desenho dos azulejos, em especial uma imitação grosseira da pintura de Michelangelo no teto da Capela Sistina, a qual retrata Deus e Adão com os braços estendidos um em direção ao outro.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Entre goles de vodka, enquanto esperávamos as máquinas encerrarem seu chacoalhar entediante, Beto aponto para o azulejo e disse de um jeito mole e cômico:&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;“Eis aí o sonho de todo homem.”&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;“Adão nu?” - perguntei-lhe sem conter o riso.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;“Não.” – respondeu ele – “Adão nu é o sonho de alguns homens, de fato, mas não o de todos eles. Eu, por exemplo, prefiro a nudez parcial da enfermeira Deborah, suada sobre a mesa do consultório, grunhindo com os olhos, espalhando os formulários pelo chão, e olhando apavorada vez ou outra para a porta meramente encostada do ambulatório. Á, se alguém sabe de nós, estamos fritos. Mas é tão bom. E eu a amo.”&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;“Aonde você quer chegar, misturando Deus, Adão e Deborah?”&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;“Eu teria ido direto ao ponto, não fosse sua incontrolável mania de socar piadas em tudo. É difícil ter uma conversa séria com você, sabia?”&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;“Sim. Sabia. Sempre soube. O álcool agrava um pouco essa tendência, mas a predisposição para a idiotice me é totalmente natural, embora às vezes passe do ponto e, às vezes, despercebida. Mas você dizia, apontando para os azulejos, que esse é o sonho de todo homem. Aonde quer chegar com isso?”&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;“Á, sim, idiota. Deus e Adão, a um centímetro de tocarem seus indicadores, representam a salvação para toda humanidade, o remédio para grande parte das nossas angústias. É isso.”&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Mais vodka. As máquinas continuavam chacoalhando. Entrou uma moça. Botou suas roupas na ultima lavadora disponível e saiu apressada, prevendo, certamente, que os bêbados lhe importunariam. Beto continuou:&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;“Não sei como lhe explicar. Na verdade, talvez não seja preciso. Você sabe do que estou falando, só que me quer ver travar a língua, para depois me denunciar numa roda de amigos. É assim que você arruma assuntos, constrangendo aos outros. Mas tudo bem. Eu não me importo. Não tenho vaidades.”&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;“Á, sim, você tem. Não seja cínico. É o sujeito mais vaidoso que conheço. Beira o feminino, até. Anda sempre engomado aonde quer que vá. Engraxa os sapatos diariamente. Faz a barba todas as manhãs. Não fica mais de três semanas sem aparar o cabelo. E tem sempre esse hálito exagerado de menta, exceto quando toma uns goles, é claro.”&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;“Elas gostam da menta, cara. Já te disse. E gostam também de sapatos lustrados, suéteres macios e cheirosos, barba feita, cabelos penteados e unhas aparadas. Você bem sabe que é difícil manter a higiene quando se está metido num maldito plantão de 24 horas. Ó, pobres doentes do transtorno obsessivo compulsivo. Se soubessem que lhes toco os ombros com as mesmas mãos de carícias de um sexo recente, e que não há torneiras entre um e outro, me agarrariam o pescoço com toda força e me lançariam ao chão num só golpe. Eu desmaiaria com o impacto da cabeça no piso recém encerado do hospital, e mesmo assim eles manteriam o estrangulamento até que meu corpo estrebuchasse sob eles, e um fio de saliva, tendo fugido por entre meus lábios, lhes tocasse de leve um polegar. Então eles levantariam enlouquecidos e correriam pelos corredores do hospital até encontrarem um banheiro onde pudessem se meter. Lá dentro, lavariam e secariam as mãos por quase uma hora, até que se acabassem o sabonete líquido e os papeis toalhas. Então eles abririam a porta do banheiro e, tranquilamente, tomariam o caminho de volta até o balcão do ambulatório. Mas estariam descamisados, porque suas camisetas, sujas nos ombros do esperma do doutor, tirariam do corpo com nojo e, segurando-as com as pontas dos dedos, jogariam no chão do banheiro. Aí, então, eles chegariam seminus ao balcão do ambulatório e aguardariam ser atendidos por um terapeuta que tenha feito voto de castidade.”&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;“Fique tranqüilo quanto a isso, Beto. Eles sequer desconfiam que você tem bolas. Se as pessoas se dessem conta da humanidade dos terapeutas, abandonariam profundamente desiludidos os tratamentos, e dariam um jeito de conseguir receitas falsas para comprar as drogas de que precisam. Para que a terapia funcione, é preciso acreditar que o médico possui algo de sobre humano. É realmente preciso endeusá-lo para acreditar que, numa consulta de 15 minutos, ele daria conta dos problemas que as pessoas arrastam durante toda a vida.”&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;“Então você quer dizer que somos todos picaretas?”&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;“Não exatamente, cara. Somos ensinados que a doença mental tem um componente biológico que responde a tratamento médico, assim como um diabetes ou uma doença cardíaca. Muitas vezes, porém, a situação não é direta e a medicação não é o problema. Que remédio cura a saudade de alguém que se foi, por exemplo? Na maioria das vezes, Beto, a vida é que é o problema. E é aí que os terapeutas conseguem seu suado dinheirinho, esticando inutilmente um tratamento por longos anos, fazendo o cliente acreditar que sentar o cu no divã uma vez por semana irá mudar para melhor o sabor da vida. Mas tudo não passa de uma enganação. Dá-se um jeito, com as palavras, de mudar o ponto de vista das pessoas. E funciona. Um dia elas aparecem sorridentes no consultório e pedem alta. Aí o terapeuta estica o tratamento por mais uns meses, sob a alegação de que o tratamento não pode ser interrompido abruptamente, e não pode mesmo, e libera o cliente das seções de sofismas, falácias e retóricas. O cara está feliz, é o que importa. Lembra do Cypher, do Matrix? Ele fez um pacto com os agentes da Matrix. Ele trairia seus colegas do mundo real caso os agentes fizessem dele um homem rico e famoso dentro do mundo ilusório da Matrix. De que importa saber a verdade se ela não traz felicidade? Feliz daquele que sabe aquietar o pensamento, e ser, desse modo, feliz, alimentando-se diariamente de um banquete de terabites.”&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Fez silêncio por uns minutos. Uma das máquinas completou a lavagem. Era a minha. Girei os botões. Programei para centrifugar e voltei a beber. Beto retomou, enfim, seu raciocínio:&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;“Também estão felizes as pessoas que acreditam nisso.” – disse ele apontando para os azulejos – “Poucas respostas solucionam a angústia humana como o faz o cristianismo. A angústia humana, você bem sabe, o medo da morte, as saudades, os arrependimentos, as privações, as frustrações sentimentais e a fragilidade do corpo.”&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;“Mas o cristianismo tem seus problemas.” – contestei – “Aliás, para mim, toda manifestação de fé tem seus problemas. Sempre é possível apontar uma contradição ou outra, ou ainda uma verdade que se desfaz com os avanços do saber. A chuva não tem nada a ver com o martelo de Thor, por exemplo. E, além disso, depois que agente se acostuma à metodologia científica, fica quase impossível ter fé. Agente fica mais exigente. Passa a requerer testes estatísticos. E busca por provas, além de referências em teses e em artigos. Mas não há experimentos envolvendo grupos duplos cegos, a fim de verificar a eficiência da sagrada eucaristia. Aliás, para quê ela serve mesmo?”&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;“Não importa o porquê agora. O fato é que você parece não ter lido David Hume. Até a ciência empírica se assenta, em ultima instância, nos alicerces da fé. A diferença é meramente probabilística. Você deveria considerar ao menos um pouco a filosofia humeana.” – foi a vez da máquina do Beto interromper a lavagem. Ele a programou para centrifugar e recomeçou sua explanação de onde havia parado – “Veja, a idéia de Deus como origem ultima de tudo que existe é, a meu ver, a melhor explicação que temos para a origem do universo. As teorias do Big Bang e da Evolução Natural são apenas formulações metafóricas sofisticadas do criacionismo. O problema é que eu não sou cristão. E essa pintura nos azulejos, embora eu reconheça nela a salvação para as angústias da humanidade, é apenas meia verdade para mim. Muitos dos meus pacientes são cristãos. E, às vezes, parte dos seus tratamentos consiste em fazê-los se apegar à fé e aguardar pacientemente os seus efeitos possivelmente placebo. Enfim, eis uma meia salvação, porque ela salva meus pacientes, mas não a mim. É como aquele poema de Drummond sobre a verdade, conhece?”&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;“Não.” – lhe disse resignado.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;“Mas deveria.” – censurou, ele.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;“Beto, você é o bêbado mais pedante que eu conheço! O mais lúcido também. Pro inferno sua erudição e sua lucidez inabalável. Pro inferno!”&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;“Não basta que eu fale mole e troque os “esses” pelos “zes”?” – ele me perguntou entre gargalhadas.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;“Não. Eu quero vê-lo tropeçar nas idéias e dar de cara com o chão. E que fique aí esticado, beirando o coma alcoólico, encharcado pela própria urina, com um pé descalço, a camisa pra fora da calça, o cabelo despenteado, a barba por fazer, e as barras da calça sujas de lama. Eu quero que você me dê uma boa piada. Basta à sua filosofia amadora e entediante!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Poucos dias depois daquela conversa de bar, mas travada fora de bar, encontrei Beto aos berros na mesma lavanderia. Estirado no chão e com a cabeça encostada desconfortavelmente na parede, ao invés de uma poça de urina, havia sob ele uma mancha crescente do sangue que escorria timidamente do seu pulso esquerdo. O corte era raso demais para matá-lo. Mas profundo o bastante para causar-lhe dor e impressionar o aglomerado de curiosos que se formou rapidamente à sua volta. E ele gritava, fazendo com que o hálito de menta misturada com álcool e marijuana saltasse de sua boca e contaminasse o ambiente com o fedor adocicado dos corações partidos. Ele implorava que o salvassem, que chamassem Deborah, que ela visse que ele não podia viver sem sua amada. Era uma cena ridícula, de um sujeito que, caso quisesse, de fato, dar cabo de si, faria como tantos outros alunos de medicina, trancando-se num banheiro do hospital e anestesiando-se em excesso, até a morte. Mas uma coisa era certa, Beto havia encontrado sua salvação no curso de psiquiatria, mas não nos livros, e sim na enfermeira que, tendo entrado em seu consultório, mal fechava a porta atrás de si e lhe despia os seios e o sexo, e se lhe entregava sobre a mesa como café da tarde. E ele estava disposto a morrer por ela, embora, na prática, fosse incapaz a fazê-lo. Na tarde daquele mesmo dia, antes de arranhar o pulso com um bisturi esterilizado, tentou, em vão, subir na caixa d’água da faculdade para ameaçar se jogar de lá de cima. Já a caminho do hospital e com o sangramento do pulso contido, ele me confessou, entre risos e soluço de choro, que não havia conseguido alcançar a escada externa da caixa d’água:&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;“Quando muito” – dizia ele – “tocava o primeiro degrau da escada, mas sem conseguir me agarrar a ela. Eu sou um fraco.”&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Tenho dificuldades para definir uma posição moral sobre o suicídio. Meu trabalho é evitar que ele aconteça, desmotivando aqueles pacientes depressivos que fixam a idéia da morte na imaginação, e assim eu tento fazer. Às vezes tenho sucesso, noutras, não. Certa vez, um sujeito procurou atendimento porque havia ganhado na loteria, mas isso tinha feito com que sua vida virasse às avessas. Antes que fosse premiado com a fortuna repentina, ele estava passando por uma séria crise no casamento. Beirava já a separação. E seu filho, um pré-adolescente de gênio difícil, se afastava cada vez mais dele, chegando ao ponto de chamá-lo pelo primeiro nome, ao invés de chamá-lo de “pai”. Mas o dinheiro mudou tudo. O sujeito se viu, de repente, casado com uma mulher carinhosa e disposta a tudo na cama. Seu filho também mudou o jeito de ser, da água para o vinho. Ia até mesmo presenteá-lo com um poema de autoria própria quando encontrou, no fundo de casa, uma mansão à beira mar, meu cliente pendurado pelo pescoço. Eu recebi a notícia com naturalidade. A fortuna repentina removeu as poucas coisas que, embora penosas, davam sentido à sua vida. Todo mundo quer significado e sentido em suas vidas. Isso requer a possibilidade de fazer escolhas, agir e buscar projetos de uma forma que dê à vida um sentido de propósito e de mérito. Mas, quando não há limites nem restrições àquilo que se pode fazer, então não pode haver conquista, nem senso de realização, e nem, portanto, sentido em viver. Desse modo, Richard Norman matou meu cliente, e eu me dei por satisfeito com a hipótese da perda de sentido, sem remorso pela morte, nem condenando seu laço apertado na corda de nylon trançada. Albert Camus dizia que só existe um problema filosófico realmente sério, o suicídio. O problema, ao que me parece, requer que decidamos se a vida merece ou não ser vivida. Eu não sei a resposta. E, ainda que soubesse, certamente não teria coragem de lançar-me do topo da caixa d’água da faculdade de medicina. Sou tão fraco quanto meu amigo. Meus dedos apenas resvalariam o primeiro degrau e eu logo desistiria, aliviado, de cruzar o rio Estige a nado e sem moedas nos olhos. De qualquer modo, estou longe de definir uma posição quanto ao suicídio. Como pode? Vai ver é assim que me mantenho vivo e confortado. A ignorância é uma proteção. Viva à ignorância e ao medo e à preguiça de saber. Eu digo aos meus pacientes o que precisa ser dito. Soa esquisito. Mas a sisudez e o avental branco os convencem. Faço-lhes minha única real contribuição para a cura, receito uma dose generosa de um antidepressivo eficiente e caro. Não há qualquer segredo nisso. Dane-se a verdade. O juramento de Hipócrates segue imaculado, emoldurado na parede do meu consultório. Mas que verdade? Não há salvação no curso de psiquiatria, a não ser Deborah, que se comoveu com o sangue de Beto e, poucos meses depois, casou-se com ele. A salvação é resignar-se. Eis a verdade.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;“Só meia verdade.” – me disse Beto, ao mesmo tempo em que entrava sorridente pela porta do meu consultório. Já fazia muitos anos desde os tempos de faculdade. E a pequena cicatriz no pulso esquerdo ele escondia usando uma camisa de manga comprida. Malha importada, roupa de grife, de muito bom gosto e extremamente cara – “Você não vai sair desse inferno de lugar enquanto não encontrar a verdade inteira, meu caro!”&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O inferninho de lugar é uma saleta asquerosa onde eu atendo meus clientes, muito deles de graça, no Centro de Campinas. Fica espremida no 5º andar de um prédio espremido entre outros tantos prédios da Av. Dr. Campos Salles, pela qual carros e transeuntes se espremem uns aos outros até contornarem o antigo fórum, situado na Praça Guilherme de Almeida, largo de engraxates idosos e de desempregados que usam bonés e que levam sempre consigo uma pastinha com vários currículos muito mal redigidos; tendo contornado o fórum, desembocam na Av. Dr. Francisco Glicério ou na Rua José Paulino, e daí para o diabo que os carregue. Eu gosto de lá, da saleta, da praça, da avenida, do burburinho e do suor da cidade. Passo horas debruçado na janela, fitando o ir e vir da multidão que se arrasta pela calçada estreita. Os, chineses, de uns anos para cá, tomaram conta de todo o quarteirão. Todos os comércios são deles. E todos os comércios deles são iguais, lojas de R$ 1,99 nas quais qualquer porcaria made in China custa pelo menos R$ 2,99. Eu entro por uma portinha discreta entre duas dessas lojinhas e subo os cinco andares degrau por degrau. Não há elevador. O prédio é velho e escuro. No mesmo piso do meu consultório, mas um pouco à esquerda, uma meretriz de meia idade e pernas grossas atende seus clientes. Seu urro exagerado não atravessa as paredes grossas que separam nossas salas, mas as contornam, saindo por uma janela e entrando por outra enquanto eu fito os transeuntes e um pombo que vem cagar sobre eles, equilibrando-se no fio de alta tensão que passa a alguns metros abaixo do meu andar. Ele acerta o ombro de um office-boy que andava apressado na calçada, mas que pára a fim de conferir a merda esbranquiçada no seu ombro. Uma moça sai do meu prédio, desvia do office-boy, e atravessa a avenida fora da faixa de pedestre. Sua cintura fina, nádegas arrebitadas e pernas cumpridas despertam a atenção dos homens e a inveja das mulheres na calçada. Um desses homens se distrai com ela. Quando dá por si, quase tromba com o office-boy, ainda parado sob a minha janela, limpando a merda da camisa. O homem que havia se distraído com a moça consegue desviar do office-boy, mas acaba trombando com uma senhora que vinha no sentido contrário da calçada. Cai uma sacola de laranjas. As frutas saem rolando pela calçada, perigosamente ameaçadas pelos passos da turba. A turba é indiferente. Duas laranjas são chutadas para longe. O sujeito se agacha no meio da multidão e vai colhendo tantas frutas quanto pode. Quase lhe pisam a mão. Entrega para a senhora as pouco mais de meia dúzia de laranjas que conseguiu recuperar e lha diz alguma coisa, se desculpando, talvez, pelo esbarrão, e também por não ter dado conta de pegar todas as laranjas. É uma boa senhora. Não guarda rancores. Ela fuça em uma das outras sacolas que carrega consigo e tira de lá um lírio, que coloca cuidadosamente no bolso da camisa do sujeito que a ajudara. O homem agradece e se desculpa novamente. É o que suponho. Não posso ouvi-los daqui de cima. Depois disso, cada um retoma seu caminho. A senhora toma o sentido da Rua José Paulino. O office-boy, perdi de vista. A moça formosa atravessou a praça e desceu pela Av. Dr. Francisco Glicério. Já o sujeito generoso entra pela porta do meu prédio e começa a subir as escadas. É Beto. Psiquiatras são seres humanos. E, enquanto tais, às vezes têm de se ajeitar no divã para ajustar uma frouxidão qualquer nos parafusos da mente. Beto vem aqui tratar um transtorno obsessivo compulsivo evidente há muito tempo em suas idiossincrasias perfeccionistas.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Meu velho amigo me conta que se tornou um médico de sucesso. Tem um consultório no Cambuí, bairro nobre da cidade, onde atende a nata da sociedade campineira. Cobra caro, mas todos pagam sem se queixar. Na vida pessoal também vai bem. Tendo se casado com a enfermeira que amava, continua vivendo com ela Estão esperando a primeira netinha, filha precoce do seu filho mais velho, de apenas dezesseis anos.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Ele retira o lírio do bolso e o deposita sobre minha mesa – “ganhei de uma moça a quem ajudei agora há pouco” – ele diz.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;“Mas era uma velha.” – eu contesto.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;“É verdade. Era. Mas de quê importa? Eis o lírio, que não é menos lírio só por causa da idade de quem mo deu.”&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;“Mas e o transtorno?” – pergunto-lhe mudando o assunto.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;“É um transtorninho mínimo. Não se preocupe. Meu pulso jamais sentirá novamente o corte da navalha. Dói.” – Diz, ele, erguendo o braço esquerdo e exibindo um Rolex de um dourado hipnotizante. Depois ele volta a pegar o lírio e o deposita no bolso, momento durante o qual é possível perceber um leve tremor de mão, causado, muito provavelmente, pelo medicamento que lhe estou receitando. Médicos não podem receitar a si mesmos, mas podem, facilmente, contar com a colaboração irresponsável de amigos médicos para se drogarem até o ponto de confundirem lagartixa com jacaré. Não era o nosso caso, no entanto. Beto fazia questão da dose mínima necessária, definindo, às vezes, ele mesmo, quantos miligramas diários eu lhe receitaria. Além da droga, ele me visita a fim de contar vantagem, chacoalhando seu relógio de ouro a poucos centímetros da minha cara. Mas minha cara é sínica. Vejo o Rolex com um olhar rápido e desdenhoso. Não quero dar-lhe o prazer da minha admiração. Para mim, pouco importam a barba sempre tão bem aparada, a roupa engomada e o hálito de menta. Toda a minha admiração já está em uso. Poucos minutos antes que Beto se ajeitasse no meu divã de couro sintético, esteve no meu consultório, Beatriz. Ele não a conhece. É a gerente de uma loja de perfumes aqui do Centro. Jovem, negra e alta. Formidável. Depois da segunda consulta, transamos como bestas por todos os poucos cantos desta saleta. Fizemos inveja à velha meretriz. E assim tem sido há mais de dois anos. Encontrei, enfim, minha salvação. A psiquiatria era mesmo o caminho para a minha felicidade. Mas eu estava errado quanto à salvação. Ela não tem de ser sofisticada. Pelo contrário, remete aos princípios mais básicos da natureza. Um casal de gatos com seu sexo escandaloso e casual sobre as telhas de zinco é mais feliz que a humanidade inteira.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;“Você não vai acreditar.” – diz meu amigo – “Num dia desses, apareceu no meu consultório um terapeuta que havia enlouquecido, isso se a loucura já não for requisito da profissão. Pois bem, o sujeito havia a tal ponto se envolvido com os problemas de seus pacientes que já não conseguia dormir à noite. Ficava lembrando rosto após rosto, nome após nome, problema após problema.”&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;“Foi o Dr. Gabriel, não foi?”&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;“Sim, ele mesmo. Como sabe?”&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;“Freqüentei seu consultório por uns tempos, tratando minha boa e velha distimia. Era um garoto recém formado. Havia se convencido de que ajudaria as pessoas a serem felizes. Um sujeito realmente de bom coração. Mas ingênuo. Pouco inteligente para a profissão. Eu lhe induzia a me receitar tanta venlaflaxina quanto eu queria, 300mg se eu quisesse. Coisa que não seria possível com você, médico incorruptível, razão pela qual nunca te procurei no Cambuí.” – era mentira. Eu evitava seu consultório porque seria incapaz de pagar pelas consultas, mas também era orgulhoso demais para aceitar o tratamento gratuito que ele certamente me ofereceria.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;“Então quer dizer que, no fim das contas, eu é que sou seu médico?” – perguntou-me, ele.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;“Sim, é verdade. Mas você conhece a idéia do silogismo hipotético? Se “a” cuida de “b” e este, por sua vez, cuida de “c”, então “a” cuida de “c”. Mas, aí eu lhe pergunto: se “c” cuida de “a”? Aí “c” também cuida de “b” e de si mesmo. E “a”? Ele também cuida de si mesmo. Então quem é mesmo que cuida de quem? Todos cuidam de todos, porém, ao mesmo tempo, ninguém de ninguém.”&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Beto fingiu não ter entendido o problema. Talvez nos faltasse a vodka que tornava agradáveis nossas conversas em tempos de faculdade.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;“No frigobar atrás de você, pegue, por favor, duas garrafas.” – lhe pedi.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;“Que bom que você não perdeu o bom hábito.”&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;“Jamais!” – lhe respondi e tomei o primeiro gole.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;“Mas nos tempos de faculdade o sabor era melhor.”&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;“É que você sofisticou seu gosto, Dr. Roberto. O Sabor é o mesmo. A marca é a mesma. Nós é que não somos. Heráclito!”&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O bom humor se restabelecia aos poucos.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;“O problema da ciência em torno da saúde mental é o circulo dos terapeutas” – disse-lhe.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;"Que circulo?”&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;“Justamente esse de que acabei de lhe dizer e você fingiu não ter entendido. Você está orgulhoso pelo fato de tratar o médico que me trata, pois, desse modo, você trata dele e de mim. Mas, dado que sou eu quem te trata, então eu trato você e meu próprio pobre terapeuta, e também a mim mesmo.”&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;“Desafio-te a dizer “próprio pobre” dez vezes e bem rápido.” – disse-me, ele.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;“Deixe-me beber mais um pouco, Dr. Roberto, que te digo até o que dá sustentação ao circulo vicioso dos terapeutas.”&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;“Não é necessário. Eu sei. É a vodka!”&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;“Pelo jeito, você adquiriu meu mal hábito de meter piada em tudo, não foi?”&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;“Não chega a ser um hábito. Só acontece de vez em quando. Eu juro!”&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;“Pois bem. Preste atenção. Na mitologia hindu, havia a suposição de que a Terra não caia porque estava nas costas de um grande elefante.”&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;“Devo lhe perguntar o porquê de o elefante não cair no vazio do espaço?”&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;“Não. Já basta que você tenha se dado conta do problema. Acontece que o elefante está nas costas de uma gigantesca tartaruga, e é por isso que ele não cai.”&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;“E a tartaruga está sobre as costas de um animal maior ainda, numa sucessão de animais imensos montados um no outro que vai ao infinito. É isso!”&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;“Não, não é isso. A tartaruga não cai porque é a exceção absoluta à regra de que os corpos caem. Ela sustenta-se por si mesma, assim como Deus é causa de si mesmo. E é por isso que ela dá conta de sustentar o elefante e todo o planeta Terra.”&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Beto arqueou as sobrancelhas, bebeu mais um gole e, enfim, demonstrou interesse pelo problema:&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;“Pois bem. Diga-me logo o que esse zoológico gigantesco tem a ver com o circulo dos terapeutas. Não há outra alternativa senão ouvi-lo, porque que essa vodka, agora me dou conta disso, tem o delicioso sabor do passado, e eu não sairei daqui enquanto não esvaziar a garrafa!”&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;“Não posso dizer-lhe toda a verdade.”&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;“Como não? Enrolou-me com essa história até aqui para nada?”&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;“Não exatamente. Na verdade, posso lhe contar meia verdade. Mas só meia. Se lhe contasse toda ela, você me agarraria pelo pescoço e me lançaria ao chão. Eu desmaiaria com o impacto da cabeça no piso mal varrido. Mesmo assim você continuaria a me esganar até que eu estrebuchasse. Depois você jogaria suas roupas caras pela janela e sairia correndo por essa porta, trombando, talvez, com um dos clientes da puta que trabalha aqui do lado. Entraria no banheiro coletivo que temos no fim do corredor e ia se lavar com a água da pia, pois não temos chuveiro. Depois, você voltaria aqui para o consultório, nu e molhado. Pegaria sua receita de sobre a mesa e seu lírio, jogado no chão, e desceria pelas escadas como se nada tivesse acontecido. Com a vergonha de fora, caminhando pela Av. Dr. Campos Sales, talvez fosse preso por atentado violento ao pudor. E eu não quero isso.”&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;“Muito engraçado, você. Vamos, conte-me logo ao menos meia verdade.”&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;“Sim, conto. Para superar o circulo vicioso é preciso introduzir no sistema uma peça autônoma, semelhante à tartaruga da mitologia hindu. E essa peça, Dr. Roberto, tem a ver com o divã sobre o qual você está confortavelmente estirado. Mas isso é tudo que posso lhe dizer.”&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Minutos antes de um pombo ter alvejado um transeunte, saiu da minha sala Beatriz. Ela desviou do office-boy e atravessou a Av. Dr. Campos Sales com sua sensualidade única. As marcas de suas nádegas suadas ainda eram visíveis no divã quando meu amigo ajeitou-se sobre ele com sua roupa engomada, mas suja nos joelhos, posto que ele se agachara na calçada para recolher as laranjas que havia derrubado.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1913476363751269612-6717821755674222728?l=nobreordinario.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nobreordinario.blogspot.com/feeds/6717821755674222728/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1913476363751269612&amp;postID=6717821755674222728' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1913476363751269612/posts/default/6717821755674222728'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1913476363751269612/posts/default/6717821755674222728'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nobreordinario.blogspot.com/2009/07/o-circulo-dos-terapeutas.html' title='O Circulo dos Terapeutas'/><author><name>Denis Barbosa Cacique</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07947579438098992716</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://bp1.blogger.com/_042Q5imdD7k/SH8bfxGdKZI/AAAAAAAAAR0/qoj_FfuKrlA/S220/de3.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_042Q5imdD7k/Sm30hW7ph3I/AAAAAAAAAcg/JgpMcQGDC3I/s72-c/10001188.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1913476363751269612.post-6985385789766328155</id><published>2009-07-20T14:42:00.000-07:00</published><updated>2009-07-20T14:48:51.702-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Internet'/><title type='text'>Jogo da Troca</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_jSKVTbU47EI/SmTlmYJOh4I/AAAAAAAAAU8/qPwLcaFrZKY/s1600-h/troca1.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 239px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_jSKVTbU47EI/SmTlmYJOh4I/AAAAAAAAAU8/qPwLcaFrZKY/s320/troca1.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5360661903956674434" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div&gt;TROCA!!!"&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Eu e Dênis estamos pensando na possibilidade de fazer uma experiência. Ele escreve uma "História Ordinária" e eu escrevo um "Filosofema Simples" (que por motivos óbvios não vai ser um CAISM Notícias). Proponho que esses sejam respectivamente nossos próximos textos. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Deixando claro para todos, nós não temos uma divisão oficial de funções, porém acabamos instituindo uma naturalmente. E você, Dênis, concorda? Estejam avisados leitores ordinários, esperem pela experiência. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1913476363751269612-6985385789766328155?l=nobreordinario.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nobreordinario.blogspot.com/feeds/6985385789766328155/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1913476363751269612&amp;postID=6985385789766328155' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1913476363751269612/posts/default/6985385789766328155'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1913476363751269612/posts/default/6985385789766328155'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nobreordinario.blogspot.com/2009/07/jogo-da-troca.html' title='Jogo da Troca'/><author><name>Brunão</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_jSKVTbU47EI/SmTlmYJOh4I/AAAAAAAAAU8/qPwLcaFrZKY/s72-c/troca1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1913476363751269612.post-3986163195773803885</id><published>2009-06-26T05:25:00.000-07:00</published><updated>2009-06-26T11:16:01.266-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Coisas da Vida'/><title type='text'>The Bad One is Dead</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_042Q5imdD7k/SkS_6BZbZWI/AAAAAAAAAcQ/F-WxWT4lsng/s1600-h/michael_jackson_-_invincible.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; DISPLAY: block; HEIGHT: 400px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5351613260751398242" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_042Q5imdD7k/SkS_6BZbZWI/AAAAAAAAAcQ/F-WxWT4lsng/s400/michael_jackson_-_invincible.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;por Denis Barbosa Cacique,&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O ano era 1989. Talvez um pouco mais ou um pouco menos. Não me recordo com certeza.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Jaqueline, a vizinha por quem, à época, eu nutria uma paixonite tenra e secreta, comemorava seu aniversário com uma festinha acanhada nos fundos de sua casa. Mas era uma festança, para os padrões do bairro em que morávamos. E a grande maioria das crianças que eu conhecia estava lá. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Quantos anos ela fazia? Jaqueline era apenas um mês mais velha do que eu. Ela fazia aniversário em novembro e eu no mês seguinte. E se aquele era o ano de 1989, então ela fazia sete anos. Mas eu não me recordo de estar metido em paixonites precoces já aos seis anos. Então, talvez, o ano fosse 1990 ou até mesmo um pouco mais. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A casa dela era um sobrado construído na parte da frente de um terreno cumprido que se inclinava para os fundos. Para chegar à festa, os convidados desciam por uma escada estreita que ficava do lado esquerdo da construção. A escada estava congestionada. Era um sobe e desce sem parar de crianças correndo e de senhoras equilibrando com extrema dificuldade bandejas de pão francês com carne moída. O fundo do terreno não estava menos cheio. Havia gente para tudo que é lado. Gente em rodinhas tomando cerveja e conversando sobre a Copa de 90, talvez. E gente miúda brincando ou dançando ao som de sucessos da Xuxa e do Balão Mágico. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Jaqueline estava perto da mesa do bolo, encantadora ao seu modo pueril. Os convidados, conforme chegavam, lha entregavam presentes e davam os votos de felicidades. Com a timidez que à época já me era habitual, eu via tudo de longe, invisível, encostado numa parede logo ao lado da escada.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;De mãos vazias, sem qualquer aptidão para a dança e pouco disposto a correr pelo quintal, tomei o caminho de volta e subi as escadas sem sequer ter cumprimentado a aniversariante. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Escalei uma árvore plantada na calçada do outro lado da rua e permaneci por lá durante todo o resto da festa. Era uma tarde quente, mas agradável por entre folhas e o perfume sutil das flores vermelhas do flamboyant. Quase secretamente, eu observava o ir e vir dos convidados e a alegria óbvia dos meus colegas. Mas nada lá embaixo poderia ser melhor do que o meu refúgio alto. Naquela tarde, encontrei pela primeira vez o meu lugar no mundo, que era, de certo modo, triste, mas confortável, seguro e belo ao mesmo tempo. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Do topo da árvore, podia-se ouvir todo barulho da festa, inclusive os gritos de Michael Jackson, repetindo, “you know. I’m bad. I’m bad. I’m really, really, bad”. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Mais ou menos vinte anos depois, “the bad one is dead”. E a garota da minha primeira paixonite, tendo adquirido os contornos de uma mulher adulta, mostrou-se muito menos bela do que outrora prometia. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1913476363751269612-3986163195773803885?l=nobreordinario.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nobreordinario.blogspot.com/feeds/3986163195773803885/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1913476363751269612&amp;postID=3986163195773803885' title='10 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1913476363751269612/posts/default/3986163195773803885'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1913476363751269612/posts/default/3986163195773803885'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nobreordinario.blogspot.com/2009/06/bad-one-is-dead.html' title='The Bad One is Dead'/><author><name>Denis Barbosa Cacique</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07947579438098992716</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://bp1.blogger.com/_042Q5imdD7k/SH8bfxGdKZI/AAAAAAAAAR0/qoj_FfuKrlA/S220/de3.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_042Q5imdD7k/SkS_6BZbZWI/AAAAAAAAAcQ/F-WxWT4lsng/s72-c/michael_jackson_-_invincible.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>10</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1913476363751269612.post-2288557685331390625</id><published>2009-06-22T08:23:00.000-07:00</published><updated>2009-06-22T09:22:16.195-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Caism Notícias (Filosofemas Simples)'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Coisas da Vida'/><title type='text'>Vale Tudo</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_042Q5imdD7k/Sj-i1IMyyiI/AAAAAAAAAcA/8wU3fX8Nd4w/s1600-h/Comunista2.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 274px; DISPLAY: block; HEIGHT: 400px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5350173915957348898" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_042Q5imdD7k/Sj-i1IMyyiI/AAAAAAAAAcA/8wU3fX8Nd4w/s400/Comunista2.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;por Denis Barbosa Cacique&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Há de se ter coerência. Se julgamos que os fins não justificam os meios, então não podemos agir como se eles o fizessem. E se criticamos e combatemos aqueles que impõem suas verdades através da truculência, é de se esperar que não ajamos do mesmo modo. Pois não pode existir um terceiro termo: ou somos hipócritas e maquiavélicos, ou, então, idiotas de carteirinha. No mais das vezes, a primeira hipótese se aplica. O ideal seria que assimilássemos aquele ótimo ensinamento bíblico: não se atente ao cisco minúsculo que repousa discretamente no olho do seu irmão mais do que à trave incandescente em seu próprio olho. Mas é claro que poucos aprendem essa lição. A maioria de nós, quando muito, hipocritamente, demagogicamente e maquiavelicamente, se faz passar por santa: santa do pau oco. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Durante os cinco anos da minha graduação, no Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da Unicamp, pude acompanhar um bocado desses santos. Eram meia dúzia de alunos desleixados que vira e mexe interrompiam as aulas e discursavam demoradamente sobre sua luta por uma universidade pública de qualidade, pela contratação de professores, por reformas na moradia, e por sabe-se lá mais o quê. E se, por um lado, era difícil vê-los freqüentar as aulas, por outro, era extremamente fácil encontrá-los enfornados na saleta do centro acadêmico em transe. Eis o reduto e berço da extrema esquerda. Há grafites nas paredes. Guevara dum lado, Raul Seixas d’outro. O cheiro de esterco da erva sente-se de longe, vindo daquela saleta miúda onde as sementes vermelhas ainda brotam vigorosas, vinte anos depois da queda do muro de Berlin. Catequistas da extrema esquerda encontram o cubículo com facilidade. Guiam-se pelo cheiro da droga e encontram no cômodo escuro sua mais fácil e valiosa massa de manobra. Ela apóia a greves. Afixa cartazes. Organiza passeatas. Invade reitorias, diretorias acadêmicas e o que mais Marx e Engels lhes pedirem ela invade. Vale tudo. Só que a massa passa pelos profissionais da limpeza sem ao menos dizer um “bom dia”. Eis sua verdadeira relação para com o proletário. A massa picha portas de banheiros ensinando sobre a geração da “mais valia”. E urina fora da latrina. Joga cinzas dos cigarros no chão, a centímetros do cinzeiro. Usa roupas aparentemente baratas, mas que foram compradas a peso d’ouro numa loja de shopping. Volta para casa, ainda em transe, em carrões que beiram fácil cinqüenta mil. E não dá carona. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Justamente para evitar o vale tudo da massa, a USP, durante a ultima greve, viu-se tristemente ocupada pela Polícia Militar. Até mesmo a Tropa de Choque e suas famigeradas granadas de gás lacrimogêneo estiveram por lá. Granadas voavam de um lado, paus e pedras d’outro. Sim. Porque os sindicalistas também têm sua tropa. É a massa de alunos e funcionários instigados que avança, ao modo “2001: Uma Odisséia no Espaço”, empunhando armas primitivas contra a polícia. Melhor mesmo seria contar com uma tropa de mercenários para fazer esse trabalho sujo. Algo como “Rambo IV”. Vale tudo. Afinal, os ideais justificam o sangue: são 17% mais R$ 200,00 para todos. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;E já que falamos em sangue, vale lembrar a história do motorista Francisco Gaudino da Silva. Um “fura-greve”. No ultimo mês de Maio, durante a greve de ônibus que ocorreu em Campinas, ele foi convocado pela empresa em que trabalha a fim de assumir sua função e manter em circulação a parcela mínima de ônibus determinada pela justiça. Mas foi impedido de fazê-lo ao tentar entrar no Terminal Central. Dois homens atacaram-no com socos e pontapés no rosto e nas costas. Fraturaram-lhe uma costela. Afinal, vale tudo, assim como valia tudo durante os anos de ditadura militar, quando o governo mandava e desmandava no país na base da bala. Ela derrotava seus opositores calando-os de uma vez, simplesmente. Foi assim com o jornalista Vladimir Herzog e tantos outros. Para defender seus interesses, os ditadores lançavam mão de todos os recursos de que dispunham, inclusive os mais cruéis. Eles liam O Príncipe antes de dormir e, depois, sonhavam prazerosamente com sangue. E com o que sonham os sindicalistas, os partidários da extrema esquerda e a moçada dos centros acadêmicos? &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Eles sonham com o genial Karl Marx, que, no século XIX, propôs uma sociedade utópica de iguais, a socialista. Ela deveria suceder, pela via revolucionária, o fracassado mundo capitalista e o martírio que ele impõe à classe operária. Aconteceu, no entanto, que todas as tentativas de materializar esse sonho resultaram em pesadelos. As socialistas União Soviética, Cuba e China se tornaram sinônimo de privação de liberdade, perseguição religiosa, julgamentos forjados, intolerância política e assassinatos em série. O curioso é que os Estados Unidos, inimigos número um dos socialistas, também são conhecidos por esse mau hábito de se valer de subterfúgios perversos em nome de pretensas boas intenções. O inferno está realmente abarrotado delas. Donde podemos perceber que as reais diferenças entre capitalistas e comunistas, direitistas e esquerdistas, e situação e oposição são deveras mínimas. A única realmente importante é o lado. No mais, ambos são quase idênticos: perigosamente cheios de certeza e capazes de tudo pelo poder e sua manutenção. Nas duas frentes de batalha, os métodos são quase sempre os mesmos. Vale tudo. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;E no ultimo dia 18 de Junho, quando eram pouco mais de seis e meia da manhã e fazia um frio de lascar, uma sindicalista bloqueava a porta de entrada de pacientes e funcionários do Hospital da Mulher. Acontecia, no entanto, que meu impaciente intestino me ordenava entrar e achar o quanto antes um banheiro desocupado. Então tentei driblar a manifestante, mas foi sem sucesso. Também tentei apresentar os justos e muito naturais motivos que me ordenavam furar o bloqueio, o que também foi em vão, porque a grevista afastou rudemente minha mão da porta e, sem dar-se conta do absurdo, começou a berrar para quem quisesse ouvir que, se até mesmo as pacientes mais idosas estavam esperando do lado de fora, expostas ao vento, então eu também poderia fazê-lo. Agindo como se meu inalienável direito de ir e vir fosse contrário à causa operária, talvez a grevista tenha pensado que eu fosse um opositor da greve ou coisa que o valha. Mas eu apenas acho que uma greve na área de saúde soa criminosa. Fora isso, nada mesmo. É a fanática esquerda que tem mania de perseguição. Caso típico de Complexo de Édipo senil: mal psiquiátrico que se revela nas idiossincrasias da extrema esquerda, em especial, em seu ódio pelos poderosos, versões políticas da figura paterna. Mas é um ódio complicado, porque todo o filho, inclusive o mais rebelde deles, sonha com o carinho e o colo do pai. Por fim, tendo discursado por uns cinco minutos sobre as conquistas da greve, a manifestante, ainda se dirigindo à pequena platéia que tinha se formado à nossa volta, censurou minha falta de consciência coletiva e paciência. Só que ela deveria tê-lo dito ao meu impaciente intestino, que não vota no PSDB e, menos ainda, no PSTU. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1913476363751269612-2288557685331390625?l=nobreordinario.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nobreordinario.blogspot.com/feeds/2288557685331390625/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1913476363751269612&amp;postID=2288557685331390625' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1913476363751269612/posts/default/2288557685331390625'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1913476363751269612/posts/default/2288557685331390625'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nobreordinario.blogspot.com/2009/06/vale-tudo.html' title='Vale Tudo'/><author><name>Denis Barbosa Cacique</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07947579438098992716</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://bp1.blogger.com/_042Q5imdD7k/SH8bfxGdKZI/AAAAAAAAAR0/qoj_FfuKrlA/S220/de3.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_042Q5imdD7k/Sj-i1IMyyiI/AAAAAAAAAcA/8wU3fX8Nd4w/s72-c/Comunista2.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1913476363751269612.post-3555089933736411183</id><published>2009-06-16T04:04:00.000-07:00</published><updated>2009-06-16T04:11:16.152-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Caism Notícias (Filosofemas Simples)'/><title type='text'>Os porquês da humanização</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_042Q5imdD7k/Sjd9r4StS4I/AAAAAAAAAb4/OzTnY8Sy21M/s1600-h/huge_2_12746.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; DISPLAY: block; HEIGHT: 366px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5347881275324451714" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_042Q5imdD7k/Sjd9r4StS4I/AAAAAAAAAb4/OzTnY8Sy21M/s400/huge_2_12746.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;por Denis Barbosa Cacique,&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Nem tudo é claro na amplamente conhecida cultura da humanização. Alguns de seus aspectos, dentre eles pormenores basais inclusive, têm passado despercebidos bem em frente aos nossos olhos, comprometendo até mesmo o sentido da humanização. Um desses aspectos tem a ver com o emprego cada vez mais freqüente do termo “humanizar”, denotando um desejo coletivo de transformação de relações trabalhistas, políticas, pedagógicas, familiares e econômicas, dentre outras. Mas por que será que desejamos tanto humanizar? Outro aspecto digno de investigação diz respeito à estranha idéia de humanizar aquilo que já deve ser, por natureza, humano. Seria esse desejo mero fruto de um pleonasmo infantil? Vejamos caso a caso. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;É bastante desejável que as profundas transformações pelas quais a humanidade tem passado nos últimos séculos não tenham se limitado a evoluções meramente materiais, mas que elas também tenham sido, principalmente, morais. Ao menos no campo teórico, “os homens nascem iguais entre si” desde o Iluminismo, no séc. XVIII. Mas o que o Iluminismo tem a ver com a humanização? O chamado “Século das Luzes” abarcou diversas correntes científicas, religiosas, políticas e filosóficas que, apesar de divergentes com relação a diversos pormenores, eram, em sua maioria, ressonantes a respeito de princípios mais gerais, em especial os ideais de progresso e perfectibilidade humana. Unindo os pontos, o fato é que a humanização, semelhantemente ao Iluminismo, também visa à perfectibilidade humana, sobretudo em seu aspecto moral. Mas há uma diferenteça. Porque, depois de duas guerras mundias, do holocausto e das bombas atômicas no Japão, dos trabalhos escravo e infantil em pleno século XXI, das atrocidades das ditaduras militares na américa latina, de incontáveis ataques terroristas, da exploração sexual e da exploração sexual de menores, dos cheiros de Nalpam no Vietnã e de Gás Mostarda no Iraque, a humanização e os ideais de perfectibilidade moral assumiram a condição de urgente. E isso deve responder nossa primeira pergunta: nos empenhamos a favor da humanização movidos pelo desejo de transformação do mundo num lugar em que, pelo menos, não repitamos os erros do passado. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Mas agora nos encontramos diante dum outro problema, posto que, se a evolução que queremos é moral, então seria mais adequado rebatizar a cultura da humanização, chamando-a, por exemplo, de “cultura da moralisação”; eliminando, assim, a redundância estranha que há em “humanizar o já humano”. Por outro lado, no entanto, a mudança também eliminaria uma crítica sutil existente, não por acaso, na própria redundancia. Essa crítica tem a ver com nossa tendência, sobretudo profissional, de nos sujeitarmos ao império frígido da técnica. Mas que império é esse? Suponhemos, por exemplo, um hospital. Ele deve contar com profissionais muito bem capacitados do ponto de vista técnico, como, por exemplo, anestesistas que dominem as técnicas de anestesiar, bem como arquivias que despachem os prontuários certos para as pacientes certas. Em tal instituição, todos os processos de trabalho tenderiam ao sucesso. Mas, mesmo assim, faltaria algo, pois esses profissionais, descritos desse modo, estão mais para máquinas do que para seres humanos. Eles executam tarefas de modo automático, como braços mecânicos numa linha de montagem. Não criam nem nutrem amizades. Não estabelecem relações afetivas com os pacientes e colegas de trabalho. Não confortam. Não abraçam. E sequer são capazes de sorrir expontaneamente. Eles são como o simpático Carlitos que, em Tempos Modernos, mesmo quando já não se encontrava diante da esteira da linha de montagem, e sim de pessoas, em plena rua, mantinha os braços movimentando-se mecanica e descontroladamente. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Há um bom contra-exemplo para esse profissional estritamente técnico e, em certo sentido, desumano: certo dia, no Caism, presenciei um médico residente caminhar abraçado a uma paciente. Bastante debilitada pela doença, ela movia seu corpo esguio com passos miúdos. A cabeça, o tratamento tinha lhe despido totalmente impiedosamente. A senhora vestia a roupa listrada do hospital, a qual tinham adornado com a bolsa duma sonda urinária. Mas havia um alento. Abraçado a ela, o médico lhe cantava uma canção de Chico Buarque. E a paciente ouvia, viajando, talvez, no universo revigorante da canção, para muito além de todo sofrimento físico e psicológico que a doença lhe estava causando. Humanizar, nesse caso, consistiu em se fazer uso da liberdade para fazer mais do que ensinam os manuais de medicina. Donde podemos pensar que é a liberdade o que evocamos através daquele aparente pleonasmo: “humanizar o humano”. E a evocamos porque ela é, certamente, nossa única diferença para com os outros animais. É nossa legítima humanidade. Nossa única porta para o verdadeiro bem. Nosso talento mais valioso, embora, vendido, às vezes, por moedas de amor próprio. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1913476363751269612-3555089933736411183?l=nobreordinario.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nobreordinario.blogspot.com/feeds/3555089933736411183/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1913476363751269612&amp;postID=3555089933736411183' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1913476363751269612/posts/default/3555089933736411183'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1913476363751269612/posts/default/3555089933736411183'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nobreordinario.blogspot.com/2009/06/os-porques-da-humanizacao.html' title='Os porquês da humanização'/><author><name>Denis Barbosa Cacique</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07947579438098992716</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://bp1.blogger.com/_042Q5imdD7k/SH8bfxGdKZI/AAAAAAAAAR0/qoj_FfuKrlA/S220/de3.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_042Q5imdD7k/Sjd9r4StS4I/AAAAAAAAAb4/OzTnY8Sy21M/s72-c/huge_2_12746.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1913476363751269612.post-7195985679116957699</id><published>2009-05-23T14:55:00.000-07:00</published><updated>2009-05-25T16:12:44.893-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Histórias Ordinárias'/><title type='text'>Viva o sonho!</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_jSKVTbU47EI/ShhyYv_5hCI/AAAAAAAAAU0/k2mXDuL0TGc/s1600-h/thumbs.php+(1).jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 266px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_jSKVTbU47EI/ShhyYv_5hCI/AAAAAAAAAU0/k2mXDuL0TGc/s320/thumbs.php+(1).jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5339143127774626850" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: italic;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: italic;"&gt;por B. F. Teixeira&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Eu sei, quando se olha por determinado ângulo, eu vivo uma vida de sonho. Tenho uma casa em um condomínio residencial a quinze minutos de São Paulo. Pode não ser nem 50% tão bonito quanto no folheto, mas é tranqüilo e agradável. Melhor que a cidade. Tenho uma esposa que é uma perfeita mãe e dona de casa. Um casal de crianças saudáveis. Um carro confortável. Uma TV de alta definição. Uma cozinha moderna e equipada. Um tapete elegante que combina com os móveis. Uma poodle bem tratada.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O que ninguém sabe, porém, o ângulo que ninguém vê, é quanto custa manter esse sonho. Leasing do carro. Financiamento da casa. Plano de saúde. Fatura do cartão. Mensalidade da escola das crianças. Veterinário da cachorra. Para manter tudo isso, preciso de dois empregos. Trabalho no setor administrativo de uma grande empresa, obviamente, no horário administrativo. À noite, ministro aulas em um curso de MBA de uma faculdade particular. Tudo isso, todos os dias. Saio de casa por volta das seis da manhã, os quinze minutos de São Paulo, do anuncio, é óbvio, não incluíam o trânsito. Chego em casa só a meia-noite. Vivo em função do meu trabalho. Quando não estou trabalhando, estou descansando para poder trabalhar. O trabalho, ou melhor, os trabalhos, são os principais, pois são eles que mantém a vida de sonho, que, diga-se de passagem, jamais sonhei em ter.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Minha esposa é a perfeita dona de casa porque não pode sair da casa. Dois anos atrás, sofreu um assalto e agora, sofre de uma forma de stress pós-traumático, uma forma da síndrome do pânico. Sei lá. De qualquer forma, ela não pode deixar a casa. Simplesmente não consegue. Tentei leva-la ao médico, mas a simples tentativa de tira-la de casa causa um terror sem limites. Se tentasse de novo, a gritaria com certeza seria evidência suficiente para me enquadrar na lei Maria da Penha. Sair no quintal para buscar Delinha, a cachorra, já é impossível. Desisti do tratamento. Nós desistimos.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Meus filhos são dois pré-adolescentes mimados, estragados por uma mãe superprotetora. Foram criados no medo. Porém, agora riem e se aproveitam desse medo. Usam-no para controlar a casa. Às vezes, acho que até a cachorra usa esse medo para controlar minha esposa. Correndo para o quintal e latindo de modo irritante. Esse, meu amigo, é o bastidor, o making-off do sonho. Essa é a verdade por trás dele. Essa é a pressão com que convivo todos os dias. Se isso não basta para explicar o que fiz, meu amigo, se depois de saber de tudo isso você continua a me considerar um monstro, preciso te contar, então, a respeito da gota d’água. A gota d’água foi um dia. Um dia muito ruim.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Acordo atrasado. Às 05:45. Minha esposa e as crianças também perderam a hora. Coloco pó e água na cafeteira elétrica, ligo-a e vou tomar banho. Deleguei a tarefa de acordar as crianças à minha esposa.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Entro no chuveiro para uma ducha rápida e a gritaria começa. Minha esposa grita para acordar as crianças que retrucam não querendo levantar. Senti vergonha, com certeza os vizinhos podiam escutar. “Precisamos transferir as crianças para um colégio mais próximo para que não precisem acordar tão cedo”. Sim, mas com os preços por aqui na região, como faze-lo?&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Saio do banho. Quando estou enxugando-me, ela vem.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;“Precisamos transferir as crianças para um colégio mais próximo. É um pecado acorda-los tão cedo”.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Talvez, se você trabalhasse. Penso, mas não falo. Não é culpa dela. Não é culpa dela!&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Vou até a cozinha e sirvo-me de uma xícara de café. Ela grita de novo. As crianças revidam. Ela os ameaça com minha presença. Continuo calmamente a tomar meu café. As crianças se levantam e começam a se arrumar apressadas.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ela fala comigo. Reclama. Não presto atenção, não sei o que é, mas sei que são mais problemas. Não escuto. Não quero escutar. Não preciso de mais. Não hoje. Não agora. Termino o café e me dirijo até a garagem. Ela me segue e segue falando. Saio de casa, sei que ali, ela não pode me seguir.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;“Tô atrasado. Tchau!”&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;“As crianças! As crianças!” Ela grita!&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Entro no carro, ligo-o, ligo o rádio e espero a vontade do pequeno príncipe e da pequena princesa. 06h15 eles entram no carro. Discutindo entre si. Ajeito o retrovisor de modo que vejam meu olhar recriminador. Não falo nada. Eles não param. Arranco com tudo. Silenciam finalmente. Aumento o volume do rádio. Finalmente consigo um pouco de tranqüilidade.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Dirijo de forma zen pelo relaxante transito da grande metrópole. Deixo as crianças na escola primeiro. Chego lá pouco antes da abertura do portão. Ao menos as crianças não chegaram atrasadas. Escuto as costumeiras reclamações por terem que retornar de ônibus. Os horários para meu bairro são mesmo escassos. E ainda assim, o ônibus os deixa na portaria. É preciso andar um bocado. Não existe espaço para transporte coletivo no bairro dos sonhos. Finjo que não ligo para as reclamações. Finjo que eles não têm razão em reclamar. Parto para meu trabalho.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Chego atrasado. Tenho um dia daqueles. Poderia te encher com toda uma conversa sobre logística, 5S, Qualidade total e todos os problemas que essas coisas que deveriam ser eficientes me trouxeram. Mas, não vou. Basta dizer que o dia conseguiu se tornar ainda pior do que começara.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O pior de ter dois empregos não é o fato de ter dois empregos em si. É claro que o fato de ter de trabalhar duas vezes mais do que o que você trabalharia normalmente é ruim. Mas, o pior é que quando as coisas são uma merda no primeiro emprego você não tem o direito de simplesmente sair e parar no bar para tomar uma gelada ou ir para casa assistir um DVD pornô ou ainda comprar uma coisa da qual não precise ou quem sabe visitar a sua avó no asilo ou sei lá que coisa prefira fazer para se distrair. Não! Você precisa entrar no seu carro, mergulhar no relaxante transito paulistano da hora do rush e dirigir-se ao seu segundo emprego. Isso é o pior de ter dois empregos. Nessa hora, você começa a pensar. Nessa hora, enquanto está parado em um gigantesco engarrafamento entre um local de trabalho e outro, entre se pergunta se será esse um congestionamento recorde ou não e quantos minutos chegará atrasado, nesse exato momento, lhe invade a dúvida, ou melhor, o pavor, de que as coisas sejam uma merda também no segundo emprego. E que então, não haja tempo para parar no bar para tomar uma gelada, para ver o DVD pornô, para comprar algo de que não se precise, para visitar sua avó, e que você leve tudo isso para sua cama. E de que você leve tudo isso para o dia seguinte. E de que a mesma coisa aconteça no dia seguinte. E de que tudo se transforme num gigantesco efeito dominó. E logo já não se pensa mais nisso. Já se começa a calcular quantos minutos se chegará atrasado.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Chego alguns minutos mais atrasado do que havia calculado. E meu pavor se realiza aos poucos. Meu segundo emprego também é uma merda. Dar aula é algo novo para mim. Algo estranho e novo. Nunca havia pensado em faze-lo. Comecei há quase dois anos quando o leasing do carro, o financiamento da casa ou o veterinário da cachorra, alguma conta, não sei ao certo, estourou o orçamento doméstico. Não me restou outra opção. Um colega meu trabalha no mesmo MBA. Ofereceu-me a vaga. Aceitei.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Porém, ainda hoje, quase dois anos depois, me é estranho. Os alunos cansados, desinteressados. Me pergunto se não seria mais fácil vender-lhes diretamente o diploma. Eu cansado, desinteressado. É a primeira coisa que faço em minha vida na qual não sou bom. As aulas seguem arrastadas. Meu medo se realiza. O expediente termina. Não há tempo para fazer nada para me distrair. Sigo estressado. Sigo para casa.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Estou em casa em quinze minutos. A essa hora nem os publicitários mentem. Estão todos acordados. Minha menina no telefone. Meu garoto no computador. Minha esposa na sala. Me esperando para conversar. Me contar sobre o seu dia. Problemas. Contas que precisam ser pagas, coisas novas a serem compradas, crianças que não fazem tarefa, muito tempo passado no telefone, muito tempo gasto no computador. Simplesmente não posso agüentar mais. Quero ignorar. Quero simplesmente terminar este dia. Tiro minha roupa, entro no chuveiro, deixo a água cair sobre minha cabeça. Mas, esses novos problemas reverberam junto com o meu dia em minha cabeça como um eco terrível. Minha vida de sonho. A vida que eu sonhei... Deixo que água caia em minha cabeça.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Saio do chuveiro. Uma hora ou outra teria que sair. Vou direto para a cama. Deito-me olhando para o teto. Minha esposa deita ao meu lado pouco tempo depois. O dia continua reverberando em minha cabeça. Não consigo silencia-lo. Alguns minutos depois escuto latidos.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;“Amor, amor”.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Finjo dormir.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;“Amor, amor”.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Fecho os olhos na esperança de que se fechem também meus ouvidos.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;“Amor, amor”. Ela me cutuca. Minha esperança se mostra vã. “A Delinha”. Delinha. A poodle. Acho que ela ainda não está acostumada com a nova casa. Fica temperamental às vezes. Sai de casa e começa a latir, dar escândalo. Acorda toda a vizinha.  Sou o único que pode coloca-la pra dentro.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não me preocupo em me vestir. Saio do jeito que estava na cama. Delinha nem pensa em correr. Continua latindo parada. Latindo para o nada. Uma cadela esquizofrênica era tudo o que me faltava neste dia. Pego-a no colo. Ela continua a latir. Trago-a para dentro. Ela continua a latir. Tento calar sua boca. Ela continua a latir. Não consigo entender. Ela resiste, tenta me morder. Eu faço força para cala-la. Faço força demais. Escuto um estalo. Os latidos cessam.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Volto para o quintal. Deixo o corpo sem vida da cadela lá. Volto para a cama. Não me sinto culpado. Uma sensação de paz me invade. Não me sinto culpado. O que eu fiz foi pelo resto da minha noite de sono.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Então, amigo, essa foi a gota d’água. Foi por isso que quebrei o pescoço de minha própria poodle com minhas próprias mãos. Por algumas horas de sono tranqüilo, só por isso. Você pode, é claro, continuar achando que eu sou um monstro sem coração, mas antes, lembre-se que uma noite de sono é a única coisa capaz de por fim a um dia ruim.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1913476363751269612-7195985679116957699?l=nobreordinario.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nobreordinario.blogspot.com/feeds/7195985679116957699/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1913476363751269612&amp;postID=7195985679116957699' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1913476363751269612/posts/default/7195985679116957699'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1913476363751269612/posts/default/7195985679116957699'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nobreordinario.blogspot.com/2009/05/viva-o-sonho.html' title='Viva o sonho!'/><author><name>Brunão</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_jSKVTbU47EI/ShhyYv_5hCI/AAAAAAAAAU0/k2mXDuL0TGc/s72-c/thumbs.php+(1).jpg' height='72' width='72'/><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1913476363751269612.post-3163035690929566909</id><published>2009-04-08T05:23:00.000-07:00</published><updated>2009-04-08T05:30:06.459-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Caism Notícias (Filosofemas Simples)'/><title type='text'>Quando não se pode ser amado...</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_042Q5imdD7k/SdyYpN08i6I/AAAAAAAAAbw/p0tPOee_Nio/s1600-h/bully.bmp"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5322296693498874786" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 296px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_042Q5imdD7k/SdyYpN08i6I/AAAAAAAAAbw/p0tPOee_Nio/s400/bully.bmp" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;por Denis Barbosa Cacique,&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ao escrever e publicar “O Príncipe”, entre os anos de 1505 e 1515, o pensador renascentista Nicolau Maquiavel (1469-1527) promoveu uma ruptura radical na história do pensamento político. Ocorria que, até então, a teoria do Estado e da sociedade não ultrapassava os limites da especulação filosófica. Em Platão (428-348 a.C.) e Aristóteles (384-322 a.C.), por exemplo, o estudo desses assuntos vinculava-se à moral, descrevendo ideais de organização política e social, de bons governantes e de sociedades justas. Tratavam-se, no entanto, de reflexões abstratas e descarnadas de materialidade. A cisão promovida por Maquiavel consistiu, então, num choque de realidade. Ele concentrou-se no modo como as sociedades realmente eram, ao invés do modo como seria desejável que elas fossem. Sua inspiração certamente teve muito a ver com o lugar e a época em que viveu. Maquiavel foi personagem do Renascimento. Era cidadão da chamada “República de Florença”, que foi parte do território que hoje conhecemos como sendo a Itália, mas que, àquela época, ainda não havia sido unificada. Pelo contrário, havia ali pelo menos cinco pequenas potências que disputavam entre si a supremacia sobre aquele território, promovendo, assim, instabilidades políticas e sociais, além de infligir terríveis sofrimentos ao povo. O próprio Maquiavel definiu assim a situação daquela “Itália”: mais escravizada do que os hebreus, mais oprimida do que os persas, mais desunida do que os atenienses, sem chefe, sem ordem, batida, espoliada, lacerada, invadida, e que suportou toda sorte de calamidades.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Visando contribuir na superação desse caos político e social, o pensador compôs o “O Príncipe”, um verdadeiro guia por meio do qual um príncipe poderia subjugar os povos inimigos e unificar o território italiano sob a autoridade de um único governo, formando, assim, uma nação estável internamente e soberana em relação às forças estrangeiras. É curioso observar, no entanto, que, embora a finalidade original de “O Príncipe” fosse precisamente subsidiar a atividade política, os conselhos nele contidos podem ser interpretados de modo análogo e, desse modo, adotados pelas mais diversas categorias de líderes. Técnicos de times de futebol, professores, pais e gerentes de empresas são alguns exemplos. Todos eles podem fazer uso das polêmicas idéias de Maquiavel. Alguns até o fazem de modo intuitivo, sem jamais sequer ter folheado esse clássico da teoria política. É o caso, por exemplo, daqueles líderes que, se não podem ser amados, esforçam-se por ser temidos.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A esse respeito, Maquiavel se perguntava se, para um príncipe, era melhor ser amado ou ser temido. E dado que ambas as qualidades são mutuamente excludentes, era preciso escolher apenas uma delas. Mas qual seria a melhor? O pensador renascentista concluiu que ser temido é muito mais seguro do que ser amado. Isso porque, segundo ele, dos homens pode-se dizer que geralmente são ingratos, volúveis, dissimulados e ambiciosos. É claro que, enquanto se lhes faz o bem, tudo isso fica oculto sob a pele. Enquanto se está provido abundantemente, não há dificuldade em se lhes comprar o amor e o apoio. No entanto, aquele líder que subitamente se vê em grandes dificuldades, não demora até que também se veja abandonado por seus outrora fiéis colaboradores, ou até mesmo traído por eles. Porque, dizia Maquiavel, “os homens têm menos escrúpulo em ofender a alguém que lhes dedica amor do que a quem lhes inspira temor”. Pois toda amizade é mantida por um liame muito tênue, dada a natureza egoísta do homem. Já o temor, por sua vez, é mantido pelo receio de castigo, e esse não desaparece tão facilmente. É isso o que acontece, por exemplo, com aquele funcionário que, por contar sempre com a compreensão e indulgência de seus superiores, não sofre qualquer hesitação de consciência ao faltar ao trabalho ou cometer qualquer outra falha deliberadamente. No outro extremo, no entanto, aquele trabalhador cujos superiores despertam-lhe temor busca guiar-se sempre pela prudência. Ele toma decisões cautelosamente. Busca honrar os compromissos que assume. E esforça-se tanto quanto pode para evitar erros. Isso tudo porque, parafraseando Maquiavel, ele teme as conseqüências dos seus atos.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Mas os ensinamentos de “O Príncipe”, a despeito das grandiosidades que prometem, devem ser assimilados com muitas reservas. Não são poucas as pessoas que, por terem lido mal a obra, acabam atribuindo ao seu autor o título de criador e justificador moral da tirania. Mas ambas essas idéias são equivocadas. Os fins não justificam os meios. E mesmo para Maquiavel há limites muito claros para o uso do poder. Ao defender, por exemplo, que um príncipe incapaz de fazer-se amado deve fazer-se temido, ele adverte, logo em seguida, que tal governante deve esforçar-se para evitar despertar o ódio de seus colaboradores, posto que, diz ele, “podem muito bem coexistir o “ser temido” e o “não ser odiado””. Há, enfim, muito que se aprender com Maquiavel, mas suas valiosas e polêmicas lições situam-se num terreno escorregadio, onde, não raramente, tiranos confundem autoridade com truculência e temor com terror. É o terreno do poder.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1913476363751269612-3163035690929566909?l=nobreordinario.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nobreordinario.blogspot.com/feeds/3163035690929566909/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1913476363751269612&amp;postID=3163035690929566909' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1913476363751269612/posts/default/3163035690929566909'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1913476363751269612/posts/default/3163035690929566909'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nobreordinario.blogspot.com/2009/04/quando-nao-se-pode-ser-amado.html' title='Quando não se pode ser amado...'/><author><name>Denis Barbosa Cacique</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07947579438098992716</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://bp1.blogger.com/_042Q5imdD7k/SH8bfxGdKZI/AAAAAAAAAR0/qoj_FfuKrlA/S220/de3.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_042Q5imdD7k/SdyYpN08i6I/AAAAAAAAAbw/p0tPOee_Nio/s72-c/bully.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1913476363751269612.post-8996533300283132267</id><published>2009-04-02T09:12:00.001-07:00</published><updated>2009-04-02T18:17:51.010-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Histórias Ordinárias'/><title type='text'>Só porque você é paranóico...</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_jSKVTbU47EI/SdTkcj3pWdI/AAAAAAAAAUs/4PQk_nJAEgM/s1600-h/paranoia.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 233px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_jSKVTbU47EI/SdTkcj3pWdI/AAAAAAAAAUs/4PQk_nJAEgM/s320/paranoia.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5320128239147506130" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: italic;"&gt;por B. F. Teixeira&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mal coloco o derradeiro ponto final no artigo, já começo a desligar a máquina. Sou o único na redação a esta hora da noite. Se é que posso chamar de redação três computadores e uma imprensa meia-boca comprada de segunda mão. É... este é o “Farol da Capital”! Nome que já seria ridículo se estivéssemos no Rio, em São Paulo, então... Um jornaleco com menos influência que muitos blogs por aí! Foi para isso que cursei jornalismo? &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Termino de desligar a máquina, pego minha bolsa de designer, apago as luzes. No começo, os discursos “temos tinta de impressão nas veias”, “somos um jornal à moda antiga”, “deixaríamos Paulo Francis orgulhoso” de meu editor bastavam para me motivar. Aperto o botão do térreo do velho elevador. Agora, nem mesmo o cheque no final do mês é capaz de faze-lo. Aliás, tem exatamente o efeito oposto... Cumprimento o porteiro e deixo o prédio. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não sei se está mais quente aqui fora ou lá dentro. Malditas noites de verão. Acendo um cigarro, aperto o passo até a estação de metrô mais próxima. Já fiz esse caminho muitas vezes, porém não convém arriscar. Com certeza, não era o que eu esperava quando estava na faculdade: não ter dinheiro para comprar o próprio carro, o próprio apê. Não ter dinheiro nem para entregar para um bandido em caso de assalto. Porém, justo hoje, sou atacado. Não há arma, não há abordagem. Apenas um baque surdo. Vindo do nada. Estou inconsciente.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;*    *    *    *    *&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E então, a luz. Meus olhos precisam de três segundos para entender que não se trata de uma experiência de quase-morte. Na origem dessa luz, não há nada de divino. Ela vem de um farolete sobre um pedestal na mesma sala que eu. Atrás dele posso ver apenas a sombra de meu captor. Estou amarrado a uma cadeira de metal, dessas de bar. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;“Luis Guilherme Guimarães, a temática de seus últimos artigos levou-me a concluir que você está ciente da conspiração. Para quem você trabalha? Como você tomou ciência dela”?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;“Não estou entendendo nada”.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;“Você trabalha para eles?”&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;“Olha, Gusmão. Vamos parar com essa merda logo. Não tem graça”.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;“Seu editor não tem nada a ver com isso. Repito: Você trabalha para eles?”&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;“Quem são eles?”&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;“Você é um agente de desinformação?”&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;“Você deve estar me confundindo com alguém!”&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;“Não, não estou. Luis Guilherme Guimarães do ‘Farol da Capital’”?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;“Sim”.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;“Tenho acompanhado seus artigos. Eu preciso saber: Você é um agente de desinformação?”&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;“Olha... eu nem sei o que é isso!”&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;“Seus artigos. Alguém esta lhe dizendo o que escrever?”&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;“Não”.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;“Tem recebido envelopes estranhos?”&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;“Não, já lhe disse! Eu não sei de nada!”&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;“Eu preciso saber!” – Meu captor aumenta o tom de voz e saí de traz do farolete. “Eu preciso saber de onde vem a inspiração para seus artigos” – caminha em minha direção com passos rápidos – “ou toda a minha investigação estará comprometida” – posiciona-se atrás de mim. Coloca uma faca em meus pescoço – “Toda a minha investigação, entendeu!? Toda!! Anos! Fala!!! Quem está lhe passando informações!!?”- pressiona a faca e me pressiona demais. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;“Oh meu Deus! Ninguém! Ninguém! Sou só um jornalista de merda! Escrevendo para um jornaleco! Nem concordo com aquilo que escrevo! É um tablóide, pelo amor de Deus!! Só escrevo aquelas coisas para parecer polêmico. Para deixar Paulo Francis orgulhoso, meu chefe diz! Mas, acho que na verdade,  ele se revira no túmulo...” Vomito isso tudo urrando, soluçando e chorando. É constrangedor e ao mesmo tempo libertador. “Não gosto daquelas porras de artigos, não quero morrer por eles!!” Choro, como uma criança. O momento mais constrangedor da minha vida é também o mais libertador. Meu raptor alivia a pressão. Abaixo a cabeça e continuo a chorar.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;“Olha, foi um erro” - meu raptor deixa de disfarçar a voz – “mas, é que no meu ramo temos que desconfiar de tudo e de todos”. É uma mulher! Fui nocauteado, arrastado e torturado por uma mulher. Despedacei-me em lágrimas e implorei por minha própria vida para uma mulher. Talvez, eu seja um porco-chauvinista ao me sentir mal por isso. Mas, me sinto. Todo o bem-estar das lágrimas e da libertação escorre pela certeza de que sou um merda.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;“Você é uma boa pessoa. Tem baixa resistência à tortura psicológica, só. Ainda bem que não viveu na época da ditadura ou seria um caguete foda”. Abaixa novamente e corta as cordas que me prendiam à cadeira de bar. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Temos que duvidar de tudo e de todos, no meu ramo, você é uma boa pessoa. Quantos não foram boas pessoas? Quantos tiveram mais resistência do que eu? Quantos essa louca já capturou por aí? Quantos não tinham vocação para caguete?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ela se aproxima de mim, como que querendo me cumprimentar. Levanto num repente e me atraco com ela. Mantenho a faca longe de mim, bato suas costas contra a parede. Ela me desfere um chute no abdômen. Perco o equilíbrio. Recuo dois passos, procuro me apoiar no pedestal, mas levo-o ao chão comigo. O farolete se desprende e se quebra. Escuro. Tudo escuro. Ambos esperamos alguns momentos (Segundos? Milésimos de segundos?) até que nossos olhos se adaptem a nova condição. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;“Tudo bem. Você já me deu o seu troco”. Ela caminha cautelosamente em minha direção. “Agora, chega! Pode ir embora. Você é um civil, não se meta nisso. Pode ir...”&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;É minha vez de golpeá-la no abdômen. É sua vez de recuar. Uso o pedestal como uma lança. Levanto. Golpeio a novamente, agora no rosto. Ela cai. Golpeio-a de novo. E de novo, e de novo, e de novo, e de novo... até que... sangue. Escorrendo como vinho barato em uma mesa sem toalha. Sangue. Oh Meu Deus, eu matei alguém! Viro-me na direção oposta e vomito o Hot Dog que tive como almoço e as cinco xícaras de café que tomei a tarde. Cambaleio em direção a porta. Abro-a. Continuo cambaleando. Procurando por uma saída, por ar livre, por uma fuga. Tropeço em uma cadeira. Caio com a cara contra uma parede. Um jornal. Um artigo. Autor: Luis Guilherme Guimarães. Título: A verdadeira (e brutal) luta de classes. Já nem lembro do que escrevi. Bobagem sensacionalista como todo o lixo que escrevo para esse tablóide. Passo a mão por sobre o artigo como que o lendo em braile, até encontrar o alfinete de cabeça vermelha em seu centro. Esse prende uma fita vermelha ao artigo. Com as mãos acompanho a fita. Como um cego, tateio-a e sigo-a como a um guia. Chego a um alfinete de cabeça verde. Uma fotocópia de um antigo livro sobre as ditaduras sul-americanas. Algo sobre a participação da CIA nos golpes de direita, impedindo as revoluções populares. Acho outra linha. Sigo-a. Um recorte de jornal antigo: Declarações de Jango. Outra linha: Crise do petróleo. Outra Linha: Aumento das desigualdades do terceiro mundo. Outra Linha: Energias Renováveis. Outra linha... E, súbito, tudo faz sentido de um modo assustador.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;*    *    *    *    *&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Sei quem são Eles. A CIA, os americanos, os shakes do petróleo. Todos juntos. Mexendo os pauzinhos. Nos influenciando, atrapalhando. Aumentando nossos problemas, empurrando-nos gradualmente em direção à guerra interna. Tudo isso porque temiam o álcool. Temiam nosso potencial energético Desde os anos 60. Talvez desde antes. Desde não sei quando. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;É tudo culpa deles. Ela estava certa! Ela estava certa! Dou as costas para a parede coberta de jornais e prendo a cabeça entre os joelhos. Oh meu Deus, ela estava certa!&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;*    *    *    *    *&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não estou pensando direito. Estou sensível, confuso. Eu matei alguém, por isso. Eu matei alguém. Era uma louca perigosa, mas isso não muda o fato de que era alguém e que eu a matei. Não era mais legítima defesa. Preciso ir. Preciso sair daqui. Preciso fugir. Não, não posso! Esse lugar está cheio de mim: minhas digitais, minhas lágrimas, meu vômito... não posso deixar esse local, não assim. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Um plano de contingência, sim! Essa maluca deve ter um plano de contingência! Todo paranóico tem um ou não? Deve ter um botão de autodestruição aqui em algum lugar, só preciso achá-lo. Levanto-me em um sobressalto e encaro a parede forrada de jornais, linhas e alfinetes. Com as duas mãos espalmadas, mergulho no mundo dela...&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;*    *    *    *    *&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt; &lt;/span&gt;Encontro! No cômodo adjacente, sob uma tábua com fundo falso, um galão de gasolina – ou querosene, não sei ao certo – e uma caixa de fósforos. Minha camisa! Preciso queimar minha camisa também. Está suja de sangue! Agradeço por ser um filé de borboleta, capaz de ser facilmente nocauteado por uma mulher, e por ela gostar de roupas largas. Encontro uma camiseta que me sirva entre suas coisas. Visto-a. Uma camiseta preta lisa, sem estampa, sem figura Jogo minha camisa suja sobre o corpo. Não quero vê-lo. Não mais. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt; &lt;/span&gt;Começo a espalhar gasolina – ou querosene – por todo o canto. Na cadeira, nas paredes cobertas por jornais, pelo corpo – agora, graças a Deus, coberto pela minha camisa.  Faço tudo com cuidado para não derrubar gasolina em mim, em meus braços. Levo uma, duas, três horas. Perco a noção do tempo. Tem gasolina – ou querosene – suficiente para a casa toda.  A paranóia é uma coisa linda. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt; &lt;/span&gt;Ao terminar, jogo o galão no meio da sala e encaminho-me para a porta principal. Abro-a. Venta. É madrugada. Estou em uma região erma. Poucas casas ao redor, ninguém nas ruas. Onde estarei? Não faço a mínima idéia, mas isso não importa. Preciso sair daqui agora. Da porta, risco o fósforo e jogo-o dentro da casa. Ouço o ruído do acender, como uma churrasqueira gigantesca. Corro. Não olho para trás. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;*    *    *    *    *&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt; &lt;/span&gt;Corro até chegar em uma avenida. Lá encontro um ponto de ônibus. Encosto-me e espero pelo primeiro ônibus. Não espero muito. Reconheço o destino escrito no topo do ônibus. Entro. Pago. Sento. Encosto a cabeça na janela. Deixo minha mente vagar e ela insiste em voltar para a teia na casa da louca. Os jornais, as linhas, os alfinetes. A teia, a conspiração. Será que ela tinha razão? Eu a matei. De qualquer forma eu matei alguém. Teria eu matado uma heroína? Não. Ela era uma louca perigosa. Quantos mais ela não pegaria, quantos não se dobrariam. Eu salvei vidas. Eu sou o herói. Eles não existem. Ela é paranóica. Completamente paranóica. Ao longe, pela janela, posso ver um pequeno brilho, um pequeno foco de luz. Deve ser a casa, agora, sendo completamente possuída pelas chamas. Chamas que a essa altura já se alastraram por completo eliminando qualquer vestígio daquela louca, de sua teia de loucuras, do que ela fez comigo, do que eu fiz com ela...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt; &lt;/span&gt;Chego ao ponto final. Faço uma baldeação. Pego o ônibus que finalmente me levará ao que chamo de casa. Ligo para o Gusmão. É muito cedo, ninguém atende. Deixo recado: não vou trabalhar hoje. Talvez, não vá trabalhar nunca mais. Pelo menos não lá. Não naquele tablóide. Pelo menos não mais escrevendo coisas marrons.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt; &lt;/span&gt;Meu ponto. Dou o sinal. Desço do ônibus. Caminho pelos dois quarteirões que separam meu prédio do ponto de ônibus. Abro o portão de ingresso.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt; &lt;/span&gt;No hall de entrada, três homens brancos, com cerca de 30 anos, vestindo ternos pretos, estão sentados no sofá. Quem são? O que querem? Como eles entraram?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt; &lt;/span&gt;“Senhor Luis Guilherme Guimarães” _ um deles diz com voz calma enquanto se levanta _ “estávamos a sua espera. Nos acompanhe, por favor”.  &lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1913476363751269612-8996533300283132267?l=nobreordinario.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nobreordinario.blogspot.com/feeds/8996533300283132267/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1913476363751269612&amp;postID=8996533300283132267' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1913476363751269612/posts/default/8996533300283132267'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1913476363751269612/posts/default/8996533300283132267'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nobreordinario.blogspot.com/2009/04/so-porque-voce-e-paranoico.html' title='Só porque você é paranóico...'/><author><name>Brunão</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_jSKVTbU47EI/SdTkcj3pWdI/AAAAAAAAAUs/4PQk_nJAEgM/s72-c/paranoia.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1913476363751269612.post-975956727316343552</id><published>2009-03-25T05:51:00.000-07:00</published><updated>2009-03-25T05:58:16.160-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Caism Notícias (Filosofemas Simples)'/><title type='text'>A Verdade Mais Grave</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_042Q5imdD7k/ScoqQJgZWkI/AAAAAAAAAbY/wnwujw0ChfM/s1600-h/marrom.bmp"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5317108766982363714" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 355px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_042Q5imdD7k/ScoqQJgZWkI/AAAAAAAAAbY/wnwujw0ChfM/s400/marrom.bmp" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;por Denis Barbosa Cacique&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Sobre o caso da advogada brasileira que alegou ter sido agredida por um grupo neonazista na Suíça, é claro que ninguém estava obrigado a deduzir, logo de cara, que tudo não passava de uma mentira mal contada. Mas essa ressalva tem um efeito duplo e contraditório. Se por um lado ela atenua o engano da imprensa, do governo e do povo brasileiro, por outro ela o agrava ainda mais, pois, quando a verdade não pode ser facilmente discernida da mentira, e ela raramente o é, então urge que se adote a simples e barata precaução da desconfiança. Caso esse cuidado tivesse sido adotado, evitar-se-ia uma porção de prejuízos que vão desde os imprevisíveis danos morais infligidos à jovem brasileira até a série de gafes promovidas pela nossa diplomacia. Porém, sucedeu-se o contrário. A protagonista da história teve sua vida privada violentamente convertida em objeto de um reality show macabro. Já o governo brasileiro criou um desnecessário e pouco inteligente mal-estar entre Brasil e Suíça. Por exemplo, enquanto o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, exigia das autoridades suíças empenho e rigor nas investigações do caso, a consulesa-geral do Brasil na Suíça, Vitória Cleaverque, afirmava: "trata-se claramente de um ataque xenófobo"; e acrescentava: “se for necessário, levaremos o caso às mais altas instâncias", fazendo clara referência à ONU. Não nos esqueçamos de que nós, o povo brasileiro, também saímos prejudicados, pois prestamos nossa comoção a nada.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Essa série de trapalhadas suscita duas perguntas bastante simples. Mas antes de as elaborarmos, devemos introduzir o atenuante de que o engano não se deveu apenas à nossa ingenuidade, mas também, e, talvez, principalmente, ao fato de a farsa se nos ter apresentado como tremendamente verossímil. “Verossímil” é aquilo que parece ser verdadeiro, mas que pode, a despeito da aparência, ser falso. Tendo essa premissa em mente, cabe identificar os elementos que sustentaram tal verossimilhança. E o passo seguinte consiste em investigar o porquê do meramente verossímil ter sido tratado como verdadeiro. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;A respeito do fato de a história ser verossímil, isso se deveu ao fato de ela possuir dois elementos fortemente coerentes com a realidade, a violência cotidiana brasileira e o temor mundial da ascensão de novas formas do nazismo e fascismo. Analisemos caso a caso. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;As relações sociais no Brasil estão permeadas pelas mais diversas formas de violência, que vão desde o trabalho infantil e escravo até as barbáries promovidas por poderosas organizações criminosas. A fim de ilustrar esse cenário, podemos citar o 3º Relatório Nacional sobre os Direitos Humanos, segundo o qual, entre os anos 2000 e 2004, a média anual de homicídios de jovens com idades entre os 14 e os 24 anos era de 108,35 para cada 100 mil no estado do Rio de Janeiro. É um número estarrecedor. E é por conta dessa violência tão comum, próxima, freqüentemente, hedionda e real que o brasileiro tende a considerar verossímil até as histórias mais repulsivas de violência.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;O segundo elemento a corroborar a verossimilhança da história é o temor de que movimentos políticos inspirados em ideologias xenofóbicas, caso notório do neonazismo, voltem a conquistar espaço no cenário mundial, mas em especial no continente europeu. E não se trata de um temor descabido. No ano passado, por exemplo, o parlamento da União Européia aprovou a chamada “Diretiva de Retorno”, documento que estabelece sanções bastante rígidas aos estrangeiros que forem flagrados em situação irregular em países do bloco europeu, sendo a deportação o carro chefe delas. A idéia por trás da Diretiva é conter o afluxo de imigrantes de países subdesenvolvidos, fugindo da miséria e da pobreza e atraídos por condições muito mais favoráveis de renda, trabalho e vida. Já o problema por trás da idéia é que a expulsão de um estrangeiro pelo simples motivo de ele ser estrangeiro é de difícil justificativa moral. É irônico que a Europa, justamente o continente que dera origem à Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, esteja agora cada vez mais retrógrada, defensiva e fechada sobre si mesma, assumindo uma postura político-ideológica que, embora não seja explicitamente xenofóbica, pode converter-se no primeiro deslize na beirada de uma ladeira escorregadia em direção a formas mais violentas e declaradas de racismo, como a que teria culminado na agressão nazista que a brasileira alegou ter sofrido.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Resta, agora, refletir sobre o porquê de o meramente verossímil ter sido tratado irrefletidamente como real. O risco, neste ponto, é ecoar o clichê segundo o qual “tudo é culpa da mídia”. Repetir esse chavão seria conivente para com as outras partes envolvidas. Não é tudo culpa da mídia porque parte da culpa é nossa, que, passivamente, aceitamos como iguais notícia e realidade, imprensa e janela para o mundo. A outra parte da culpa é daqueles que fazem política fundamentados apenas no Jornal Nacional, dentre outras imprensas marrons. Esse intrincado de cumplicidades evidencia um circulo vicioso que tem espectadores de um lado e imprensa de outro. É bem verdade que a mídia sensacionalista que embarcou na canoa furada daquela farsa carece de responsabilidade social. Ela publica qualquer coisa, contanto que dê Ibope, e ignorando o princípio da verdade. Mas ela só o faz porque “o papel” aceita tudo, e o aceita sem requerer investigações, provas, ética e responsabilidade quanto às conseqüências das informações a serem divulgadas. E é aí que entra nossa culpa e a culpa dos nossos diplomatas, porque o papel somos nós, e essa é a verdade mais grave.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1913476363751269612-975956727316343552?l=nobreordinario.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nobreordinario.blogspot.com/feeds/975956727316343552/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1913476363751269612&amp;postID=975956727316343552' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1913476363751269612/posts/default/975956727316343552'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1913476363751269612/posts/default/975956727316343552'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nobreordinario.blogspot.com/2009/03/verdade-mais-grave.html' title='A Verdade Mais Grave'/><author><name>Denis Barbosa Cacique</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07947579438098992716</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://bp1.blogger.com/_042Q5imdD7k/SH8bfxGdKZI/AAAAAAAAAR0/qoj_FfuKrlA/S220/de3.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_042Q5imdD7k/ScoqQJgZWkI/AAAAAAAAAbY/wnwujw0ChfM/s72-c/marrom.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1913476363751269612.post-7393999764868466088</id><published>2009-03-15T16:03:00.000-07:00</published><updated>2009-03-15T16:17:40.493-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Histórias Ordinárias'/><title type='text'>Da janela lateral</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_jSKVTbU47EI/Sb2Keq_nGsI/AAAAAAAAAUk/aAui6rKKPJY/s1600-h/Paisagem+da+Janela.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 231px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_jSKVTbU47EI/Sb2Keq_nGsI/AAAAAAAAAUk/aAui6rKKPJY/s320/Paisagem+da+Janela.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5313555394908854978" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: italic;"&gt;por B. F. Teixeira&lt;/span&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: italic;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: italic;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;20 Km leste. É pouco para descreve-lo. Pouco para descrever como o sinto. Como o sinto daqui de cima. O vento... Vento que move meus cabelos sem bagunça-los. Traz-me uma sensação de frescor, sem me trazer frio. Empresta movimento a meus trajes – meu melhor terno, camisa e gravata – sem amarrota-los. O vento perfeito. Tudo perfeito. A noite estrelada. Não há uma única nuvem no céu. A temperatura é quente o suficiente para tirar minha esposa e filha de casa, mas não o suficiente para que eu sue no terno. E o vento, o vento é o toque final. Tudo está perfeito. Esta é a grande noite. Não tenho dúvidas. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;Termino de escrever o bilhete, tiro os sapatos e uso-os como peso de papel. Vou justamente como imaginei. Como Paul na capa do Abbey Road. Tiro as meias e coloco-as dentro dos sapatos. Estou descalço. Tiro um cigarro do bolso, acendo-o. Dou uma longa tragada. Expiro sua fumaça lentamente. Saudade! Outra tragada profunda. Outra expirada lenta, como se a fumaça sentisse pesar em deixar os meus pulmões. Aproximo-me da grade de proteção para crianças e fumo meu cigarro. Olho para baixo: carros e pessoas pequenas. Hoje, apenas eu e o vento somos grandes.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;Jogo a bituca daqui de cima. Conto os longos segundos até que suma de minha vista. Longos segundos... para ver o chão, para sentir o vento... longos segundos... últimos segundos... é por isso, que tudo precisava estar perfeito, e está. Acendo outro cigarro. Dou a mais longa das tragadas, seguida pela mais longa das expiradas. Ainda com o cigarro na mão, coloco o pé direito sobre a grade de proteção...&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;*     *     *     *     *&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal; "&gt;“Algum problema, amor?”&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;“Não, só um pouco de dor muscular. Aumentaram minha série na academia”. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;“Já vou aí te fazer uma massagem. Deixa eu só colocar a Celinha para dormir”. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;Como posso mentir para uma mulher dessa? Eu me pergunto: como? Mas, ao mesmo tempo, como contar a verdade? Como explicar a um ser dotado de tanta compaixão e amor que a dor que eu sinto simplesmente não pode ser massageada? Que não há nada que possa fazer para ajudar? Que a minha dor é na alma? Como? Por isso, eu minto. Minto por imaginar a dor que isso causaria a ela. Minto por imaginar a dor que causar alguma dor a ela causaria a mim. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;Contudo, não deveria estar doendo desse jeito. Afinal, eu tenho uma rotina. Tenho um emprego fixo, que não é o melhor, mas também não é o pior dos empregos. Tenho hobbies. Passo um tempo com minha família sempre que posso. Brinco com minha filha - e adoro brincar com minha filha na medida em que consigo “adorar” qualquer coisa. Faço atividades físicas regulares – deveriam liberar endorfina o que, por sua vez, deveria me fazer sentir bem. Faço sexo regularmente, com minha esposa, o que, por sua vez, também deveria liberar endorfina, o que, mais uma vez, deveria me fazer sentir bem. Engajo-me em tais atividades mesmo quando a dor é lacerante e age como um fardo transformando até a menor delas, até a mais prazerosa delas, em algo extenuante. Mas principalmente, eu não deveria estar sentido isso, porque, além de todas essas atividades, tomo minhas pílulas todos os dias pela manhã. Religiosamente. Ou seja, faço tudo o que os médicos me dizem para fazer. E nada. Simplesmente começo a perder minha fé na medicina. Creio que a psiquiatria devesse ser classificada como uma arte e não como uma ciência.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;“Pronto, amor. Deveria ver como ela está dormindo. Dorme como um anjo”. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;“Eu já vou”.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;“Não, não é preciso. Você está todo dolorido. Deixa eu fazer sua massagem”.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;Às vezes me pergunto se o fato dela ser tão compreensiva não piora o meu quadro. Conviver com ela é ser constantemente lembrado de tudo que você poderia ser, mas não é. Mal sinto a massagem. Ela diz algo sobre tensão e nós energéticos. Bobagens. Finjo que presto atenção. Tudo que eu deveria ser, mas jamais serei. Ela termina a massagem. Deitamos juntos. Ela encosta a cabeça em meu peito e me abraça. Diz que se sente protegida. Já eu, me sinto oprimido, invadido. Como sempre, me calo, omito. Espero. Imóvel. Até que sua respiração entre em um ritmo regular. Até que adormeça. Liberto-me com cuidado para não despertá-la. Reviro minha parte do guarda-roupa em busca do meu esconderijo. Encontro meu maço de Marlboro e meu isqueiro. Ela não gosta que eu fume perto dela, da Celinha ou mesmo dentro do apartamento. Antes, fumava um ou dois apenas, para dormir. Nos últimos dias, estou precisando de quase um maço. Melhor levar o maço todo, como garantia. Caminho até a sacada, acendo o primeiro cigarro e dou uma tragada longa. Saudade!  Estranho como 24 horas podem parecer muito para algumas coisas. Fumo em tragadas profundas e expiradas lentas. Fumar, assim como as outras atividades, não me faz sentir melhor. No entanto, meu médico sempre me diz que é importante manter a rotina.  &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal; "&gt;*     *     *     *     *&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal; "&gt;No dia seguinte: trabalho. Uma verdadeira tortura. Não, não é nenhum tipo de figura de linguagem. Faça a regra de três: se ver sua filha não lhe emociona, escovar os dentes é extenuante e fazer amor com sua mulher é um tédio, logo, como é trabalhar? &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;De qualquer forma, acordar as seis da manhã depois de ter ido dormir as cinco não é nada revigorante. Minha esposa nota o odor dos cigarros em mim, mas não fala nada. Ela mente - ou melhor - omite a verdade para me agradar, para evitar o confronto. Não estou em condições de criticá-la. Terminamos o café da manhã meio apressados, esperamos a chegada da babá, saímos juntos. Nos separamos na fachada do prédio. Abraço, beijo, te vejo a noite. Deixo o carro com ela e caminho até o trabalho. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;Bom dia. Bom dia. Comentários sobre a novela, rodada do futebol ou qualquer que seja a notícia polêmica do momento. Respondo de forma inócua, razoavelmente educada. Atraco-me em minha baia. Ligo meu computador, “logo” no sistema. Uma mensagem me espera.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;“Comparecer a minha sala, por favor.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;Urgente,&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;Kobayashi”&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;Kobayashi, o chefe de setor. O que será? O que ele quer comigo tão cedo? Sem disposição para bancar o funcionário rebelde, encaminho-me para a sala do chefe, embora prefira não ir. Bato na porta. Recebo um convite – ou seria uma ordem – para entrar e, de repente, estou em uma cena à la “The Office”. Confetes e serpentinas são jogados sobre minha cabeça. Embrenham-se em meus cabelos, pousam-se em meus ombros como caspas gigantes e coloridas. Uma grande faixa me dá os parabéns por uma promoção e Kobayashi – contrariando e desonrando milênios de parcimônia de seus ancestrais - sai do fundo da sala gritando: “Quem é o nosso novo supervisor de Marketing? Quem? Quem?” Súbito todo o pessoal está na sala me aplaudindo. Metade com inveja, metade com tédio. Consegui minha promoção. Eu a queria, não queria? Mais do que isso, eu precisava dela, não precisava? Eu tenho mulher, filha pequena, financiamento do carro, do apartamento... além do mais, eu merecia essa promoção! Ela não poderia ter vindo em melhor hora. Então, por que não me sinto realizado? Por que não estou feliz? Por que sinto como se não fosse comigo? Por que não ligo para minha esposa contando-lhe a novidade aos gritos? Por que não abraço Kobayashi? Por que, enfim, me sinto como se fosse um daqueles que me aplaude com tédio? &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;Cumprimento a todos com um aperto de mão e um sorriso no rosto. Sorrio esperando que o sorriso, ao menos, pareça verdadeiro. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal; "&gt;*     *     *     *     *&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal; "&gt;Todo o resto do dia trabalho como novo supervisor de marketing. Conhecendo a equipe, planejando, apresentando a filosofia de trabalho, apertando mãos, dando beijinhos. Coisas de primeiro dia. Minha promoção contradiz todos os palestrantes motivacionais que já existiram no mundo empresarial. Tudo o que eles dizem sobre vestir a camisa da empresa, trabalhar com garra, inserir-se no meio, marketing pessoal, enfim, eu nunca fiz nenhuma dessas coisas. Sempre me senti como se trabalhasse no piloto automático. Como se vivesse no piloto automático. Como se fosse um grande voyeur... no trabalho, na vida... e mesmo assim, fui promovido. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;Vou à academia. Cumpro a minha série nova. Volto para casa. Tomo banho. Janto. Converso com minha esposa. Finjo que me envolvo, que me emociono, que presto atenção. Deito-me na cama. Espero que minha esposa durma. Levanto. Pego meus cigarros no esconderijo. Constato que preciso comprar mais. Vou até a sacada. Sento-me. Fumo. Dali, da sacada, vejo as outras pessoas viverem... A noite passa...&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal; "&gt;*     *     *     *     *&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal; "&gt;Os dias passam. A semana passa. O fim de semana chega. Sexta-feira fim de expediente. Happy hour. Toda a equipe vai. Eu os acompanho. Um barzinho perto da empresa. Ocupamos algumas mesas do lado externo do bar. Depois de um tempo bebericando uma cerveja, noto uma morena de cabelos lisos sentada no canto oposto da mesa. Já a havia visto antes, é claro. Porém, jamais havia reparado nela. É linda. É jovem e linda. Pele clara e cabelos negros formando um belo contraste. Os lábios pintados em um vermelho vivo sorriem para mim. Eu sorrio de volta. Disfarço. Olho ao redor. Todos bebem, comem, riem e se divertem. Todos, menos eu. Sinto que sou diferente deles, de alguma forma. E a diferença não é de comportamento, de temperamento, de personalidade, é biológica, estrutural. De algum modo fui afastado da humanidade. Como se eu fosse, na verdade, um banco de dados biológico alienígena mandado à Terra apenas para acumular informações e não houvessem instalado em mim os softwares que permitissem meu envolvimento com os nativos. Ou, explicando em termos menos fantasiosos, é como se eu fosse um voyeur da minha própria vida, em todas as áreas... sempre observando, nunca participando... &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;Ela volta a me olhar. Seus olhos negros refletem toda a luz do ambiente. Sorrio de volta, sou discreto. Ela não. Ela sorri de orelha a orelha, fala alto e com todos ao mesmo tempo, conta piadas, banca a palhaça, ri com sinceridade e fuma, fuma mais do que eu. Ela age como uma mulher liberada de F. Scott Fitzgerald. Possui aquele tipo de atitude que seria admirável e ousada na era do Jazz, nos 60 ou 70, mas que hoje em dia a história tornou datada e vulgar. Enfim, ela é tudo que alguém como eu deveria odiar, mas por algum motivo, interesso-me. Uma esperança de conexão existe, ainda que frágil, e embora eu odeie admitir, não consigo tira-la da cabeça. Não consigo tirar dela meu olhar. Desejo-a.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal; "&gt;*     *     *     *     *&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal; "&gt;Cláudia. Descubro seu nome na segunda-feira seguinte. Nela, repousa a esperança de alguma conexão com a humanidade. Qualquer conexão. Minha última esperança, talvez. Sim, estou certo. Se ainda tenho alguma chance, ela responde pelo nome de Cláudia. É claro que me sinto um pouco culpado por minha esposa – como posso pensar em trair uma mulher como aquela? Não lhe conto nada. Não conto nada a ninguém. Mantenho essa esperança em silêncio, assim como mantenho meu afastamento. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;Cláudia: Minha última esperança de conexão com a humanidade. Sexta-feira, 17 horas: minha última esperança de conexão com Cláudia. Aproximo-me de sua baia com alguns papéis na mão. Assim nota minha presença, me olha nos olhos. Como toda boa femme fatale, não sou eu quem verdadeiramente me aproximo dela, é ela quem me atraí. Com o olhar, como um ímã a um pequeno pedaço de metal. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt; “Eu vou. Hoje às sete horas na ‘Trattoria Cacique’, conhece?”. Escuto parado em pé às margens de sua baia, encaro-a de cima a baixo, sem, no entanto, possuir uma posição superior. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt; “Na Flavio Honorato?”&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;“Essa mesma”. Sorri de modo malicioso e sexy. Misturando um pouco de Lolita à combinação já letal o bastante. Sorrio e caminho de volta a minha sala – que recebi quando fui promovido – pensando em que desculpa dar a minha esposa. Será simples. Cargo novo, responsabilidades novas, horas extras novas. Fácil. Preenche-me a esperança de que, finalmente, participe de algo, de que, finalmente, participe da vida. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;*     *     *     *     *&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal; "&gt;Deu tudo errado. Não com o encontro. Não com o jantar. Não com Cláudia. Ou, pelo menos, não para Cláudia. Jantamos em um excelente restaurante. Bebemos um vinho maravilhoso. Conversamos durante duas horas. Os mais diversos e variados assuntos. Ela falou, falou e eu, escutei, escutei. Encantado. Por sua paixão, seus sentimentos, sua vivacidade, sua entrega, seu “pertencer”.  Percebi, então, que era aquilo que me atraíra desde a primeira vez, esse seu desejo, essa sua certeza de pertencer à torrente da vida. Queria desesperadamente um pouco para mim. Participar dela, participar de Cláudia, seria participar da torrente da vida. Ela seria meu portal de entrada para isso tudo.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;Seria, na teoria. Mas, na prática, não o foi. Saímos do restaurante, fomos para um motel, transamos. O sexo foi excelente. Muito melhor do que tem sido com a minha esposa nos últimos dois, talvez três anos. Mas, depois, voltou-me o vazio. Voltou-me a dor. Tudo fora em vão. Minha ultima chance de conexão com a humanidade estava perdida. Estava perdida para sempre. Eu estava perpetuamente condenado à janela. Só me restava a janela...&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal; "&gt;*     *     *     *     *&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal; "&gt;A partir de então, tudo se resume a espera. Só planejar e esperar. Conto os dias. Porém, sem expectativa, sem ansiedade. Nada de suor na palma das mãos e tremores. Só um gradual aumento no número de cigarros fumados, mas isso já estava acontecendo antes, ou não? Sinto-me com um mochileiro que perdeu o último trem em uma cidade sem albergue da juventude... sinto-me como Ringo no último single... qual seria mesmo...?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;Então, espero, espero pelo meu céu de brigadeiro, pela minha noite perfeita. Dia a dia acompanho a previsão do tempo. Checo tudo. Tudo deve estar perfeito. Temperatura. Umidade relativa do ar. Velocidade do vento....&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal; "&gt;*     *     *     *     *&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal; "&gt;A grade de proteção para crianças cede com meu peso. Não sou gordo, nem estou acima o peso. A grade simplesmente faz jus ao nome. Cede. Despencando 25 andares. Eu não vou junto. Não me deixo ir junto. Meu instinto de sobrevivência joga todo o meu peso sobre minha perna esquerda, ainda firme no terraço. Caio para trás e observo a grade realizar a trajetória que deveria ser minha. Só minha. Enquanto observo a grade, me ocorre que tudo isso, essa preparação, o salto, tudo não passou de outra tentativa vã. Outra tentativa vã de fazer parte da humanidade. Desta vez, de forma um tanto dramática, de entrar arrebentando a porta, de mergulhar na torrente da vida...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;Seria um grande erro. Foi melhor assim. Os curiosos, os jornais. Sou reservado demais para isso. Sou reservado demais para romper o segredo do meu afastamento, até mesmo, por meio da morte.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;Levanto-me. Permaneço ali. Em pé. Parado. Olhando a cidade. Acendo um cigarro. Fico ali. Como Paul na capa do Abbey Road. Vivo. Afinal, no fundo, nunca acreditei na teoria de sua morte mesmo...&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;“Estamos de volta, amor”. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;Jogo o cigarro recém aceso. Calço meu sapato. Pego o bilhete, amasso-o, ponho-o no bolso do paletó. Caminho até ela. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;“Amor, o que você está fazendo de terno?”&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;“Amor, você não vai acreditar. Eu quase morri agora”. Corro até ela e a abraço forte, apertado. Ela sente o odor dos cigarros em mim, mas não fala nada. Mente – ou melhor, omite - para me agradar. Deve estar aprendendo por meio da convivência...&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1913476363751269612-7393999764868466088?l=nobreordinario.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nobreordinario.blogspot.com/feeds/7393999764868466088/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1913476363751269612&amp;postID=7393999764868466088' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1913476363751269612/posts/default/7393999764868466088'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1913476363751269612/posts/default/7393999764868466088'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nobreordinario.blogspot.com/2009/03/da-janela-lateral.html' title='Da janela lateral'/><author><name>Brunão</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_jSKVTbU47EI/Sb2Keq_nGsI/AAAAAAAAAUk/aAui6rKKPJY/s72-c/Paisagem+da+Janela.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1913476363751269612.post-7524386531561364344</id><published>2009-02-21T14:27:00.000-08:00</published><updated>2009-03-16T05:33:08.805-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Caism Notícias (Filosofemas Simples)'/><title type='text'>Sobre a Morte Serena</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_042Q5imdD7k/SaCABYkBDxI/AAAAAAAAAbA/s2RFWp3OB4I/s1600-h/03eutanasia.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 364px; DISPLAY: block; HEIGHT: 364px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5305381122304184082" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_042Q5imdD7k/SaCABYkBDxI/AAAAAAAAAbA/s2RFWp3OB4I/s400/03eutanasia.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;por Denis Barbosa Cacique&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;O falecimento da italiana Eluana Englaro, três dias após terem sido suspensas sua nutrição e hidratação, acabou por colocar mais lenha na fogueira da já acalorada discussão em torno da eutanásia. Vítima de um acidente de carro, ela encontrava-se em estado vegetativo fazia 17 anos. Nessa condição, embora o ser humano conserve suas funções vitais, faltam-lhe consciência de si e do ambiente, além de reações comportamentais a estímulos externos. De certo modo, falta-lhe também esperança, porque, mesmo hoje, ainda não há métodos diagnósticos que possibilitem determinar a reversibilidade de quadros desse tipo. Tendo isso em vista, não é difícil encontrar quem considere que a vida, nessa condição, bem como em outros quadros de alta gravidade, torna-se um peso insuportável tanto para o doente como para os seus entes. Donde concluem que a morte, nesses casos, é, antes de tudo, um benefício para o enfermo e as pessoas que o cercam. Mas nem todo mundo pensa assim. Os cristãos, por exemplo, vêem a vida como uma dádiva divina, que, enquanto tal, deve ser preservada mesmo em momentos de grande sofrimento. Ora, que lado está correto, afinal? &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Embora a discussão em torno da eutanásia pertença à esfera da ética, ou melhor, da bioética, seus opositores e defensores não devem ser vistos através a lente simplista e freqüentemente imprecisa do maniqueísmo. Dizer que um deles representa o bem, ao passo que o outro, o mal, requer que se ignore o fato de que ambos crêem estar lutando pelo que consideram ser correto, e, mais do que isso, que os argumentos com os quais eles se digladiam parecem ser igualmente válidos, embora tenham objetivos claramente contrários. As duas frentes crêem ser defensoras da dignidade de doentes em quadros irreversíveis. E advogam pelo direito de o ser humano recusar tratamento e encerrar uma vida carregada de sofrimento físico e psíquico, ou, por outro lado, pelo direito de o ser humano manter-se vivo, ainda que ele mesmo não possa manifestar esse desejo e ainda que seja uma vida repleta de desconfortos e de sofrimento. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Deixando de lado o fato de que há diferentes tipos de eutanásia e que os debates a favor e contra cada um deles, o ativo e o passivo, são tão calorosos quanto o próprio debate a favor e contra a eutanásia, pode-se elencar quatro argumentos comumente empregados a favor da “morte serena”: em primeiro lugar, é um direito inalienável do ser humano a sua autonomia, quer dizer, seu direito de se autogovernar e de agir livremente; em segundo lugar, a realização da eutanásia produz mais bem do que mal, principalmente através da cessação do sofrimento; em terceiro lugar, não há substantiva distinção moral entre eutanásia ativa e passiva; e, por fim, sua legalização não produzirá malefícios à sociedade. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Do outro lado do debate, destacam-se os seguintes argumentos: primeiramente, defende-se que sua legalização poderia resultar em abusos, sobretudo se ela caísse nas mãos de pessoas inescrupulosas; em segundo lugar, contesta-se que a medicina seja uma ciência exata, e, por conseguinte, que a noção médica de irreversibilidade seja totalmente confiável; em terceiro lugar, sua legalização submeteria os doentes graves e terminais a uma terrível pressão psicológica, haja à vista que eles teriam de conviver com a idéia de que poderiam abreviar o sofrimento de seus entes caso, simplesmente, viessem a optar pela eutanásia; em quarto lugar, sua legalização abalaria os alicerces da confiança entre médico e paciente. O médico deve ser aquele que expulsa a dor do homem, e não o contrário disso. A esse respeito, vale recordar um trecho do Juramento de Hipócrates, em que se diz “Manterei o mais alto respeito pela vida humana, desde sua concepção. Mesmo sob ameaça, não usarei meu conhecimento médico em princípios contrários às leis da natureza.”; e, por fim, supõe-se que a sua legalização abriria caminho para que, mais cedo ou mais tarde, começassem a defender semelhante medida contra todo tipo de pessoas indesejáveis, como doentes mentais e criminosos, por exemplo. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Afinal, qual desses dois conjuntos de argumentos é o mais correto? Pensando bem, não é o caso de reconhecer que ambos fazem bastante sentido e que, além disso, os dois, cada um a seu modo, parecem comprometidos com o bem da humanidade? Na verdade, a grande diferença entre eles é implícita. Todo argumento possui uma pedra fundamental, uma base segura a partir da qual o raciocínio se desenvolve. Nesse sentido, o debate em torno da eutanásia é mais do que uma simples disputa entre argumentos, é uma longa jornada percorrida pela razão na busca por princípios. Mas, com as mãos estendidas à sua frente e sem saber ao certo para aonde vai, ela vagueia no universo gigantesco e assustadoramente escuro da metafísica, e é exatamente ali, onde os equívocos são perfeitamente perdoáveis, que ela tem de encontrar as pedras fundamentais da liberdade, da natureza da alma, da dignidade humana, do sagrado, dos porquês do sofrimento, do certo e do errado, do valor e do sentido da vida.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1913476363751269612-7524386531561364344?l=nobreordinario.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nobreordinario.blogspot.com/feeds/7524386531561364344/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1913476363751269612&amp;postID=7524386531561364344' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1913476363751269612/posts/default/7524386531561364344'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1913476363751269612/posts/default/7524386531561364344'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nobreordinario.blogspot.com/2009/02/sobre-morte-serena.html' title='Sobre a Morte Serena'/><author><name>Denis Barbosa Cacique</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07947579438098992716</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://bp1.blogger.com/_042Q5imdD7k/SH8bfxGdKZI/AAAAAAAAAR0/qoj_FfuKrlA/S220/de3.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_042Q5imdD7k/SaCABYkBDxI/AAAAAAAAAbA/s2RFWp3OB4I/s72-c/03eutanasia.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1913476363751269612.post-7596922125600637734</id><published>2009-02-13T11:56:00.001-08:00</published><updated>2009-02-25T12:50:38.898-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Histórias Ordinárias'/><title type='text'>É tudo culpa do Rambo</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_jSKVTbU47EI/SZXQfPXa3aI/AAAAAAAAAUU/fESFFE2yr1s/s1600-h/imagem1.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 230px; height: 101px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_jSKVTbU47EI/SZXQfPXa3aI/AAAAAAAAAUU/fESFFE2yr1s/s320/imagem1.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5302373371417910690" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: italic;"&gt;por B. F. Teixeira&lt;/span&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: italic;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: italic;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;font-family:'Times New Roman';" &gt;&lt;div style="margin: 6px; padding: 0px; min-height: 1100px; counter-reset: __goog_page__ 0; font-family: Verdana; font-size: 10pt; line-height: normal; background-color: rgb(255, 255, 255);"&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0px; text-align: justify;"&gt;&lt;span&gt;    &lt;/span&gt;Três horas. Chego em casa, cansado de tantas horas extras, ombros cheios de fardos trazidos do trabalho. Sou recebido por Babu, o coquer da família. Seu abanar de cauda frenético, olhar fixo e condescendente são os mais sinceros gestos que um ente é capaz de produzir. Ao olhar em seus olhos, obtenho meu consolo. O simples fato de que uma criatura dependa tanto de mim, faz tudo valer a pena. Um pouco da pressão que trouxe de fora deixa os meus ombros. Mas, esse é só o começo de minha recepção. A seguir, meu filho – que provavelmente acordou com aos latidos de Babu – desce as escadas correndo, usando um pijama colorido, e pula em meus braços, ainda sem ter atingido o último degrau do lance. Eu o rodo. Giro-o, enquanto grito “filho” e ele gargalha alto. Sem se importar com os vizinhos, sem se importar com nada, com a doce ignorância e com suave egoísmo infantil. Rodamos tão rápidos quanto um CD e nossas risadas fluem feito dados. Durante esses instantes tudo o que sinto é alívio. O fardo de meus ombros vai pouco a pouco sendo lançado pela tangente e os meus ossos vão voltando ao local certo. Quase posso ouvi-los estralando. E, só então, vislumbro o terceiro e último ato de minha calorosa recepção. Minha esposa nos olhando do alto da escada com o doce olhar de reprovação que só as mães conseguem fazer. Largo meu filho brincando com Babu e subo a escada em passos largos e lentos – pulando um degrau a cada passo. Aos poucos, a reprovação deixa seu olhar e a ternura lança-se em um sorriso. Pego-a em meus braços, pela cintura, como costumava a fazer quando éramos apenas namorados. Ela me beija ternamente e se livra de meus braços. “Não sou mais tão leve quanto antes”. “Nem eu tão forte...” O sorriso se fecha! Uma faísca ameaça uma explosão!” “Mas, você continua linda...” A faísca se desfaz. Alarme falso. O sorriso retorna. Ela me pega pela mão e me leva até nosso quarto, onde pergunta sobre o meu dia, me escuta, faz-me uma massagem nos ombros que elimina o restante do fardo e por fim.....&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0px; text-align: justify;"&gt;&lt;span&gt;    &lt;/span&gt;Tudo isso, é claro, não passa de fruto da minha imaginação. Babu não existe, porque Keyla é alérgica a pêlo de cachorros. Ainda não testamos, mas há uma grande chance de que Telmo também o seja. Por isso, não há abanada de cauda, não há olhar de dependência, não há latidos para acordar nem Telmo, nem sua mãe. E por isso, não há risos, não há giros, não há alívio. Todo o fardo que trouxe de fora continua pensando sobre meus ombros. A única verdade é que não sou tão forte quanto antes. E, o pior, ainda manco da perna direita... Estou me sentindo um lixo e só queria não estar sozinho. Minha baía me isola também em casa. Faço alguns ruídos para acordar alguém. Inútil. Patético. Tão “Desesperate Workinghusband”. Paro, antes de parecer uma menininha. Conformo-me com a idéia de que o único calor que encontrarei esta noite, virá da garrafa de martini em meu bar.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0px; text-align: justify;"&gt;    Encho o copo e largo o corpo no sofá, uma versão decadente de “Um morto muito louco”. Parte do líquido cai sobre a camisa. Lamento mais pela bebida do que pela camisa. Lamento. Tanto pesa o pesar que é só o que faço. Lamentar. Só o que sinto. Não tenho forças nem ao menos para sentir raiva. Devia, agora, tirar a camisa num estourar de botões estilo Superman, mas, ao invés disso, desabotôo-a como se cada casa estivesse dentro de minha pele. Um botão, uma bebericada de martini. Os botões acabam. O copo termina. Lamento. Reencho-o. Lamentar era tudo o que eu realmente queria fazer agora. Mas, não há ninguém para ouvir. &lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0px; text-align: justify;"&gt;&lt;span&gt;    &lt;/span&gt;Levanto-me lentamente e caminho em direção a vidraça do meu apartamento. Os faróis não passam apressados. Nenhum. Apenas as luzes dos postes lutam para iluminar a noite tempestuosa. A cidade está deserta. A cidade está parada. É a &lt;b&gt;Merda&lt;/b&gt;. Como eu batizei este fenômeno. Fenômeno que eu previ há quase 30 anos. Há 30 anos eu já tinha sentido seu cheiro.  A nova geração vindo correndo até a minha. Esta nova  geração de bundas amolecidas e pés de carpetes fofos não poderia recorrer à seus próprios pais -   gordos, mancos, criados a McDonalds e Prozac. Tudo o que restaria a eles, frágeis crias dos 00’s, seria vir à nos – filhos dos 80’s – de joelhos, chorando, implorando, por salvação. E eu, e nós, em pé, ainda em forma, com a farda indefectível, um uníssono: NÃO!!! Que ressoaria por seus ouvidos danificados pelas merdas de seus Ipods ou Mpqualquercoisa. E, aí, desacostumados com o som dessa palavra, os 00s se perdem e correm sem direção como uma manada perdida. Até encontrar um predador - o cano frio de uma arma – e ouvir o mais assustador de todos os rugidos – “Perdeu, playboy”  - seguido de dois estampidos. O cano torna-se quente. O sangue tentando escorrer para os sempre entupidos esgotos desta cidade... Rico ou pobre, não importa. A questão sempre foi : essa geração ia se matar. Por diversão ou por um tênis, para colocar vídeos bizarros na internet ou para ter dinheiro para equipar o carro. Vocês sempre estiveram fadados a se matar, geração 00!! A polícia impotente. Nós nas ruas! Com nossas fardas indefectíveis, NÃO em uníssono para os dois lados! Eu previ isso! Senti o cheiro da merda! Eu devia estar lá embaixo! Liderando-os! Mas, agora, não passo de um gordo, manco, funcionário burocrático. Tomo Prozac e como McDonald's. Até parece que baixei pra geração 90. Não passo de um Aspone do caralho! Aspone do Caralho! É isso que eu sou. A vida inteira eu fui treinado para fazer algo importante, e justo agora, na hora em que é preciso, na hora em que mais precisam de mim, na hora em que eu sabia que seria preciso, eu não passo de um Aspone do Caralho! Aspone manco do Caralho! Todos cagam para mim! E com razão! Eu não estou lá embaixo e é tudo culpa do...&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0px; text-align: justify;"&gt;&lt;span&gt;    &lt;/span&gt;A campainha toca e me tira dos pensamentos. Caminho até a porta. Copo na mão bebericando o Martini. Olho pelo olho mágico: Almeidinha. Filho do Tenente Almeida. Mora no prédio. Nunca veio aqui. O que faz aqui uma hora dessas? Só pode ser merda. Veio me fazer pergunta de merda.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0px; text-align: justify;"&gt;Abro a porta.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0px; text-align: justify;"&gt;&lt;span&gt;    &lt;/span&gt;“Almeidinha”. Sei que ele odeia. Para irritar o moleque mesmo. Quem sabe provocar uma saída rápida.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0px; text-align: justify;"&gt;&lt;span&gt;    &lt;/span&gt;“Ferrara, desculpa por ter vindo essa hora. Mas, eu vi a luz acesa. Posso entrar? Não vou demorar.”&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0px; text-align: justify;"&gt;&lt;span&gt;    &lt;/span&gt;“Pode”.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0px; text-align: justify;"&gt;&lt;span&gt;    &lt;/span&gt;“Só quero fazer umas perguntas...”&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0px; text-align: justify;"&gt;&lt;span&gt;    &lt;/span&gt;“Que perguntas?...”&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0px; text-align: justify;"&gt;&lt;span&gt;    &lt;/span&gt;“Bom, eu acabei de assistir Rambo V e.....”&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0px; text-align: justify;"&gt; &lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0px; text-align: justify;"&gt; &lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0px; text-align: center;" align="center"&gt;*    *    *   *   *&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0px; text-align: justify;"&gt; &lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0px; text-align: justify;"&gt;&lt;span&gt;    &lt;/span&gt;Tenente Almeida. Pergunte a qualquer um de minha geração e deverá ouvir a mesma resposta: “grande homem”. Ninguém fala mal dos mortos, ainda mais entre nós. Ainda mais dos mortos em combate. Combate!? Você deve estar se perguntando com estranheza. É claro, é compreensível, diante do que vejo ao longe pela janela, diante do que meus ex-colegas (que estão onde EU deveria estar) enfrentam nas ruas todos os dias, diante do que você, civil, vê na sua vizinhança diariamente, “aquilo” pode parecer pouco. Porém, jamais ouse reduzi-lo a um homicídio ou a um acidente. Aquilo FOI um combate. Não apenas por suas proporções para época, mas porque aquilo foi o sinal. O sinal de que algo terrivelmente errado estava começando, estava aflorando de dentro de nós e estava piorando. Foi naquele momento, sob a chuva torrencial, peito na mira do rifle, que previ a tragédia que agora se abate sobre, sob e em volta de nós. Sim! Eu estava lá! Essa é a outra razão pela qual insisto em chamar o evento de combate. Pois, se a Guerra Fria é chamada de Guerra, aquilo pode ser chamado de combate. Eu estava lá. Senti a tensão, a batalha psicológica, a caçada, o destino do mundo no fiel dos gatilhos. Ao menos, o destino de nossos mundos. Naquela noite, um mundo, ao menos, acabou. O mundo do tenente Almeida! Ele não devia ter aparecido lá. Aquela era minha missão! Tenente Almeida dizia conhecer o mundo, os seres humanos. E jamais se envergonhou de fazer uso desse conhecimento para ridicularizar, humilhar e parodiar. Mas, o mundo estava mudando, naquele exato momento. E ele não foi capaz de perceber. Essa foi a diferença entre nós dois, ainda que eu tenha pago um preço alto demais. É sobre essa noite que Almeidinha veio me perguntar, eu sei.  Agora, como contar algo que não gosto de lembrar nem sob efeito de uma garrafa de Martini? Talvez, nem mesmo sob o de duas? Mas, como negar a um filho e, agora, companheiro de armas, uma explicação sobre a morte do próprio pai? Como negar-lhe algo que não é apenas uma questão de direito, mas de honra?&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0px; text-align: justify;"&gt;&lt;span&gt;    &lt;/span&gt;Interrompo-o. Faço-o um sinal para que entre. Outro para que sente. Ainda sem dizer nada pego um copo e coloco a sua frente na mesa de centro da sala. Sento na poltrona olhando em seus olhos. Encho seu copo. Reparo em seus maneirismos. Almeidinhha está visivelmente nervoso. Coloca e tira as mãos do bolso a todo instante, movimenta as pernas repetidamente marcando um ritmo inaudível, pisca quase em código-morse (só com as curtas). Não, Almeidinha não está nervoso. Isso transcende o nervosismo, suas olheiras são a prova cabal: Síndrome do Combatente Urbano (ou Síndrome do Paulistano, como prefere a parte mais vingativa da imprensa carioca). Talvez, haja uma forma de contornar o assunto daquela noite...&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0px; text-align: justify;"&gt;&lt;span&gt;    &lt;/span&gt;Almeidinha vira o copo. Seu rosto se distorce todo. Tsc. Fraco. Acostumado com Ices, misturas com energéticos e outras merdas do tipo. Típico fruto de sua geração. Não me surpreende que a campanha urbana seja tamanho fracasso. Encho seu copo novamente e coloco meu plano em prática antes que ele coloque o seu. Afinal, não deixarei que um moleque me ataque diretamente em meu próprio território:&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0px; text-align: justify;"&gt;&lt;span&gt;    &lt;/span&gt;“Como estão as coisas lá embaixo?”&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0px; text-align: justify;"&gt;&lt;span&gt;    &lt;/span&gt;“Um inferno”.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0px; text-align: justify;"&gt;&lt;span&gt;    &lt;/span&gt;“Quando você volta?”&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0px; text-align: justify;"&gt;&lt;span&gt;    &lt;/span&gt;“Amanhã”.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0px; text-align: justify;"&gt;&lt;span&gt;    &lt;/span&gt;“Só um dia de folga?”&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0px; text-align: justify;"&gt;&lt;span&gt;    &lt;/span&gt;“É”.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0px; text-align: justify;"&gt;&lt;span&gt;    &lt;/span&gt;Só um dia de folga e o moleque vai ver Rambo V E depois ainda vai querer ouvir detalhes da morte do pai – que não foi um derrame ou um ataque cardíaco. Para fechar a noite de modo agradável, vou propor que vejamos “Apocalipse Now”. A Síndrome da Burrice é ainda a pior das síndromes.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0px; text-align: justify;"&gt;“É calmo aqui... quase não se pode ouvir os disparos... as explosões... sabe como nós chamamos aqui?”&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0px; text-align: justify;"&gt;&lt;span&gt;    &lt;/span&gt;“Perdizes?”&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0px; text-align: justify;"&gt;&lt;span&gt;    &lt;/span&gt;“Não, o outro lado da linha de tanques?”&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0px; text-align: justify;"&gt;&lt;span&gt;    &lt;/span&gt;“Não...”&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0px; text-align: justify;"&gt;&lt;span&gt;    &lt;/span&gt;“Céu... Fronteira de São Pedro é como nós chamamos a linha de tanques.”&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0px; text-align: justify;"&gt;&lt;span&gt;    &lt;/span&gt;“Para onde você vai amanhã?”&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0px; text-align: justify;"&gt;&lt;span&gt;    &lt;/span&gt;“Guarulhos”.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0px; text-align: justify;"&gt;&lt;span&gt;    &lt;/span&gt;“Ouvi dizer que as coisas estão difíceis por lá”&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0px; text-align: justify;"&gt;&lt;span&gt;    &lt;/span&gt;“O Vietnã Urbano. É como estão chamando. Não estão exagerando”.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0px; text-align: justify;"&gt;&lt;span&gt;    &lt;/span&gt;“Talvez, sim. Ainda não começou a chover Napalm pela manhã. O governo continua a negar a autorização para bombardeios”.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0px; text-align: justify;"&gt;&lt;span&gt;    &lt;/span&gt;“É só uma questão de tempo até cansarmos de perder homens e mandar o governo à merda. A Fronteira de São Pedro está pronta para fazer as bombas voarem como varejeiras na carniça”.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0px; text-align: justify;"&gt;&lt;span&gt;    &lt;/span&gt;“Burocratas. Então não é uma questão de tempo, é uma questão de cadáveres”.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0px; text-align: justify;"&gt;&lt;span&gt;    &lt;/span&gt;“Já perdermos muitos homens bons, me emputece saber que teremos que perder muitos mais para que esses colarinhos brancos do caralho abram os olhos” – ergue o punho cerrado como se fosse socar a mesinha, mas aperta os olhos e se contém no que parece ser um esforço hercúleo, treme todo antes de recuperar a pose.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0px; text-align: justify;"&gt;“Mas, não foi dessas mortes que eu vim tratar. Foi de uma morte específica. E você sabe disso”.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0px; text-align: justify;"&gt;Minha vez de tremer.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0px; text-align: justify;"&gt;    “Você já deve ter ouvido essa história milhares de vezes...”&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0px; text-align: justify;"&gt;   “As pessoas sempre tiveram pudores em comentá-la perto de mim. Nunca a ouvi do jeito que queria, você é o único capaz de contar... Eu preciso saber.... Amanhã, vou voltar para aquele inferno onde posso ser o próximo homem bom a cair!” – Os tremores, as piscadas aumentam, passam a um ritmo frenético. Seguro em seu braço de forma forte, quase paterna, transmitindo calma para evitar um ataque.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0px; text-align: justify;"&gt;    “Tudo bem”.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0px; text-align: justify;"&gt;    Ele se senta. Diminuindo o ritmo das piscadas, dos tremores.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0px; text-align: justify;"&gt;    “Só um instante”&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0px; text-align: justify;"&gt;   Caminho até o banheiro. Garrafa de Martini na mão. Dou uma golada no gargalo. Meu ataque falhou. Ele me fez lembrar. Entro no banheiro, fecho a porta e paro diante da pia encarando o espelho. Vejo em meus olhos a tensão voltando, a preparação para matar, para morrer: o instinto guerreiro! A vontade de destruir volta com tudo. Depois de todos esses anos sublimada atrás de uma mesa e seus papéis, ela volta: destruir, destruir, destruir!&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0px; text-align: justify;"&gt;Ergo a garrafa sobre a cabeça como uma clava e inspiro forte... Destruir! Expiro de uma só vez em um brado bárbaro enquanto meu braço desce em um golpe violento contra a pia. Espero pelo ruído de centenas de cacos de vidro contra ao chão. Ao invés disso, há apenas um baque surdo: a pia! A pia quebrou! A garrafa está intacta! Inspeciono-a incrédulo, mas não encontro rachadura que seja. Um milagre! Um sinal! Meu instinto guerreiro será revisitado esta noite, mas para isso devo beber a garrafa toda. Ela será minha companheira, minha guia, meu norte, como minha 9mm foi naquela noite fatídica. Ela será o instrumento de minha coragem, ela salvará minha vida. Não mais se quebrará. Dou outra golada e retorno para a sala mais do que pronto para confrontar Almeidinha. Sento-me na poltrona a sua frente. Reparo em seus tiques da síndrome do paulistano, dou uma longa golada no gargalo e começo a contar...&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0px; text-align: justify;"&gt; &lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0px; text-align: justify;"&gt; &lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0px; text-align: center;" align="center"&gt;*    *    *   *   *&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0px; text-align: justify;"&gt; &lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0px; text-align: justify;"&gt;&lt;span&gt;    &lt;/span&gt;Era diferente naquela época. Eram os anos 80. Estávamos no controle do país. Já havia alguma abertura, mas ela ainda não tinha chegado até nossa unidade. Afinal, era uma unidade de elite. Havia combatido na segunda guerra. Na Segunda Guerra Mundial!! Nela, um recruta ainda pertencia a seu superior. Nela, eu e Cabelo pertencíamos a seu pai.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0px; text-align: justify;"&gt;Seu pai não era um homem fácil. Era um homem amargo, cínico. Passara a primeira metade da vida preparando-se para algo que – do seu ponto de vista – jamais veria. Não sei se por amargura ou por cinismo, talvez por um pouco de cada, resolveu passar a segunda metade preparando outros para a mesma coisa. Jamais acreditou em nada como “ou deixar a pátria livre ou morrer pelo Brasil”, apenas o prazer sádico de compartilhar sua frustração o motivava. O prazer de disseminar a desilusão. O que, quando se está submetido a um treinamento como aquele, tem efeitos devastadores. Na sua moral, na sua cabeça. Eu não me deixei envolver, porque de alguma forma eu sabia que seu pai estava errado. O Cabelo, infelizmente, não tinha uma capacidade de previsão tão aguçada ou convicções tão fortes. E, de alguma forma, aquilo tudo foi mexendo com ele, mas não como seu pai esperava...&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0px; text-align: justify;"&gt;&lt;span&gt;    &lt;/span&gt;Não tinha como prever, não tinha como saber. Ele não tinha manias estranhas, olhares psicóticos, não repetia frases... não tinha como saber. Um dia, tomando uma cerveja, em uma de nossas folgas, olhou para cima e disse: “Um dia, ainda meto uma azeitona nos córneos o Almeida”. E eu ri. Não me olhe com essa cara! Se bastasse isso teriam mantido o batalhão inteiro sob constante vigilância. Acredite em mim, não tinha como saber o modo com que a coisa toda tinha bagunçado com a cabeça dele. Eu mesmo só vim a saber alguns anos depois...&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0px; text-align: justify;"&gt; &lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0px; text-align: center;" align="center"&gt;*    *    *   *   *&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0px; text-align: justify;"&gt; &lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0px; text-align: justify;"&gt;&lt;span&gt;    &lt;/span&gt;Eu já era sargento. Cabelo era cabo. Era uma noite de verão. Ele estava de folga, eu de serviço. O tédio de sempre, até que fui chamado ao comando. Na sala estavam seu pai e Sasserini, comandante da unidade. Quando o vi, tentei logo imaginar que tipo de merda meus recrutas podiam ter feito. Que tipo de merda (uma bem foda, é claro) seria capaz de trazer Sasserini ao QG num sábado a noite? Entrei, bati continência. Sasserini ordenou que me sentasse. Assim que sentei-me, virou-se para mim num repente como uma besta-fera:&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0px; text-align: justify;"&gt;&lt;span&gt;    &lt;/span&gt;“Onde ele está? Onde ele está?” A cara grande e gorda, a barba grisalha por fazer, a poucos centímetros do meu rosto. Os olhos esbugalhados fixos nos meus. Gritava e cuspia, gritava e cuspia. Pelo canto do olho podia ver seu pai no canto da sala rindo pelo canto da boca. “Onde ele está? Onde ele está?” Gritava e cuspia, gritava e cuspia. E o som preenchia a sala como uma maré rouca. E eu como um rochedo. Firme. Esperei.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0px; text-align: justify;"&gt;&lt;span&gt;    &lt;/span&gt;“O senhor se refere a quem?”&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0px; text-align: justify;"&gt;&lt;span&gt;    &lt;/span&gt;“Cabo Souza. Está ciente de seu paradeiro, sargento?”&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0px; text-align: justify;"&gt;&lt;span&gt;    &lt;/span&gt;“Não, senhor”&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0px; text-align: justify;"&gt;&lt;span&gt;    &lt;/span&gt;“Tem certeza, sargento? Tem certeza, sargento?” Aproximou-se ainda mais. Gritou ainda mais. Banhou-me ainda mais. Porém, dessa vez, deu-se por satisfeito com apenas uma repetição.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0px; text-align: justify;"&gt;&lt;span&gt;    &lt;/span&gt;E, então, eles me explicaram. Cabelo – Cabo Souza para eles – havia ido a uma festa naquele sábado. Uma festa a fantasia, trajado de Rambo. Tudo poderia ter acabado bem se ele não tivesse “emprestado” um fuzil da unidade para deixar a fantasia mais real. Tudo ainda poderia ter acabado bem se ele não tivesse levado munição e não tivesse deixado uma garota tocar o fuzil, o que resultou em uma pequena rajada acidental, no fim da festa e em um pequeno caos no centro da cidade. Quando a polícia chegou, vinte minutos depois, Cabelo já tinha tido tempo para fugir e se esconder umas três vezes.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0px; text-align: justify;"&gt;&lt;span&gt;    &lt;/span&gt;Hey! Não faça essa cara! É verdade! Lembre-se que eram os anos 80! Naquele tempo, um fuzil, era um fuzil, uma coisa a se respeitar. Não é como agora que você escuta disparos em cada esquina. Uma rajada, naquela época, era coisa de Vietnã. E aquele seria o meu Apocalipse Now. Pois, eu saí daquela sala com uma missão: encontrar o Cabo Souza, prendê-lo, recuperar o fuzil e o restante da munição.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0px; text-align: justify;"&gt; &lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0px; text-align: center;" align="center"&gt;*    *    *   *   *&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0px; text-align: center;" align="center"&gt; &lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0px; text-align: justify;"&gt;&lt;span&gt;    &lt;/span&gt;Eu era o homem certo para a missão. Era rígido, disciplinado, focado. E, é claro, conhecia o Cabelo desde pequeno. Sabia onde ele morava. Conhecia sua mãe. Era seu amigo antes e durante todo o serviço militar. E, além de tudo isso, ainda tive um namorico com a sua irmã. Foi por isso que a primeira coisa que fiz para saber onde o Cabelo estava entocado foi falar com ela. Porque ela sabia onde ele estava. Eu conhecia o amigo que tinha. Ele era assim. Surtava quando uma merda acontecia, saia do prumo, não sabia o que fazer. Sempre tinha sido assim. Desde pequeno. Não ia ter mudado de uma hora para outra. Precisava de alguém que lhe dissesse o que fazer, para onde ir, até que esfriasse a cabeça. Eu estava no QG de serviço. Sobrava sua irmã. Fui fardado para demonstrar importância.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0px; text-align: justify;"&gt;&lt;span&gt;    &lt;/span&gt;No começo ela tentou esconder o paradeiro do irmão, disse que ele ia se entregar mais tarde. Mas, eu a convenci que já era tarde demais. E ela me contou: Ele estava na fazenda da família. Sem mais, peguei meu carro, minha 9mm e parti.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0px; text-align: justify;"&gt; &lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0px; text-align: center;" align="center"&gt;*    *    *   *   *&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0px; text-align: justify;"&gt; &lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0px; text-align: justify;"&gt;&lt;span&gt;    &lt;/span&gt;Já era noite quando cheguei. Uma noite escura. Chovia. Chovia torrencialmente. Barro por todo o lugar. Parei o carro em frente a porteira, desci, abri-a, voltei para o carro e entrei na propriedade. Bastaram esses breves segundos para encharcar a minha farda. Nada. Nem sinal do Cabelo. Quando terminava de manobrar o carro, ouvi um ruído. Não era um trovão, era um disparo. Um disparo de fuzil. Um disparo de aviso.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0px; text-align: justify;"&gt;    Segui a direção da origem dos disparos. Meu coturno afundando até o começo do cano. A chuva e a noite escura dificultando minha visão.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0px; text-align: justify;"&gt;    "Alto lá" - a voz do Cabelo. Um relâmpago iluminou a noite e pude vê-lo claramente. Estava em uma trincheirinha, o rosto quase irreconhecível numa mistura de pele, lama, cabelos emaranhados e a faixa vermelha. Uma imagem cômica, não fosse o fuzil apontado para mim. Não fosse o peso da mira sobre o meu peito.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0px; text-align: justify;"&gt;    "Sandro, sou eu. Sandro, larga essa arma e vamos embora".&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0px; text-align: justify;"&gt;    "Não! Eu quero o Comandante Almeida! Onde está o Comandante Almeida!?"&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0px; text-align: justify;"&gt;    "Ele não está aqui. Eu fui mandado. Para levar você de volta."&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0px; text-align: justify;"&gt;    "Não! Eu quero o Almeida! Não saio daqui enquanto ele não vir limpar a sujeira que fez!"&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0px; text-align: justify;"&gt;    "Sandro, ele não vai vir. Vamos embora".&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0px; text-align: justify;"&gt;    "Não! Dá meia volta e telefona pro QG!"&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0px; text-align: justify;"&gt;    "O que!?"&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0px; text-align: justify;"&gt;    "Telefona pro QG e diz que eu quero o Almeida. Só volto, só devolvo tudo quando ele vier buscar!"&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0px; text-align: justify;"&gt;    "Eu não vou fazer isso. Sandro, por favor, é melhor pra você..."&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0px; text-align: justify;"&gt;    "Caralho, Pedro!! Eu não estou brincando!!"&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0px; text-align: justify;"&gt;    Então, ele preparou. Apontou. Senti o peso da mira aumentar sobre o meu coração. Ele dispararia. Tenho certeza.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0px; text-align: justify;"&gt;   Fomos interrompidos por dois faróis que rasgavam a noite escura. E iluminavam a trincheira. Só então pude ver meu amigo claramente. Sua expressão, seu olhar. Neles, não havia nada de patético ou de engraçado. Pelo contrário, havia um ar para lá de resoluto, mais do que determinado. Havia algo de anormal em sua expressão, algo havia acontecido com sua cabeça... e eu só pude perceber naquele instante...&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0px; text-align: justify;"&gt;   "Hey, Souza... dessa vez você aprontou uma "merda-foda". Tsc, tsc. Vamos lá, passe o fuzilzinho para cá e eu vou tentar limpar a sua cagada". Era seu pai. Havia me seguido.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0px; text-align: justify;"&gt;    "Almeida..."&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0px; text-align: justify;"&gt;    "Comandante Almeida... É melhor não se aproximar senhor, por favor".&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0px; text-align: justify;"&gt;    "E o que ele vai fazer? Atirar em mim? Você não vai atirar em mim, não é Souza?" Senti o coração sendo aliviado do peso da mira.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0px; text-align: justify;"&gt;    "Senhor, não se aproxime".&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0px; text-align: justify;"&gt;    "Ouvi direito, sargento? Você está me dando uma ordem? Isso foi uma ordem?"&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0px; text-align: justify;"&gt;    "O senhor está interferindo com o bom andamento de uma missão oficial" - saquei minha 9mm e apontei contra seu pai - "Não vou pensar duas vezes antes de abrir fogo".&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0px; text-align: justify;"&gt;    Então, houve um disparo. Cabelo. Meu joelho direito. Seu pai correu para me ajudar, eu tentei disparar antes, mas a dor me tornou lento. Uma rajada curta atingiu o peito do seu pai antes que eu pudesse disparar.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0px; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0px; text-align: center;"&gt;*    *    *   *   *&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0px; text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0px; text-align: justify;"&gt;    Assim, terminou aquela noite. Seu pai e meu melhor amigo mortos. E eu incapacitado de tomar parte do evento para o qual treinei, do evento pelo qual esperei, de ajudar na hora em que mais precisam de mim".&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0px; text-align: justify;"&gt;    "O senhor ajuda, Sargento".&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0px; text-align: justify;"&gt;    "Mas, não lá embaixo. Não do jeito que eu gostaria. Não do jeito que é preciso". Termino mais uma dose de Martini.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0px; text-align: justify;"&gt;    "Peço desculpas por lhe fazer relembrar essa história. Mas, eu precisava ouvi-la dessa maneira. Precisa ouvi-la contada por você.."&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0px; text-align: justify;"&gt;    "Entendo... mas, posso fazer uma pergunta?"&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0px; text-align: justify;"&gt;    "Claro".&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0px; text-align: justify;"&gt;    "De onde veio esse desejo de saber a verdade toda, agora? É mesmo verdade a história do Rambo V?"&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0px; text-align: justify;"&gt;    "Por que a pergunta?"&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0px; text-align: justify;"&gt;    "Não... é por que... bom, seu único dia de folga... achei estranho escolher um filme de guerra..."&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0px; text-align: justify;"&gt;    Almeidinha ri. "É mentira. Na verdade, ontem, eu recebi a visita do Dr Guedes, o médico da unidade na época, e ele me contou uma versão bem diferente da história..."&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0px; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0px; text-align: center;"&gt;*    *    *   *   *&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="margin: 0px;"&gt; &lt;/p&gt;    Tento alcançar a garrafa no centro da mesa. Mas, ele é mais rápido e forte, golpeia meu joelho com o seu. O golpe é seco e traz a dor do disparo de volta do baú das lembranças. Minha guarda se abre. Seu punho atinge minha face em cheio. Desabo sobre minha mesinha de centro, meu braço esbarra na garrafa, sem conseguir pegá-la, ela cai, e se quebra ao tocar ao chão. Sinto o sangue melar meu rosto, dificultar minha respiração, encher meu paladar com seu gosto ferroso. Almeidinha se coloca sobre mim, olhos esbugalhados, mãos tremendo, pressionando o meu pescoço:&lt;br /&gt;&lt;div style="margin-top: 0px; margin-bottom: 0px;"&gt;    "Guedes disse que ninguém averiguou. Que a bala que matou meu pai não fez uma trajetória ascendente. Fez uma trajetória retilínea! A bala não partiu da trincheira!! Você o matou! Você o matou!" - bate minha cabeça contra o chão da sala duas vezes - "Por que!?? Por que?!?? Não faz sentido!! Não faz sentido!! Seu amigo já estava morto!! Você já estava inválido!! Por que!?? Por que!!?? Vim até aqui para saber!! Por que!?? Por que!?? Não faz sentido!! Não faz sentido!!&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-top: 0px; margin-bottom: 0px;"&gt;    O que não faz sentido é tentar arrancar uma resposta de alguém com o nariz quebrado enquanto tenta estrangulá-lo e bate com a cabeça dele contra o chão da sala de estar. O que não faz sentido é deixar a única coisa no recinto que pode servir como arma próxima à minha mão direita. Meu instinto guerreiro voltou à toda. O corte do objeto é tosco, mas o meu é preciso. Como o de um cirurgião ou açougueiro. Rasgando, em um único movimento, jugular e carótida. Suas mãos se afrouxam, ele obtém sua resposta:&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-top: 0px; margin-bottom: 0px;"&gt;    "O que não fazia sentido, era deixar o filho da puta do seu pai sair inteiro daquela. Isso  sim, não faria sentido".&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-top: 0px; margin-bottom: 0px;"&gt;    Ninguém acordou. Estou só. Como naquela noite. Hoje a garrafa substitui a 9mm. Encosto no sofá enquanto Almeidinha sangra, sufoca e tenta gritar como um porco. Observo e respiro fundo. Ninguém vai averiguar. Todos culparão a sindrome do combatente urbano. Ninguém fala mal dos mortos. Ainda mais entre nós. Ainda mais dos mortos em combate. Amanhã, teremos outro enterro de herói.&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1913476363751269612-7596922125600637734?l=nobreordinario.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nobreordinario.blogspot.com/feeds/7596922125600637734/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1913476363751269612&amp;postID=7596922125600637734' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1913476363751269612/posts/default/7596922125600637734'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1913476363751269612/posts/default/7596922125600637734'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nobreordinario.blogspot.com/2009/02/e-tudo-culpa-do-rambo.html' title='É tudo culpa do Rambo'/><author><name>Brunão</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_jSKVTbU47EI/SZXQfPXa3aI/AAAAAAAAAUU/fESFFE2yr1s/s72-c/imagem1.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1913476363751269612.post-389498265883534436</id><published>2009-01-28T03:22:00.000-08:00</published><updated>2009-03-16T05:33:08.806-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Caism Notícias (Filosofemas Simples)'/><title type='text'>O Fim do Ócio</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_042Q5imdD7k/SYBBTrs8lvI/AAAAAAAAAaw/kaAhQhZRwHU/s1600-h/inflow-clock-01.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5296304968192268018" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 300px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_042Q5imdD7k/SYBBTrs8lvI/AAAAAAAAAaw/kaAhQhZRwHU/s400/inflow-clock-01.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;por Denis B. Cacique&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Já não é possível imaginar a vida moderna sem o seu corre-corre peculiar. Sintoma dessa correria é a constante sensação de que os dias deveriam ter bem mais que 24 horas. O modo de vida moderno torna cada vez mais raro o tempo livre, quer dizer, plenamente livre, como num ócio completo, sem trabalho, faculdade, trânsito e televisão: tão livre que entedia. E isso é ruim. Por mais estranho que possa soar, a verdade é que o ócio foi um fator social importante para o surgimento e desenvolvimento acelerado de importantes áreas do saber, como matemática, filosofia, política e astronomia. Essa estranha relação foi possível porque, por volta do século V a.C., a organização social das cidades gregas era basicamente machista e escravista, e uma conseqüência disso foi que os cidadãos ricos, que viviam à custa do trabalho alheio, de mulheres e de escravos, podiam se dedicar integralmente a debates públicos sobre os mais variados temas, desde política até astronomia. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A biografia de Sócrates ilustra bem a importância do ócio para o desenvolvimento do saber. Ele acreditava que todos os seres humanos já nasciam possuindo idéias verdadeiras a respeito da realidade. No entanto, só era possível despertar essas verdades por meio de um processo de recordação, no qual elas abandonavam os confins da alma para habitar o palco da consciência. Uma das formas de fazer isso era bastante simples: Sócrates propunha questões a seus discípulos e, através de um longo e sistemático debate entre eles, a solução do problema sugerido acabava se tornando evidente. Ao fim desses diálogos, seus discípulos sentiam como se a verdade tivesse sido encontrada e removida do interior de suas próprias almas, como num “parto intelectual”. Não por acaso, portanto, o método socrático de ensino recebeu um nome que é bastante familiar aos obstetras, “maiêutica”, que significa, literalmente, “arte de dar à luz”. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O problema é que debates desse tipo preenchem várias horas. Além disso, Sócrates não dispunha das conveniências de uma sala de aula. Era principalmente nas praças e nas ruas de Atenas, cidade onde viveu e passou toda sua vida, que ele dialogava com todo o tipo de pessoas. De tal maneira que bastaria supor que Sócrates passara toda sua vida trabalhando, como camponês, por exemplo, para que todos os seus ensinamentos desaparecessem. Pois, nesse caso, quase sempre lhe faltaria tempo para a reflexão e para os debates filosóficos. E, mesmo quando ele o tivesse, talvez, então, lhe faltariam energia e disposição, indispensáveis à atividade intelectual. Sem o ócio, a reflexão filosófica, bem como de todas as outras áreas do saber, é tímida, ocasional, breve e pouco promissora. Obviamente, é claro que, para alguns profissionais, como professores e cientistas, a relação para com o saber é avessa ao ócio. Mas esses casos são exceções. A maioria das pessoas não é professor nem cientista. Além disso, no Brasil, por exemplo, ainda são muitas as crianças e adolescentes que, devido a obrigações para com o sustento familiar, sequer podem freqüentar a escola, ou o fazem muito precariamente: cansados, com sono e, não raramente, com fome, assistem a aulas alternando bocejos, equações, cochilos, figuras de linguagem, lapsos de atenção e grupos carbonetos. Donde se vê que o mero freqüentar a escola não vale muita coisa, ao contrário do que ocorre quando alguém dedica livremente seu ócio à reflexão, pois, neste caso, fica evidente o real e promissor interesse pelo saber. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Às dificuldades impostas pelo trabalho vem se somar a forma moderna do entretenimento. Internet, televisão, comunidades virtuais, cinema, jogos eletrônicos e as cada vez menores distrações tecnológicas, como os celulares multifuncionais e os vídeo games portáteis, são capazes não apenas de consumir vorazmente o pouco tempo livre que possa sobrar do trabalho, como também de provocarem a angustiante sensação de que tempo algum é suficiente para que sejam vivenciadas todas as novas e quase infinitas possibilidades de diversão. Pessoas que se deixam arrastar madrugada adentro para assistir ao Big Brother compreendem muito bem essa angústia: quem lhes dera não precisar acordar tão cedo no dia seguinte. E assim se esvai não apenas o ócio, como também o sagrado tempo do repouso. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Eis, portanto, a situação do homem moderno, cujo tempo é refém do trabalho, das cargas horárias escolares, e do entretenimento de massa, os quais, atuando em conjunto, tornam cada vez mais difícil o envolvimento livre e apaixonado com o saber. Desse modo, é um exercício interessante imaginar o que seria de Sócrates caso vivesse nos dias de hoje. Será que aquele grande pensador trocaria um tedioso e complexo debate em torno, por exemplo, de questões éticas, por uma fácil noite de noticiário, novelas e reality shows? Cansado após um dia extenuante de trabalho e de horas no trânsito, nada lhe faria tão bem quanto um bocado de entretenimento fácil. De tal maneira que haveria, então, uma grande possibilidade dele se tornar apenas mais um no meio da massificada multidão de pessoas que, nas manhãs de quarta-feira, são capazes de narrar com propriedade filosófica a história da eliminação de mais um fútil sujeito do Big Brother. Porque é assim que as coisas acontecem na era do fim do ócio.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1913476363751269612-389498265883534436?l=nobreordinario.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nobreordinario.blogspot.com/feeds/389498265883534436/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1913476363751269612&amp;postID=389498265883534436' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1913476363751269612/posts/default/389498265883534436'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1913476363751269612/posts/default/389498265883534436'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nobreordinario.blogspot.com/2009/01/o-fim-do-ocio.html' title='O Fim do Ócio'/><author><name>Denis Barbosa Cacique</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07947579438098992716</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://bp1.blogger.com/_042Q5imdD7k/SH8bfxGdKZI/AAAAAAAAAR0/qoj_FfuKrlA/S220/de3.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_042Q5imdD7k/SYBBTrs8lvI/AAAAAAAAAaw/kaAhQhZRwHU/s72-c/inflow-clock-01.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1913476363751269612.post-3109292206192280474</id><published>2009-01-13T04:13:00.000-08:00</published><updated>2009-03-16T05:33:08.808-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Caism Notícias (Filosofemas Simples)'/><title type='text'>Razões para se fazer a coisa certa</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_042Q5imdD7k/SWyHD5wW0HI/AAAAAAAAAaY/PlaFlBH6jrI/s1600-h/palmada.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5290752163366490226" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 245px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_042Q5imdD7k/SWyHD5wW0HI/AAAAAAAAAaY/PlaFlBH6jrI/s400/palmada.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;por Denis Barbosa Cacique&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Um dos problemas filosóficos mais intrigantes pode ser colocado em termos bastante simples: por que fazer o bem? De certo modo, trata-se de uma questão paradoxal, pois quer nos parecer que agir moralmente quase sempre consiste em sacrificar nossos interesses em favor dos de outras pessoas, e, apesar disso, agimos assim o tempo todo, ou quase isso. Mas para quê? O que tínhamos em vista, por exemplo, quando nos dispomos a ajudar as vítimas das terríveis enchentes em Santa Catarina? Seria puro altruísmo, no sentido literal do termo? Provavelmente não. Na verdade, parece haver bons motivos para que queiramos fazer o bem. Vejamos alguns deles. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Grande parte do que consideramos boas ações é motiva por algo que chamaremos aqui de “ética prudencial”. Agir prudentemente, nesse sentido, é fazer “a” para produzir “b”, onde “b” nada mais é do que um benefício revertido ao autor da ação. Isso é mais simples do que parece. É o que fazemos, por exemplo, quando respeitamos as leis de trânsito (“a”) para não sermos multados (“b”). Empregada desse modo, a ética prudencial, embora seja capaz de produzir bons frutos, tem suas raízes secretamente enterradas no solo fértil do egoísmo e do amor próprio de quem a realiza. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;É claro que não queremos reduzir a ética a essa mesquinharia, não é verdade? Certamente há casos em que as boas ações possuem motivos muito mais nobres que a mera prudência. Nesses casos, agimos bem porque é a coisa certa a se fazer, ora bolas. E se somos o tipo de pessoa que pensa dessa maneira, é bastante provável que creiamos em Deus e sigamos seus ensinamentos. Admitamos, então, que é o caso, mas isso não eliminaria o problema da ética prudencial. Na verdade, eis um dos seus mais clássicos representantes, porque, simplificando a história, o fato é que é necessário que esteja no nosso interesse de longo prazo agir moralmente, porque, senão, quando morrermos, nossas almas arderão eternamente num mármore incandescente ou coisa que o valha. E é óbvio que não desejamos destino tão triste. Mas o maior problema não é a ética religiosa revelar-se prudencial. Grave mesmo é acreditar que questões de fé são as únicas razões para se agir moralmente. Pessoas que pensam assim são de dar medo. Supondo, por exemplo, que a crescente secularização da sociedade lhes furtasse a fé, então elas passariam a ter uma preocupante dificuldade de discernir o certo do errado. De qualquer modo, é preciso ressalvar que a ética prudencial religiosa é capaz de produz coisas muito boas, como no caso dos ex-criminosos verdadeiramente transformados pela fé – sim, eles existem. O problema é que nem todo mundo é cristão, e mesmo dentre os cristãos, há sempre aqueles que deixam de sê-los uma hora ou outra. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Tentemos, portanto, outra coisa. A ética prudencial também serve para que evitemos uma série de sanções, como as legais, por exemplo. Ótimo. Mas, novamente, há o problema de se atrelar a moralidade exclusivamente à idéia de punição. O resultado disso, como sabemos, é que a ética prudencial perde totalmente o sentido tão logo a punição deixar existir. Trocando em miúdos, é o que acontece quando a impunidade opera como um catalisador da corrupção. E se divagarmos um pouco, percebemos que também é mais ou menos isso o que acontece com os líderes de países como Estados Unidos e Israel, que, por não encontrarem o que os faça frente, nem qualquer outro país, nem a ONU, pessoa, tratado, acordo ou instituição, sentem-se bastante à vontade para bombardear e invadir a nação que bem lhes convir. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Experimentamos aqui um pouco da complexidade desse tema. Em linhas gerais, essa complexidade revelou-se no fato de não termos conseguido encontrar um motivo para agir moralmente que pudesse ser adotado como regra de conduta por todos os seres-humanos e em qualquer situação. Em todos os casos analisados, sempre descobríamos um empecilho qualquer, uma hipótese que punha tudo a perder, ou uma brecha pela qual a dúvida invadia o edifício da certeza moral e nos expulsava de lá. Mas tudo bem. Nada disso muda o fato de que parecemos dotados de uma nobre propensão para o bem (do mesmo modo como temos, sem dúvida alguma, uma sórdida propensão para mau). É bem verdade que aquela boa propensão tem o costume de se manifestar permeada com interesses mesquinhos, mas é assim que somos e é assim que agimos. E os porquês desse jeito de ser e de agir são apenas uma ínfima fração do universo de coisas cujos porquês não sabemos.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1913476363751269612-3109292206192280474?l=nobreordinario.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nobreordinario.blogspot.com/feeds/3109292206192280474/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1913476363751269612&amp;postID=3109292206192280474' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1913476363751269612/posts/default/3109292206192280474'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1913476363751269612/posts/default/3109292206192280474'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nobreordinario.blogspot.com/2009/01/razes-para-se-fazer-coisa-certa.html' title='Razões para se fazer a coisa certa'/><author><name>Denis Barbosa Cacique</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07947579438098992716</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://bp1.blogger.com/_042Q5imdD7k/SH8bfxGdKZI/AAAAAAAAAR0/qoj_FfuKrlA/S220/de3.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_042Q5imdD7k/SWyHD5wW0HI/AAAAAAAAAaY/PlaFlBH6jrI/s72-c/palmada.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1913476363751269612.post-3335046702498754513</id><published>2009-01-11T05:53:00.000-08:00</published><updated>2009-01-11T06:06:40.141-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Futebol'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Internet'/><title type='text'>Bolão Marcação Cerrada</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_042Q5imdD7k/SWn8VleatzI/AAAAAAAAAaQ/mnkXeFd7AbU/s1600-h/SANY0736.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5290036685090502450" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 300px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_042Q5imdD7k/SWn8VleatzI/AAAAAAAAAaQ/mnkXeFd7AbU/s400/SANY0736.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;por Denis Barbora Cacique&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Numa época em que a popularização da internet torna cada vez mais difícil encontrar um blog de qualidade, o &lt;a href="http://cerrada.blogspot.com/"&gt;Marcação Cerrada&lt;/a&gt;, bem como sua página irmã &lt;a href="http://bolaocerrada.blogspot.com/"&gt;Bolão Marcação Cerrada&lt;/a&gt;, mostrou-se uma grata surpresa. Criados por Vinícius Grissi, esses blogs são exemplos de que páginas independentes podem, sim, apresentar conteúdo, atualizações regulares, textos bem escritos, organização e confiabilidade. No caso do Bolão Marcação Cerrada, essas qualidades se ressaltam ainda mais. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;No ano passado, quando do início do Brasileirão, fui convidado a participar do bolão organizado por Grissi. É claro que aceitei sem pestanejar. Adoro futebol. Mas devo confessar que, a princípio, como eu mesmo já havia tentado e fracassado ao tentar organizar um bolão entre blogueiros, não botei muita fé naquilo. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Imaginava que mais cedo ou mais tarde os competidores abandonariam o bolão. Ou então que o dono do blog se fadigaria do árduo trabalho de contabilizar os pontos dos competidores ao longo de todas as rodadas do Brasileirão. Felizmente, no entanto, eu estava errado. Rodada após rodada, a competição se mostrava cada vez mais emocionante. E assim foi até a ultima rodada, quando assegurei o caneco do bolão. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Grissi conduzir a competição até o final com muita responsabilidade, transparência, respeito aos competidores, regularidade na postagem dos resultados e iniciativa e inteligência ao tentar resolver alguns poucos problemas que surgiram ao longo do campeonato. E no fim de tudo, ele apareceu com uma grata surpresa, principalmente para mim. O campeão seria presenteado com uma camiseta do seu clube do coração. No meu caso, o São Paulo. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Enfim, gostaria de agradecer ao Vinícius toda a diversão que ele possibilitou aos competidores do bolão durante grande parte do ano passado. E agradecer também, é claro, essa belíssima camisa original que estou vestindo agora enquanto faço essa exagerada (ou não) rasgação de ceda. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;No ano que vem tem mais.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1913476363751269612-3335046702498754513?l=nobreordinario.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nobreordinario.blogspot.com/feeds/3335046702498754513/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1913476363751269612&amp;postID=3335046702498754513' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1913476363751269612/posts/default/3335046702498754513'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1913476363751269612/posts/default/3335046702498754513'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nobreordinario.blogspot.com/2009/01/bolo-marcao-cerrada.html' title='Bolão Marcação Cerrada'/><author><name>Denis Barbosa Cacique</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07947579438098992716</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://bp1.blogger.com/_042Q5imdD7k/SH8bfxGdKZI/AAAAAAAAAR0/qoj_FfuKrlA/S220/de3.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_042Q5imdD7k/SWn8VleatzI/AAAAAAAAAaQ/mnkXeFd7AbU/s72-c/SANY0736.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1913476363751269612.post-3140498529162442858</id><published>2009-01-01T16:15:00.000-08:00</published><updated>2009-01-01T16:37:40.702-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Histórias Ordinárias'/><title type='text'>Agora sim, Denis: ELFOS!!!!</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_jSKVTbU47EI/SV1dPgyU9yI/AAAAAAAAAUI/WGo5THtM4zM/s1600-h/Elfos.jpg"&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;img style="text-align: justify;display: block; margin-top: 0px; margin-right: auto; margin-bottom: 10px; margin-left: auto; cursor: pointer; width: 317px; height: 320px; " src="http://2.bp.blogspot.com/_jSKVTbU47EI/SV1dPgyU9yI/AAAAAAAAAUI/WGo5THtM4zM/s320/Elfos.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5286484058683275042" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: italic;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;por B. F. Teixeira&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal; "&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: italic;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal; "&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt; &lt;/span&gt;Eu jogo &lt;a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/RPG_(jogo)"&gt;RPG&lt;/a&gt;. Há muito tempo já. Depois de tanto tempo acumulamos dezenas e dezenas de histórias. Dentre essas histórias, existem histórias especiais que chamamos de prelúdios (ou background). Histórias que contam o passado dos personagens, histórias prévias que contam os eventos da vida do personagem antes do jogo propriamente dito começar, como a vida os trouxe até ali....&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: italic;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal; "&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt; &lt;/span&gt;Quando disse ao Denis que tinha escrito um conto (e me referia a ON/OFF) e perguntara se podia publicar em seu blog, ele, conhecendo minha condição de jogador de RPG, me perguntou “Tem elfos?”. E ficou repetindo incessantemente a pergunta como uma criança de 7 anos. E, como uma criança de 7 anos, me fez prometer que eu publicaria um conto que tivesse elfos. Então, agora, uma nova história ordinária, com Elfos em homenagem ao Denis.&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: italic; "&gt;&lt;span style="mso-tab-count:1"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal; "&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt; &lt;/span&gt;Na verdade, não é nem um pouco nova, um dos meus textos de juventude (do tempo que eu ainda usava travessões, risos). Esse é um dos muitos prelúdios dos meus personagens de RPG (sim, ele é um elfo). Um prelúdio muito atípico diga-se de passagem. Nasceu de uma idéia ainda mais antiga que eu tinha de um personagem que fosse aventureiro profissional. Sem idéias de vinganças, sem vilões malignos, sem conspirações, sem masmorras, sem dragões. Apenas tragédias. Apenas destino. E nada melhor do que fazer. Um personagem que se agarrava na profissão (o primeiro workaholic da fantasia medieval??) como meio de continuar a viver. Sem mais explicações, aí está Denis, um conto com elfos...&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: italic;"&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: 18px; font-weight: bold;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: bold;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: large;"&gt;Ferimentos Cicatrizados&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: italic; "&gt;Bosque Fio-de-Prata&lt;br /&gt;4 horas antes do nascer do sol&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal; "&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: italic; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal; "&gt;“Essa deve ser a origem do nome do bosque” - pensa Authôr ao contemplar a bela imagem da lua cheia refletida nas águas escuras de um pequeno riacho. Authôr é um elfo da floresta. Membro de um povo recluso dotado de grandes conhecimentos sobre as florestas. Fisicamente são extremamente semelhantes aos homens, exceto pelos traços mais delgados e orelhas pontudas que lhes conferem sentidos aguçados. Esses sentidos, juntamente com a pouca necessidade de sono, fazem de Authôr o vigia ideal. É por isso, que está agora guardando o acampamento, enquanto seus companheiros de aventura dormem profundamente. Infelizmente, Authôr não tem tempo de admirar o “fio-de-prata”. Há alguns segundos, ruídos de passos em corrida voltaram a atenção de Authôr para as proximidades do rio. Esgueirando-se pela mata, chegou ao local onde se esconde, atrás de pequenos arbustos, esperando pela chegada do invasor. Ele está próximo. Os ruídos de passos aumentam. Seja quem for, não está tentando esconder sua aproximação. Com a proximidade, Authôr percebe agora que não é apenas uma criatura que se aproxima, mas sim, duas. Tenso com a possível invasão de seu acampamento, saca sua espada curta. Espera até que a primeira criatura passe pelos arbustos e salta sobre ela com uma velocidade e ferocidade impressionantes, levando-a facilmente ao chão. A criatura é dominada com extrema facilidade e num piscar de olhos Authôr já a tem rendida sob seu corpo, e só então percebe a verdadeira natureza da desesperada criatura.&lt;br /&gt;_ Uma Mulher Humana?!?! Exclamou, completamente perplexo.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: center;"&gt;&lt;o:p&gt; *&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;   &lt;/span&gt;*&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;   &lt;/span&gt;*&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;   &lt;/span&gt;*&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;   &lt;/span&gt;*&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;   &lt;/span&gt;*&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;   &lt;/span&gt;*&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;Vila de Kebec&lt;br /&gt;4 horas e meia antes do nascer do sol&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;Uma jovem mulher anda com passos apressados pelas escuras e espaçadas ruas da vila de Kebec. Bianca é uma moça jovem sem atrativos físicos impressionantes, mas ainda sim uma bela garota. Seus belos e bem cuidados cabelos negros contrastam com sua pele extremamente clara.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;Bianca anda com passos apressados, pois sabe dos perigos que a noite esconde. Saíra de casa, assim que recebera uma mensagem da parteira. Pedindo-lhe para ajudar a trazer mais uma criança ao mundo. Sempre se sentia bem após um trabalho de parto. Esse era o seu jeito de compensar a natureza, pela sua incapacidade de gerar uma criança. Ajudaria as mulheres a alcançar a felicidade da qual ela jamais seria capaz. Graças ao acidente. O mesmo acidente que levara seu amado, levara também a criança que carregava em seu ventre, danificando-o para sempre e impedindo que fosse capaz de abrigar outra criança.&lt;br /&gt;Perdida em seus pensamentos melancólicos, Bianca não percebeu a aproximação do fazendeiro Risiton. Um dos habitantes mais ricos da cidade, Risiton foi rejeitado por Bianca que preferiu o amor do jovem Jesk ao dinheiro de Risiton. Mas agora Jesk se fora. E não havia mais ninguém pra protegê-la do desejo quase insano de Risiton. Sabendo disso, Risiton aproveitou a chance e atacou. Perdida em pensamentos, Bianca foi dominada sem ao menos esboçar nenhum tipo de reação. Quando deu por si, Risiton estava sobre ela, rasgando a parte superior de seu vestido, expondo seus seios. Colocando-os ao alcance de sua língua lasciva e nojenta.&lt;br /&gt;Enquanto movia os braços desesperadamente pra escapar, Bianca esbarrou o braço direito em um objeto pontiagudo. Guiada totalmente pelo desespero agarrou um caco de uma jarra de cerâmica e fincou-o com todas as forças no ombro do atacante. A surpresa ,juntamente com a dor, deram a Bianca a oportunidade que ela precisava para escapar. Saiu correndo desesperada em direção ao bosque. Mesmo ferido, Risiton, que agora estava com o rosto tomado por uma fúria insana, seguiu em seu encalço. A velocidade dele era incrível. Mesmo ferido era mais veloz que ela. Estava dando tudo de si. Ignorando os cortes feitos em sua pele e roupa por pequenos galhos que invadiam a estrada. Mas isso tudo não era suficiente. Seria alcançada. Era só uma questão de tempo. Seria alcançada. E ninguém poderia ajudá-la. Seria alcançada. E sofreria terrivelmente. Tendo apenas o rio como testemunho. Então ele veio. Rasgando a mata, como um relâmpago rasga a noite escura. Antes que pudesse perceber ela estava dominada mais uma vez. Sob o corpo de mais um homem. Mas esse era diferente. Era um elfo. Estava em vestes de guerreiro. E olhava pra ela não com uma lasciva doentia, e sim com um doce espanto.&lt;br /&gt; _ Uma Mulher Humana?!?! Exclamou, completamente perplexo.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;*&lt;span&gt;   &lt;/span&gt;*&lt;span&gt;   &lt;/span&gt;*&lt;span&gt;   &lt;/span&gt;*&lt;span&gt;   &lt;/span&gt;*&lt;span&gt;   &lt;/span&gt;*&lt;span&gt;   &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Bosque Fio-de-Prata&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;4 horas antes do nascer do sol&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;_ Tire suas mãos de minha esposa – ordenou Risiton, assim que viu que Bianca havia sido interceptada por um guerreiro elfo. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;Ao ouvir as palavras do homem, Authôr se afastou solenemente de Bianca e liberou o caminho entre ela e Risiton que andava vagarosamente em direção a Bianca. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;_ Ele não é meu marido. É um louco e tentou me violentar! – esbravejou ela, enquanto tentava cobrir os seios expostos com os braços, tentando proteger-se tanto da vergonha quanto do frio.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;De repente, Risiton parou. Sua vagarosa caminhada fora interrompida pela lâmina de Authôr que estava em seu pescoço. Impedindo-o de continuar seu movimento. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;_ Você não sabe com quem está lidando...&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;_ É você que não sabe com quem está lidando. Volte agora para o lugar de onde veio. Ou serei obrigado a garantir que você nunca mais violentará mulher alguma. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;Intimidado pelas ameaças do guerreiro elfo, Risiton virou-se e voltou correndo pela estrada alimentando desejos de vingança. &lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;*   *   *   *   *   *   *&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Bosque Fio-de-Prata&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;3 horas e 30  minutos antes do nascer do sol&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;_ Beba isso. Vai se sentir melhor – sussurrou Authôr entregando a Bianca uma caneca contendo uma bebida fumegante.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;_ O que isso?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;_ É um chá. Confie em mim. Beba.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;_ Por que está sussurrando?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;_ Não quero acordar meus companheiros de acampamento.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;_ Por que?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;_ Alguns deles usam magia e precisam dormir sem serem perturbados. E além do mais não confio em todos eles...Mas isso não te diz respeito. Deve estar com sono. Pode passar a noite aqui. Não há espaço nas barracas. Mas pode usar meu saco de dormir. Está a sua direita. Devo continuar minha vigilância...&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;_ Muito obrigada.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;Bianca termina seu chá e aconchega-se no saco de dormir, intrigada com os estranhos modos de seu salvador. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;*   *   *   *   *   *   *&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Bosque Fio-de-Prata&lt;/div&gt;&lt;div&gt;3 horas antes do nascer do sol&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;Authôr está sentado pouco a frente do acampamento com toda atenção voltada para a vigilância, quando uma voz rompe o silêncio da floresta.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;_ Eu posso sentí-la. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;Ele olha estranhamente para a autora da frase. Bianca está posicionada atrás dele, em pé, enrolada em um cobertor, mesmo usando por baixo um colete e uma calça (dados a ela por Authôr).&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;_ Sua dor. Sua tristeza. Sua revolta. – diz Bianca enquanto senta ao lado de Authôr - &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;_ Estou sem sono. Poderia me contar sua história.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;Eles trocam olhares ternos. Durante uma pequena pausa.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;_ Sinto que de algum modo devo confiar em você. Sinto que devo me abrir. Espero que esteja mesmo sem sono. Porque é uma longa história....&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;*   *   *   *   *   *   *&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Eu nasci a 134 anos atrás. Pode parecer muito para os padrões de seu povo, mas para meu povo ainda sou jovem. Nasci na cidade de Valinor. Valinor era habitada somente por elfos da floresta. E ficava em uma floresta isolada. Ao contrário de vocês, construímos nossas casas em harmonia com a natureza. Nossas cabanas mesclavam-se às copas das arvores com uma beleza incrível. Se fechar meus olhos agora, sou capaz de me lembrar de cada detalhe, cada aroma, cada ruído...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Meus pais eram pessoas maravilhosas. Chamavam-se Elenil e Nerë. Meu pai era um grande guerreiro do nosso povo e tinha como obrigação proteger nossos lares e nossa liberdade. Já minha mãe era uma grande feiticeira, dominando completamente a arte da magia, que corre nas veias de nosso povo. Desde pequeno, porém, já havia escolhido a carreira de meu pai, e assim que atingi a idade correta comecei a ser treinado nos segredos da Floresta. Nessa época,  conheci Mianiël. Tornamos-nos amigos imediatamente. Ela recebia os ensinamentos junto comigo, mas não queria se tornar uma guerreira e sim uma grande feiticeira. Fascinado por sua beleza e encanto, já estava começando a acreditar que repetiria a vida do meu pai. Afinal, como poderia saber da tragédia que se acometeria sobre meu povo?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Num belo dia enquanto partíamos numa excursão pela floresta, ouvimos barulhos ao longe. Ruídos de uma batalha. Nosso professor nos deixou esperando e voltou a cidade. Dentro de pouco tempo, avistamos chamas consumindo a floresta. Consumindo nosso lar. Fomos retirados do estado de terror, quando dezenas dos nossos surgiram. Estávamos partindo em retirada. Enquanto saímos, nossa cidade fora atacada pelo exército do reino vizinho, que era constituído de humanos. Conhecendo as riquezas existentes em nossa terra, o rei ordenou um ataque surpresa e maciço contra nosso lar. Apesar, de bem treinados e de conhecer o território, eles estavam em superioridade numérica. Fomos massacrados. Muitos morreram. Muitos fugiram. Muitos foram escravizados. Entre os primeiros estava minha mãe. Entre os últimos estava meu pai...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;*   *   *   *   *   *   *&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Eu e Mianiël estávamos entre os mais jovens dos habitantes. Tínhamos apenas 30 anos na época. Juntamente com os outros fugitivos nos abrigamos em cabanas em uma região muitos quilômetros ao sul de nosso lar. Nossos líderes não se preocuparam em construir outra cidade. Só tínhamos um pensamento: recuperar nosso lar. Durante o pouco tempo que passamos lá, pouco mais de vinte anos, não teve um só dia em que não acreditamos que recuperaríamos nossos lares. Então, todos fomos treinados nos segredos da floresta e nas artes de combate. Lutaríamos contra os humanos. Recuperaríamos nossos lares. Tomaríamos o que era nosso por direito e recuperaríamos aqueles que estavam escravizados. Essa era a única ideologia do acampamento. Treinávamos dia e noite. Vivíamos em comunidade. Não nos importávamos com comércio, com relações, com riquezas, só uma coisa existia em nossas mentes: vingança. Todo esse clima de guerra, acabou afastando-me de minha amada Mianiël. Já, que era ensinada nas artes arcanas durante praticamente o dia todo. Então um dia, fizemos um juramento: nos casaríamos assim que recuperássemos nossos lares. Não existia uma noite em que não sonhava com o grande dia. Depois de derrotar os invasores em uma batalha gloriosa, receberia minha amada em meus braços e seríamos felizes para sempre. Infelizmente, os membros mais velhos de nossa comunidade não pensavam da mesma maneira. E decidiram que os jovens deveriam ficar. Para tentar um nova investida mais tarde, caso os guerreiros mais experientes fracassassem. &lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Dessa maneira fui privado de meu direito de vingança, em alguns momentos cheguei até mesmo a desejar que nossas tropas fossem derrotadas, mas a possibilidade do casamento com Mianiël importava mais que a guerra. Ela era mais importante que a vingança. Mais importante que eu. Mais importante que tudo. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Então, três dias depois os mensageiros chegaram com a notícia. Havíamos vencido. Finalmente seria feliz...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;*   *   *   *   *   *   *&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Dois dias depois chegamos a cidade. E percebi que meu casamento teria que esperar mais um tempo. Mas era por uma “boa causa”. Os humanos haviam destruído grande parte da floresta para construir suas casas e para obter dinheiro. Então como vingança queimamos suas casas varrendo todos os sinais de sua presença maculadora. E logo depois começamos um trabalho de reflorestamento e de recostrução da cidade. O trabalho foi árduo e cansativo (jamais conseguiríamos sem o uso de magia pra acelerar o crescimento das plantas), mas em 10 anos nossa cidade estava ainda mais gloriosa que antes da queda. Reforçamos nossas construções. Nossas defesas. Nossos exércitos. Construímos barcos. Domamos as águas. E eu finalmente me casei. No mesmo dia em que fazia 61 anos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Os vinte e cinco anos que se seguiram foram os anos áureos de meu povo. Vivíamos em paz e felicidade. Evoluímos nossa mágica. Aumentamos nossa produção de alimentos. Nossa cidade estava mais bela do que nunca. Estava invencível. Espada e magia. Nenhum exército de humanos com “vidas curtas e medíocres” poderia ultrapassar nossas defesas. Hoje, eu finalmente vejo o quanto fui tolo em acreditar em nossos líderes...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;*&lt;span&gt;   &lt;/span&gt;*&lt;span&gt;   &lt;/span&gt;*&lt;span&gt;   &lt;/span&gt;*&lt;span&gt;   &lt;/span&gt;*&lt;span&gt;   &lt;/span&gt;*&lt;span&gt;   &lt;/span&gt;*&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;p class="MsoBodyText" style="text-align:justify;text-indent:35.4pt"&gt;Quando era pequeno minha mãe me disse: “A História, assim como todas as coisas&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;  &lt;/span&gt;é cicliquica. Se repete eternamente”. Ela era minha mãe, mas mesmo assim eu achava que isso era uma baboseira. Mas hoje acredito, acredito com todo fervor.&lt;br /&gt;Durante uma bela tarde de sol, eu e Mianiël saímos para passear perto das margens do rio. Tinha tudo pra ser um dos dias mais felizes de minha vida, mas os deuses preferiram fazer as coisas de um jeito diferente.&lt;br /&gt;Enquanto nos amávamos no campo, pude ouvir o barulho de cascos de cavalo e fui verificar. A visão congelou meu sangue. Ao longe, milhares de guerreiros humanos cobriam o horizonte galopando em velocidade impressionante. Atingiriam nossa cidade em menos de uma hora. Naquele momento eu senti que não teríamos chances em batalha, então decidi que fugiria pelo rio, com um barco, levando comigo apenas Mianiël.&lt;br /&gt;Voltei correndo, e a avisei. Ela não concordou. Dizia que era nosso dever morrer com nosso povo &lt;st1:personname productid="em combate. Depois" st="on"&gt;em combate. Depois&lt;/st1:personname&gt; de muito implorar, consegui convencê-la a me acompanhar. Então, partimos em direção aos barcos. No caminho, descobri que o senso de obrigação de minha esposa era muito maior que seu amor por mim. Usando seus poderes mágicos, ela alertou nossa cidade do ataque, infelizmente nosso sinal não era muito discreto e foi facilmente percebido pelo inimigo. Uma pequena tropa foi enviada em nosso encalço. Corremos em direção aos barcos. Como estratégia, nos separamos no meio da floresta. Cheguei primeiro aos barcos, escolhi rapidamente um de boas condições, coloquei o barco no rio e subi. Ao longe pude ver minha amada correndo em minha direção. Posicionei o barco pra ser levado pela correnteza. Ela entrou correndo na água pra subir no barco. A água pelos joelhos dificultava sua corrida. Ela lutava contra a água com uma força de vontade impressionante. Mas vontade não foi o bastante. Vinda do nada, uma flecha cortou o ar atingindo-a em cheio no coração. Ela morreu na hora. Desesperado, tentei voltar com o barco pra resgatá-la. Mas outra flecha cortou o ar. Atigindo-me no ombro. Deitando-me no barco. Impedindo-me de remar. Impedindo-me de salvar minha amada. Só havia um caminho a seguir: o do rio.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" align="center" style="text-align:center"&gt;*&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;   &lt;/span&gt;*&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;   &lt;/span&gt;*&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;   &lt;/span&gt;*&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;   &lt;/span&gt;*&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;   &lt;/span&gt;*&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;   &lt;/span&gt;*&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;i style="mso-bidi-font-style: normal"&gt;&lt;o:p&gt; Fui carregado durante dias. Passei todo esse tempo inconsciente. Só fui acordar, depois de ser resgatado por um jovem druida que se chamava Rased. Ele me resgatou e&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;  &lt;/span&gt;me curou. E explicou a mim o que havia acontecido com meu povo. Um novo rei inimigo assumira, e firmou um acordo com uma cidade vizinha e juntas realizaram um ataque esmagador contra minha cidade. Mas desta vez, não havia fugitivos. Nem escravos. Apenas mortos. Eu sobrevivi, mas isso custou minha honra e a vida daquela que amava. Eu não encontrava mais razões para viver. Até Rased me dar uma. Ele me ensinou como amar a natureza, como ajudar as pessoas, e o mais importante me ensinou que eu havia sobrevivido por um motivo. Lutar para que isso não mais acontecesse. Lutar contra as tiranias. Ajudar e libertar as pessoas.&lt;br /&gt;Durante quase cinqüenta anos paguei minhas dívidas com Rased, ajudando-o a&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;  &lt;/span&gt;tomar conta da floresta.O fim da minha divida foi marcado pela morte de Rased. Com isso&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;  &lt;/span&gt;decidi que deveria cumprir meu objetivo. Ajudar as pessoas, me tornar um herói. Parti para uma vila próxima, Arton, onde encontrei meus companheiros e formamos esse grupo de aventureiros.&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyText" style="text-align: center;"&gt;&lt;o:p&gt; *&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;   &lt;/span&gt;*&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;   &lt;/span&gt;*&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;   &lt;/span&gt;*&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;   &lt;/span&gt;*&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;   &lt;/span&gt;*&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;   &lt;/span&gt;*&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoBodyText" style="text-align: center;"&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoBodyText" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;Bosque Fio-de-Prata&lt;br /&gt;2 horas e 40 minutos  antes do nascer do sol&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoBodyText" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal; "&gt;Authôr terminara sua história com os olhos pesados. Cheios d’água. Abaixou a cabeça para esconder suas lágrimas. Com um gesto delicado, Bianca apoiou a cabeça de Authôr em seu ombro. Com seus dedos delicados, enxugava as lágrimas que começavam a escorrer pela face do guerreiro elfo. Enquanto falava com voz reconfortante:&lt;br /&gt;_ Acredite. Eu entendo como se sente. Perdi alguém a pouco tempo. Para nós humanos ainda é mais díficil. Você tem praticamente todo o tempo do mundo pra se recuperar, já nós precisamos levantar logo após a queda e continuar andando. Ainda sangrando. Sem tempo de estancar os ferimentos. Você já permaneceu deitado por tempo demais. Precisa se levantar e andar. Faça isso e verá que seus ferimentos já cicatrizaram.&lt;br /&gt;_ Não posso. Nada faz sentido na vida sem ela. Sem ela tudo fica escuro e frio...&lt;br /&gt;_ Minha avó costumava dizer que nossas almas nascem incompletas. E vagam até encontrar sua outra metade. Elas são como andantes num mundo frio e desabitado. O andante deve andar pela noite fria durante muito tempo, até que encontrará uma cabana. Seu lar. Onde viverá para frente e se aquecerá para sempre. Às vezes, o andante confunde a cabana e então deve retornar a noite fria até encontrar a cabana correta. Seu verdadeiro lar. Mas, às vezes o frio se torna intenso demais e o andante fraqueja pensando em desistir. Nesse momento, ele deve se dar ao luxo de entrar em uma estalagem. Para que não possa esquecer como é sentir-se aquecido.&lt;br /&gt;Bianca levanta o rosto do elfo de maneira delicada. Olhando profundamente em seus olhos cheios d’agua. Eles se abraçam. Beijam-se. Buscam conforto para suas dores. Ao menos para lembrarem como é sentir-se aquecido.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoBodyText" style="text-align: center;"&gt;*   *   *   *   *   *   *&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoBodyText" style="text-align: center;"&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoBodyText" style="text-align: justify;"&gt;Bosque Fio-de-Prata&lt;br /&gt;nascer do sol&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoBodyText" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;Bianca é delicadamente despertada de seu sono por Authôr. Ela abre seus olhos demonstrando grande sonolência.&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: italic; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal; "&gt;_ Precisa ir meus companheiros já irão acordar. Pensei em um lugar para você ir. Seguindo essa estrada, em menos de um dia você poderá chegar nas redondezas da vila de Arton. Leve esse saco de dormir e essas provisões desidratadas.&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: italic; "&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal; "&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal; "&gt;Bianca levanta com um sorriso no rosto. E rapidamente junta os presentes dados a ela por Authôr. Os dois se olham nos olhos parados, em pé, frente ao acampamento.&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: italic; "&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal; "&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal; "&gt;_ Muito Obrigada. Nunca esquecerei o que fez por mim. Se algum dia passar por Arton, não esqueça de me visitar. Bianca se despede de seu salvador com um afetuoso beijo nos lábios e parte rumo ao sol nascente. Quando ela já está a uma distância razoável, Authôr grita:&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: italic; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal; "&gt;_ Bianca!&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: italic; "&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal; "&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal; "&gt;_ Que foi? – responde em altura semelhante&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: italic; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal; "&gt;_ Você estava certa. Os ferimentos já cicatrizaram.&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: italic; "&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal; "&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal; "&gt;Ela sorri discretamente e continua seu caminho a passos rápidos. Ele sorri e observa carinhosamente a caminhada até que a silhueta de Bianca suma em direção ao nascer do sol.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;/span&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1913476363751269612-3140498529162442858?l=nobreordinario.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nobreordinario.blogspot.com/feeds/3140498529162442858/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1913476363751269612&amp;postID=3140498529162442858' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1913476363751269612/posts/default/3140498529162442858'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1913476363751269612/posts/default/3140498529162442858'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nobreordinario.blogspot.com/2009/01/agora-sim-denis-elfos.html' title='Agora sim, Denis: ELFOS!!!!'/><author><name>Brunão</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_jSKVTbU47EI/SV1dPgyU9yI/AAAAAAAAAUI/WGo5THtM4zM/s72-c/Elfos.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1913476363751269612.post-7200625488916082543</id><published>2008-12-09T08:28:00.000-08:00</published><updated>2009-03-16T05:33:08.809-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Caism Notícias (Filosofemas Simples)'/><title type='text'>We Have the Dream</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_042Q5imdD7k/ST6dzCluhvI/AAAAAAAAATQ/_L6-bctVzVQ/s1600-h/king.bmp"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5277829313518798578" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 347px; CURSOR: hand; HEIGHT: 300px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_042Q5imdD7k/ST6dzCluhvI/AAAAAAAAATQ/_L6-bctVzVQ/s400/king.bmp" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Por Denis Barbosa Cacique&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Barack Obama será o 44º presidente dos Estados Unidos, mas apenas o primeiro negro dentre todos eles. Isso requer comemoração. É claro que ainda não se trata de celebrar antecipada e precipitadamente o sucesso do seu governo, porque, embora ele pareça possuir toda competência necessária para assumir a Casa Branca, o sucesso da sua administração dependerá de uma infinidade de determinantes que vão muito além de suas habilidades ou da sua cor. Na verdade, a vitória de Obama deve ser celebrada porque sinaliza uma mudança radical de pensamento, fornecendo indícios de que a humanidade aproxima-se cada vez mais daquilo a que Martin Luther King se referiu dizendo “dream”, isto é, “sonho”, e que nós conhecemos como “mundo pós-racial”. Mas o que é esse mundo, o que ele nos oferece, e o que a vitória de Obama tem a ver com ele? &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Quando dizemos “pós-racial”, nos referimos a um estágio utópico de desenvolvimento moral em que sequer é preciso adotar políticas anti-racistas e afirmativas, pois estão superadas as desigualdades e os problemas fundamentados na idéia de raça. Num tal estágio, agimos independentemente da raça, como se estivéssemos cegos para ela. Cegos, é claro, não para as diferenças biológicas superficiais que se acham infinitamente entre todos nós, e sim para as noções absurdas de que essas pequenas diferenças nos tornam mais ou menos inteligentes, mais ou menos fortes, e mais ou menos éticos, dentre outras coisas. Num mundo pós-racial, como somos cegos para esses delírios (que emergem da nossa estupidez e do nosso desejo irrequieto e egoísta de felicidade), a eleição de um negro para o país mais poderoso do mundo tem de soar tão natural quanto a eleição de um branco. Em resumo, esse mundo perfeito emerge da nossa percepção de que a cor da pele é irrelevante. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Mas admitamos provisoria e deliberadamente o caráter utópico desse estágio. Além disso, resgatemos o sentido etimológico de “utópico”, que vem da união dos termos gregos “ou”, um advérbio de negação, e “tópos”, que significa “lugar”. “Utópico”, nesse sentido, é aquilo que não tem lugar, quer dizer, não tem lugar na realidade e, por conseguinte, não pode existir. No caso do utópico mundo pós-racial, isso significa que a derradeira reviravolta no modo como brancos vêem negros, negros vêem latinos, latinos vêem asiáticos, e todos os outros arranjos possíveis, pode jamais acontecer plenamente. Dito com outras palavras, a era pós-racial é de natureza contraditória, possuindo concretude apenas no universo etéreo dos sonhos (dreams) das pessoas esclarecidas. Fora dali, no entanto, “piadas de preto” continuam fazendo enorme e vergonhoso sucesso, para dizer o mínimo. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Mas será que essa impossibilidade ofusca o brilho da vitória de Obama? &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;É verdade que os horrores do nosso mundo sugerem que jamais alcançaremos uma realidade tão perfeita, mas isso não torna nossa caminhada menos correta, e tampouco furta a importância desse passo mais recente, a eleição de Obama. Este é um momento histórico. Ele simboliza evolução moral. Prepara um solo inteiramente novo e fértil para as gerações mais jovens e futuras. Sinaliza o prosseguimento da revolução do próprio conceito de humanidade, a começar pela “desinvenção” da idéia de um exótico “ser negro” como uma espécie particular e à margem do homo sapiens. Ele fere mortalmente ideologias como o neonazismo, o anti-semitismo, os sexismos, a homofobia e a “supremacia branca”. Em resumo, numa época em que imperam crises financeiras, guerras absurdas, assassinatos atrozes, corrupções, terrorismos e medo, muito medo, a eleição de Obama nos devolve o sentimento de esperança na humanidade.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1913476363751269612-7200625488916082543?l=nobreordinario.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nobreordinario.blogspot.com/feeds/7200625488916082543/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1913476363751269612&amp;postID=7200625488916082543' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1913476363751269612/posts/default/7200625488916082543'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1913476363751269612/posts/default/7200625488916082543'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nobreordinario.blogspot.com/2008/12/we-have-dream.html' title='We Have the Dream'/><author><name>Denis Barbosa Cacique</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07947579438098992716</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://bp1.blogger.com/_042Q5imdD7k/SH8bfxGdKZI/AAAAAAAAAR0/qoj_FfuKrlA/S220/de3.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_042Q5imdD7k/ST6dzCluhvI/AAAAAAAAATQ/_L6-bctVzVQ/s72-c/king.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1913476363751269612.post-960995257411251298</id><published>2008-11-02T08:21:00.000-08:00</published><updated>2008-11-02T09:51:25.400-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Histórias Ordinárias'/><title type='text'>ON/OFF</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_jSKVTbU47EI/SQ3n7ai_BWI/AAAAAAAAANc/i43eemAkRw0/s1600-h/on-offjpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 213px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_jSKVTbU47EI/SQ3n7ai_BWI/AAAAAAAAANc/i43eemAkRw0/s320/on-offjpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5264118547390334306" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: italic;"&gt;Por B. F. Teixeira&lt;/span&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: italic;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: italic;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;Acordo.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;De mãos dadas com a consciência vem a dor de cabeça. Sacudo a cabeça de um lado para outro, para jogar fora a dor ou negá-la. Não sei ao certo. Coloco a mão sobre a testa. Estou tremendo. Merda! Odeio isso! Só então, abro os olhos. Deparo-me com a garrafa de Old Eight meio consumida. Metade! É sempre bom ter um motivo para a dor de cabeça. Do outro lado do criado mudo avisto um dos volumes de “Em Busca do Tempo Perdido” de Proust – não me lembro qual – meio lido. Parei há algum tempo – não me lembro quanto – em uma página da qual também não me lembro. Continuo com dor de cabeça e tremores. Abro a gaveta do criado mudo – “mudo, graças a deus, caso contrário, estaria me repreendendo agora não é, Alfred”? – rio de minhas próprias piadas. Metade das vezes por autopiedade, na outra metade por falta de critério. Procuro por analgésicos nas entranhas de Alfred. Encontro apenas moderadores de humor meio consumidos, poemas meio completos, romances meio escritos, fitas meio gravadas – até onde me lembro – com músicas meio compostas. Uma vida meio vivida por falta de meio. Olho para o teto apreciando a ironia.... Meio-dia!&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;Levanto-me em um salto. Dormi 10 horas. Um novo recorde. Viva o Old Eight! Viva o Lexotan! Talvez, tenha até atingido o REM. Talvez, tenha até sonhado. Com certeza sonhei. Todos sonham, dizem. Mas eu, eu nunca lembro. Principalmente, quando estou neste pólo. Corro para o banheiro como se corresse por minha vida. Não sei se sou movido pelo vício ou pelo medo da ciclagem. Ciclagem rápida não existe! Foda-se, eu quero me manter no pólo magnético! No pólo norte! Não existe ciclagem rápida! Foda-se! O inferno também não existe e por medo dele, muita gente já fez coisa muito mais louca do que correr para o banheiro, chocar-se contra a pia, revirar o armarinho de cima a baixo, encher a mão com o triplo da dose recomendada de Sertralina e mandar goela abaixo tendo a água da torneira como cúmplice. Já me sinto melhor. Não penso nas próximas doses, não penso no futuro. Isso é coisa do pólo sul. Estou no pólo norte, porra! Qualquer coisa, pego um ônibus, me consulto com um médico de outra cidade. Eles prescrevem sem muitas perguntas agora. Viva ao Lobby da indústria farmacêutica! Viva ao juramento Hipócrita! Paro de tremer, ou nem percebo mais. Cago para a diferença! &lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt; &lt;/span&gt;Saio para o jardim. Escuto um ruído gigantesco. Trovões! Vento! Trovões! A tempestade do fim do mundo! O dilúvio II! É só um helicóptero, porra! Só um helicóptero... poxa... um helicóptero negro. Tan-tan-tan. Escuto a cavalgada das Valquírias. Sinto o cheiro de Napalm ao meio-dia. Respiro fundo, delícia. Merda! Não faço a mínima idéia de como cheira Napalm. O helicóptero está pousando aqui. Está pousando aqui! Que porra é essa!? Talvez, se pareça com gasolina ou querosene? O helicóptero está pousando aqui, porra! Concentre-se! Por que? Que porra é essa!? Talvez, cheire como gasolina com um toque cítrico. Talvez, por isso seja agradável pela manhã. Merda, o helicóptero. O que ele faz aqui? Esqueça o Napalm, foque-se no helicóptero! O que ele faz aqui? Vou correr! Vão jogar napalm no meu jardim! O helicóptero, porra! Esqueça o Napalm! O helicóptero! O som cessa. Termina a cavalgada das Valquírias. A hélice para. Esqueço o napalm... &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;Dois homens descem do helicóptero usando ternos bem cortados e óculos escuros. Ambos são brancos, cerca de 30 anos, faces comuns, barbas impecavelmente feitas. “Você é Bruno da Silva Gomes?” Cidadão brasileiro, nascido no dia 28 de setembro de 1983 às 17:15 hrs, filho de José Victor Gomes e Renata Alves da Silva, portador do documento de identidade nº 42.657.863-66 expedido pela Secretária de Segurança Pública do Estado de São Paulo?”&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;“Sim”. Respondo de instinto enquanto fecho os olhos e tampo os ouvidos, para não ver ou sequer ouvir a arma. Logo, percebo como estou sendo idiota: com certeza estão usando silenciadores. Destampo os ouvidos.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;“Sr. Gomes? Sr?” O sotaque americano – ou do interior de SP – é fortíssimo. Esboço um sorriso. O filho da puta quer me matar e ainda quer que eu olhe para ele! Foda-se! Pelo menos, vou morrer rindo da cara dele. Abro os olhos. Lá está a mão de um deles estendida. Sem arma, sem disparo. Apenas uma mão aberta, espalmada, um convite. Nunca andei de helicóptero. Aceito.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;Mas eu tenho medo de altura! Só então me ocorre que posso estar sendo capturado. Está saindo do chão! Medo de altura! Recolho-me à posição fetal. Os dois homens do helicóptero se entreolham e sorriem discretamente. Como se não quisessem me ofender. Ou fossem incapazes de sorrir. Meu Deus, altura!! Altura!! Porra uma agulha! Ninguém vai me injetar merda nenhuma... Luto! A altura... a altura.... porra, tenho direito ao monopólio de minha própria intoxicação! Direitos Humanos! Altura... alto... agulha.... alto.... agulha... alto...&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: center;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: bold; "&gt;*       *      *     *     *&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal; "&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: bold; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal; "&gt;Acordo.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: bold; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal; "&gt;Estou sentado em uma confortável poltrona. Sinto que ela está úmida de meu suor. Estou em casa tendo um sonho. Não, não estou. Não tenho uma poltrona. Abro meus olhos e olho para cima. A luz forte e o teto branco, claridade demais para mim. Escorro os olhos pela parede lateral. Estou em um quarto de hotel. Como eu sei? Tudo está organizado de forma a parecer o mais natural possível, contudo, parece artificial. Ah! E Não há espelho no teto, logo, é um quarto de Hotel! Sinto-me orgulhoso pela sagacidade de meu raciocínio.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: bold;"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;“Sr. Gomes?”&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;A voz carregada de sotaque chama a minha atenção para o homem de preto. Ao menos, tem o bom senso de não usar óculos. Tento não parecer surpreso, mas pareço. (Faço a mesma expressão que fazia quando um garoto mais velho – de quem eu não gostava – aparecia em meus aniversários sem ser convidado. Tento curvar os lábios em um sorriso, porém, eles se retorcem na direção oposta, por um breve instante, em um gesto de sinceridade corpórea).&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: bold; "&gt;&lt;span style="mso-tab-count:1"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal; "&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: bold; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal; "&gt;“Sr. Gomes? Eu sei que é difícil, devido à medicação, mas é necessário que você se foque em mim”.&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: bold; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal; "&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: bold; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: bold; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal; "&gt;“Medicação? Que medicação? Como você sabe?” (faço a mesma cara de quando era garoto e minha mãe me perguntou sobre a suspensão da escola. Ou quando Júlia me perguntou: “Quem é Carla?”).&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: bold; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: bold; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal; "&gt;"&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: bold; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal; "&gt;Nós a ministramos a você, senhor. Você pareceu muito perturbado com a coisa toda. Desculpe”.&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: bold; "&gt;&lt;span style="mso-tab-count:1"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal; "&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: bold; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: bold; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: bold; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: bold; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal; "&gt;“Seu sotaque... pode falar em inglês se você quiser”.&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: bold; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal; "&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: bold; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: bold; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: bold; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: bold; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: bold; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal; "&gt;“Estou falando em inglês, senhor!”. &lt;/span&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal; "&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal; "&gt;Fico sem graça (faço a mesma cara que fiz quando descobri que o anúncio do curandeiro, que dizia “curar negócio preso” não ajudaria em nada ao mercadinho da família ou quando minha mãe me disse que não era macas para Comando em ação que ela estava comprando na farmácia...).&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: bold; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal; "&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: bold; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: bold; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: bold; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: bold; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: bold; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: bold; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal; "&gt;“Como eu disse, senhor, sua concentração se faz necessária. É vital.” Ele usa um tom de voz sério quase expressando emoções, quase me repreendendo.&lt;/span&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal; "&gt;  &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal; "&gt;(Faço a mesma expressão de quando...).&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: bold; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: bold; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: bold; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: bold; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: bold; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: bold; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal; "&gt;"Senhor? Senhor? Está certo de que está me ouvindo? Sua atenção é realmente necessária. É um assunto de máxima importância!”.&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: bold; "&gt;&lt;span style="mso-tab-count:1"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal; "&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: bold; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: bold; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: bold; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: bold; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: bold; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: bold; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: bold; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal; "&gt;Tento concentrar-me. É difícil. Mas, é importante. Tão importante! Esforço-me. Foco-me na expressão do homem, em suas palavras (e... faço a mesma expressão que fiz quando...).&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: bold; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal; "&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: bold; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: bold; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: bold; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: bold; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: bold; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: bold; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: bold; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: bold; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal; "&gt;“Está certo de que está me acompanhando?”&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: bold; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal; "&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: bold; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: bold; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: bold; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: bold; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: bold; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: bold; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: bold; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: bold; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: bold; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal; "&gt;“Sim. Sim”. Preciso prestar atenção. Estou curioso. É importante. Tudo mais...&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;"Tudo bem. Então... você já deve ter ouvido falar no acelerador de partículas? O LCH?”&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;“Aquele na Suíça? Que levou vinte anos para ser construído?”&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;“Cinco”.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;“Fizeram cinco daqueles? Pra que?”&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;“Não, cinco anos. Levou cinco anos para ser construído. Já estava pronto em novembro de 1993. É que levaram 15 anos para construir o computador”.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;“Ah! O computador para controlá-lo”.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;“Não, o selecionador. É assim que o chamaram”. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;Faço a minha cara de ponto de interrogação. Quase desisto de entender a porra toda. Quase me entrego aos devaneios (quase faço a mesma cara de quando....mas, seguro minha mente e não faço cara nenhuma, além da de ponto de interrogação, claro). &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;“Selecionador?”&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;“Sim. Olha, eu também não sei direito como rolou a coisa toda. Só trabalho para os caras. Não tava lá, não entendo direito o que eles falam”. A pose de andróide desaba, enfim. Vejo confusão em seus olhos. Um pau mandado. Talvez, eu esteja no controle da situação. Vou assumir o controle!&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;“Conte-me aquilo que entendeu, então”. Uso um tom de voz firme. Ele já não me acua mais psicologicamente, por isso, encosta-se na poltrona. Posso sentir seu alívio em abandonar a pose. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;“O acelerador de partículas ficou pronto, na Suíça, em novembro de 1993. Assim me foi dito. Parece que um dos cientistas revisou os cálculos todos enquanto os engenheiros construíam. No fim, quando já estava tudo pronto, ele descobriu que a chance de surgir um buraco negro e tudo ir para o espaço, ou ir para o nada - sei lá - era muito maior do que se esperava”. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;“De quanto?”&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;“Aproximadamente 50%”&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;“Mais ou menos?”&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;“É. Mais ou menos 50%”&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;"Não, mais ou menos que 50%?”&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;O homem de preto cover bufa e sorri com falsa paciência. Eu entendo e faço um sinal para que continue.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;“Refizeram os cálculos. Todos os cientistas, todos os cálculos. Tentaram pela Navalha de Ockham, probabilidades, lógica e tudo mais. Parece, que no fim, não tem como saber. Eles me disseram uma loucura de que o buraco negro não estaria nem aberto, nem fechado. Explicaram essa loucura com um gato que não estava nem vivo, nem morto...”&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;“O gato de Schröedinger. Já ouvi falar nessa teoria”. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;"Besteira. Acho que na verdade ninguém queria assumir a responsabilidade. Nem pelo buraco negro, nem pela morte do gato. Nenhum deles é macho o bastante para apertar o botão”. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;“Por que não jogaram uma moeda?”&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;“Sei lá... parece que um deles não confiava &lt;/span&gt;&lt;st1:personname productid="em moedas. Algo" st="on"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;em moedas. Algo&lt;/span&gt;&lt;/st1:personname&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt; sobre figuras gravadas...”&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;“Como assim?” &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;O olhar de raiva. A bufada. O sorriso de falsa paciência. O gesto para continuar.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;"Então, decidiram construir um gigantesco computador quântico. Como a quântica, segundo eles mesmos, não tem lógica – ou tem sua própria lógica – para fazer um sorteio. Interligaram o sistema com o do projeto Genoma e todos os cidadãos do planeta estavam participando. O software passou dois anos rodando. Terminou ontem. Você foi o escolhido!”&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;Rio alto. Que parece uma risada maníaca (o que, psiquiatricamente falando, no meu caso, é). O agente continua &lt;/span&gt;&lt;st1:personname productid="em sil￪ncio. O" st="on"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;em silêncio. O&lt;/span&gt;&lt;/st1:personname&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt; que aumenta o ar maníaco de minha risada ou aumenta a minha mania, sei lá!&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;Paro. O agente não está brincando. Caralho! Ele não está brincando!&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;“Aqui está o controle remoto. Nem ligado, nem desligado. Como o gato lá. Mova a alavanca para a direita e você liga. Mova-a para a esquerda, você desliga. Para sempre. Você tem oito horas para decidir”.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;“Mas, eu sou libriano...”&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;“Quer consultar uma astróloga?”&lt;/span&gt;&lt;span style="mso-tab-count:1"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;          &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;“Oi?”&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;“Uma astróloga?”&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;“Não... por que...”&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;“Você disse que era libriano...”&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;“Não, eu sei, mas...”&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;“Bom, deixa pra lá. Qualquer coisa que quiser ou precisar basta usar o telefone. Disque nove e falará diretamente comigo. Estamos aqui para servi-lo”. Ele deixa o controle remoto sobre a mesinha de centro e se levanta. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;“Uma última pergunta?”. Ele pára e me olha.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;“Isso é loucura. Por que você trabalha para esses caras? Por que aceitou esse emprego?”&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;“Estão me pagando bem”. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;“Mas, e se tudo acabar...?”&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;“Não era a última pergunta?”&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;“Bem, mas você disse que o que eu precisasse....”&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;“Pagaram adiantado...”&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;“Ah....”&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;Olho para o controle, o quarto de hotel, o telefone. Tantas mentes brilhantes, tantos séculos tentando descrever o sentido do mundo, da vida, do homem. E o único que conseguiu fazê-lo foi Douglas Adams!!!! Aperto a cabeça entre as mãos. Rio – maniacamente - é claro! Pólo Norte, porra!&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: center;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: bold; "&gt;*       *      *     *     *&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: left;"&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;Acorda.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;Percebo isso pelo “alô” cheio de sonolência.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;“Júlia, sou eu, Bruno”. Identifico-me ainda que não seja necessário. Posso ouvir o bufar do outro lado da linha.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;“E ae? Nada importante para fazer hoje. Vidas a salvar, enfim, essas coisas...”&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;“Estou salvando minha vida. Dormindo. Acabei de voltar de um plantão”. Júlia. Médica. Minha ex-namorada.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;“Desculpe, é que....”&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: bold; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal; "&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: bold; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal; "&gt;“Quanto tempo você está sem dormir? O suficiente para esquecer que os outros o fazem?” Ela não está apenas sendo escrota. Isso realmente chegou a acontecer algumas vezes. Ela cansou de me prescrever benzodiazepinas. Quase perdeu seu registro por mim. E, na época, não teria ligado. Amava-me maniacamente, apesar do ciúme doentio que tinha, da idéia fixa de que eu amava a todos - e a todas - mais do que a ela, até as pílulas (com razão – em alguns casos - principalmente, no das pílulas!). O fato é que no fim, ela se deu conta de que não podia estragar a carreira por mim.&lt;/span&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal; "&gt;  &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal; "&gt;“Eu sou uma personagem de Grey’s Anatomy e você é um personagem de Ally Mcbeal. Estamos separados por gênero, canal e uma década de evolução da narrativa televisiva”. Na verdade, creio que ela não disse bem isso. Mas, é assim que me lembro.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: bold; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal; "&gt;“Você não pode ficar me ligando assim. A essa hora. O Matheus não gosta, você sabe”.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: bold; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal; "&gt;“Onde ele está?”&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: bold; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal; "&gt;“Plantão”&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: bold; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal; "&gt;Procuro por um relógio desesperadamente. Só agora me ocorre que perdi a noção do tempo. Encontro. 11h25 p. m. Onde será que estou? Terá fuso horário?&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: bold; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal; "&gt;“Hmm....”&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: bold; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal; "&gt;“Então, o que é?” Fala com uma voz de tédio e repreensão. Talvez eu esteja soando um pouco patético. Acontece às vezes.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: bold; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal; "&gt;“Eu tenho que tomar uma decisão. Algo realmente importante e queria saber o que você acha...” Quando criança eu queria ser um médico. Um médico importante. Mas, eu jamais poderia. Jamais poderia ter sido um cirurgião – e não o são todos os médicos realmente importantes? – Como ela é. Eu tremo. Sempre tremo. Acabaria atingindo uma artéria, como fiz agora. Tenho certeza que o fiz, porque o que vem para cima de mim, vem como uma hemorragia.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: bold; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal; "&gt;“E o que!? E o que!? Por que!? Por que você é libriano e não consegue escolher? Cresça, Bruno! Por Deus! Acabei de chegar de um plantão e você me vem com essa merda!? Estou cansada dessa sua irresponsabilidade. Seus truques para fazer com que os outros arquem com as conseqüências de seus atos. Seus livros, seus textos, seus comprimidos, seus vícios, tudo é seu, menos a responsabilidade!? Um dia já fui sua, mas não sou mais e isso é por sua culpa. Ao menos essa responsabilidade é sua! E eu o farei entender e aceitar isso! Não importa o que seja preciso!” Escuto a tomada de fôlego. Sei que vai bater o telefone...&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: bold; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal; "&gt;“Não desligue pelo amor de Deus... só uma pergunta, inofensiva...”. Ela não desliga. Devo ter soado patético. Realmente patético. É meu único talento.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: bold; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal; "&gt;“Tudo bem. Fale...” A raiva se esvai de sua voz, apenas sobra piedade. Acabei de elevar o patético ao status de arte.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: bold; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal; "&gt;“Como você está?”. Meu orgulho já está morto mesmo, vou enterrá-lo de vez.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: bold; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal; "&gt;“Como assim?”&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: bold; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal; "&gt;“Como você está? Está feliz”? Minha obra prima!&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: bold; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal; "&gt;“Sim, estou”.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;Penso em perguntar sobre Matheus. Sobre sexo. Se sente minha falta, falta de meu corpo de meu senso de humor... mas, massacrei demais o meu orgulho por um dia. Isso me faz avistar o pólo sul e eu o temo, mesmo sabendo que não existe ciclagem rápida.&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: bold; "&gt;&lt;span style="mso-tab-count:1"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal; "&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: bold; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal; "&gt;“Fico feliz por você. &lt;/span&gt;&lt;span lang="IT" style="mso-ansi-language:IT"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal; "&gt;Se cuida!” O gran-finale!&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;“Tudo bem. Você precisa se cuidar mais do que eu”.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: bold; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal; "&gt;Ela desliga. Olho um pouco para o nada e me repreendo por alguns segundos antes de colocar o fone de volta ao gancho. Ela se cansou da minha transferência de responsabilidade, por isso terminou comigo. Merda! Eu terminei com ela. Até eu estou cansado disso. Fui eu que terminei com ela! Ligo para o “serviço de quarto”, peço ao agente Smith uma garrafa de Black Label e um balde de gelo. Sou servido poucos minutos depois. Encho o copo, tomo algumas doses e ligo para outras pessoas. Resisto a meus primeiros instintos de fuga. Não peço que ninguém decida por mim. Ligo para minha mãe, irmã, amigos, ex-amadas. Pessoas que não vejo há tempos, pessoas que sempre vejo. Não conto nada a ninguém. Chega! Não divido isso com ninguém. Esse peso é meu. Vou assumi-lo por completo. Apenas falo com as pessoas, pergunto se estão bem, se estão felizes. Todos dizem que sim. Muitos mentem, é claro. Talvez 70 ou 30% de acordo com a minha fase e minha crença na sinceridade do ser humano. Bom, de qualquer forma, uma pessoa feliz já é alguma coisa. Despeço-me de todos da mesma forma: “Se cuida”. Quando finalmente termina a via sacra telefônica, quando pronuncio o último “se cuida”, atiro com força o telefone contra a parede. O som e a imagem dele se despedaçando fazem-me sentir-me forte. Como se eu pudesse cuidar de mim mesmo, finalmente. Como se eu finalmente pudesse cuidar dessa situação. Olho para o acionador. “Somos só nós dois agora”. Sirvo-me outra dose. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: center;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: bold; "&gt;*       *      *     *     *&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: center;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: bold;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Termino a dose. Sirvo-me outra. Sento-me na poltrona. Arco-me para arrastar a mesinha de centro com o controle e com o copo. Deixo-os a minha frente. Mantenho os olhos no controle e a mão no copo. Refestelo-me na poltrona, porém, mantenho o olhar focado no controle, para impedir minha mente de vazar. Preciso concentrar todo meu fluxo mental no acionador. Penso... Penso...&lt;span style="mso-tab-count:1"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Destino! Sim! Destino! Essa é a prova definitiva da existência de uma inteligência superior. Olho a alavanca posicionada no centro, lembro-me de meus livros meio lidos, textos meio escritos, minha vida meio-vivida. É um simbolismo. Uma vida inteira não vivida por falta de meio. Um gato nem vivo, nem morto. Eu nem vivo, nem morto. Eu sou a merda do gato de Schöedinger, por falta de centro. Um simbolismo. Prova da existência de uma inteligência superior. Bem superior, aliás, pois o simbolismo ainda é irônico. A decisão mais importante da existência deixada a cargo de alguém incapaz de tomar as decisões mais simples. Está provada a existência de Deus. E ele tem senso de humor! Rio e tomo outra dose. A garrafa de Black Label, ao menos, já passa da metade.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;  &lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;Não! Não existe destino. Não existe lógica no mundo. Engraçado, por gerações e gerações os gênios que antecederam esses gênios buscaram construir modelos para explicar o mundo. No cume desse desenvolvimento, esses homens construíram uma máquina capaz de recriar o próprio universo &lt;st1:personname productid="em miniatura. E" st="on"&gt;em miniatura. E&lt;/st1:personname&gt; o que descobriram? Que não há explicação. Não há lógica. A razão é tão real quanto o coelhinho da Páscoa, Papai Noel ou Deus. Estamos sozinhos, viemos do nada, vivemos no meio do nada, e voltaremos a ser nada. Por motivo nenhum. Motivo é uma invenção de nossas mentes frágeis. Esses cientistas observaram esse vazio e abraçaram essa loucura. Sortearam a decisão mais importante da história de sua disciplina, de seu quase-credo. Deixaram-na na mão de um não-iniciado. De um desequilibrado. Nem se deram ao trabalho de olhar minha ficha médica. Assim como o abismo, para o qual olharam, nem se deu ao trabalho de olhar de volta. “E daí que ele é desequilibrado? Equilíbrio não existe mesmo. Só uma ficção de nossas cabeças! Pague o cara e vamos jogar Halo multiplayer”. &lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt; &lt;/span&gt;Talvez não tenha sido exatamente assim, mas foi uma variação desse dialogo que decidiu todo o destino da criação. No fim, é irônico.&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;  &lt;/span&gt;Essa opção é irônica também. O ser humano construiu milhares de máquinas de destruição e, quando resolvem fazer algo para investigar a criação. “Bum!”.&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;  &lt;/span&gt;Ela pode acabar com tudo e fazer o projeto Manhattan parecer um show de fogos de artifícios. Uma pena que não sobraria ninguém para apreciá-la. A menos, é claro, que existam ETs ou Deuses (que tenham – obviamente – senso de humor). &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;Mesmo umedecida pelo meu suor a poltrona continua confortável, macia, prazerosa. Tomo mais uma dose de Whisky. Sirvo-me da última dose. Olho para o teto e penso. Penso se não é melhor desligar a máquina e deixar tudo como está.&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;  &lt;/span&gt;Não colocar em risco coisas como poltronas, livros, bebidas, pílulas, ciência, Deus. Penso se isso não seria mais uma vez fugir da responsabilidade. Se essa merda toda não é um experimento psicológico e estão todos rindo de mim agora... se for: quantos já ligaram a máquina? Não seria melhor, então, ser classificado, entre aqueles que tiveram bolas para ativar a máquina?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;Pronto! Mal percebo e já estou novamente me esquivando da responsabilidade. Essa decisão é minha. Pelo menos uma coisa, posso dizer que decidi por mim, por meus pensamentos.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;Penso.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;São várias as ironias: Uma vida inteira não vivida por falta de centro. Uma alavanca no centro; A decisão mais importante a cargo de alguém que é incapaz de tomar decisões; alguém incapaz de assumir responsabilidade tem como primeira delas a maior delas (até hoje). Ironia! Ironia! Isso! Eu estava certo sobre a ironia, mas errado ao mesmo tempo. Há sim, alguém para apreciá-la. Sempre houve! Rio!&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;Pego o controle. Bebo vagarosamente a última dose de Whisky sentindo todas as nuances de seu sabor. Não! Não é Whisky que aprecio: é Ironia! “Ironia bilhões-de-anos”! Termino a dose. Coloco a chave na posição ON. &lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: center;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: bold;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: center;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: bold; "&gt;*       *      *     *     *&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal; "&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: left;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: bold; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal; "&gt;Acordo.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: bold;"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;Meio-dia.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;Meus lençóis estão encharcados de suor. Tive um sonho muito vívido essa noite. Embora todos o sejam, no pólo norte, quando se consegue dormir – é claro. Ou, talvez, seja a realidade quem se torne menos vívida, mais onírica. Quem se importa, quando junto com a consciência lhe invade uma forte dor de cabeça?&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;Evito abrir os olhos, evito a claridade. Tateio o criado mudo e derrubo no chão a garrafa de Whisky. Percebo o que fiz pelo som e pelo cheiro. Ela se quebra. Merda! Tenho que abrir os olhos. Rio ao relembrar meu sonho. É raro dormir quando se está no “pólo norte”. “São muitos dias de sol”. É mais raro ainda ter sonhos ou lembrar-se deles. &lt;/span&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;Esse é o primeiro sonho no qual não sou o escolhido para salvar ou mudar o mundo, mas sim para destruí-lo. Acabo abrindo os olhos. A luz me ofusca. Analgésicos! Procuro nas entranhas de Alfred. Teria eu escolhido diferente caso houvesse ciclado? Nas entranhas de Alfred: poemas meio terminados, canções meio compostas. É difícil manter o foco nos pensamentos. Poderia eu escolher diferente se tivesse ciclado? Se alguém tivesse me dito algo diferente ao telefone? &lt;/span&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;Por isso nunca mantive um diário. Os pensamentos escapam. Preciso de analgésicos. Não existe ciclagem rápida. Preciso terminar de ler Proust. Estou perdendo muito tempo. Muito tempo. Já passa do meio dia. Preciso tomar Sertralina. Tempo perdido. Preciso viver. Ciclagem rápida não existe. &lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: bold; "&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;Minha casa treme diante de um barulho ensurdecedor. Pequenas “fat boys” estão caindo em meu jardim. Recolho-me em posição fetal pronto para deixar apenas uma sombra preservada na parede. Uma sombra em espectro reverso. Lindo. E o que pensarão os ar... o som cessa. Perco mais tempo fantasiando arqueólogos de um futuro descobrindo minha imagem e deduzindo a respeito de minha vida. Não sei há quanto tempo o barulho parou. Respiro fundo para encarar o sol. Falta-me coragem, respiro de novo. Talvez, lambendo o Whisky do chão, eu obtenha coragem. Respiro de novo, abro a janela em um movimento brusco. O Sol! O clarão me atinge como uma “fat boy”, emagrecendo aos poucos, até que eu possa ver um helicopetero negro parado em meu jardim. Dele, desce um homem vestido de negro. Terno impecável, óculos escuro, rosto comum. Rio – maniacamente - como só poderia ser. Que rezem todos! Que reze o mundo: para que exista ciclagem rápida!&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1913476363751269612-960995257411251298?l=nobreordinario.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nobreordinario.blogspot.com/feeds/960995257411251298/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1913476363751269612&amp;postID=960995257411251298' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1913476363751269612/posts/default/960995257411251298'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1913476363751269612/posts/default/960995257411251298'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nobreordinario.blogspot.com/2008/11/onoff.html' title='ON/OFF'/><author><name>Brunão</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_jSKVTbU47EI/SQ3n7ai_BWI/AAAAAAAAANc/i43eemAkRw0/s72-c/on-offjpg' height='72' width='72'/><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1913476363751269612.post-6795552184816795320</id><published>2008-10-24T11:47:00.000-07:00</published><updated>2009-03-16T05:33:08.810-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Caism Notícias (Filosofemas Simples)'/><title type='text'>Dois Amores</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_042Q5imdD7k/SQIaHrRVsXI/AAAAAAAAATI/IZAEjalwiwA/s1600-h/F%C3%A1bula%2BO%2Blobo%2Be%2Bo%2Bcordeiro.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5260796033899016562" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 322px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_042Q5imdD7k/SQIaHrRVsXI/AAAAAAAAATI/IZAEjalwiwA/s400/F%C3%A1bula%2BO%2Blobo%2Be%2Bo%2Bcordeiro.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;por Denis Barbosa Cacique&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Ele disse ter feito tudo por amor. Não exatamente com essas palavras, mas disse algo do tipo, e assim ficou subentendido. Naturalmente, a declaração soou muito estranha. Pois, ou a história não tinha nada de amor, ou tratava-se dum sentimento completamente diverso daquele que os jovens enamorados vivem dizendo um ao outro e que as mulheres adoram ouvir. Porque nada soa mais contraditória do que a idéia de que o amor possa ter motivado a invasão do apartamento, o seqüestro que se estendeu por cinco dias, e o fim trágico do romance, com o assassinato da amada pelo amante. Soa tudo muito estranho, mas não de certo ponto de vista, que vale a pena examinar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se Fedro, personagem de Platão, tem razão quando diz que “os amantes concordam que são mais doentes de espírito do que lúcidos, e que estão cientes da falta de bom senso, da desordem do seu pensamento e da incapacidade de se dominarem”, então a contradição desaparece por completo. Porque, se as pessoas realmente se amam loucamente, como é comum ouvir dizer, então é verdade o que disse Fedro e tem de ser verdade também, por conseguinte, que o amor, essa carruagem desenfreada e sem cocheiro, pode tomar qualquer caminho e, assim, ter como destino qualquer lugar, inclusive aquele recém famoso apartamento da periferia de Santo André.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esse amor doentio, carente de bom senso, desordenado, incontrolável e insano, que, apesar dessa coleção violenta de atributos, a maioria das pessoas carrega consigo, explica-se de maneira bastante simples. Fedro acreditava que o amante é permanente incitado pelo desejo de ver, ouvir, tocar e sentir sua amada, que lhe é fonte perpétua de prazer. Se sussurrada no ouvido, essa definição certamente pareceria muito romântica, mas, ao mesmo tempo, ela revela uma característica do amor que pouca gente percebe, ele é egoísta. Tendo isso em vista, Fedro sugere que a imagem exata do amor que os apaixonados sentem uns pelos outros é como a ternura de um lobo por um cordeiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas e o amor cristão, não estaria aí um antagonista perfeito ao amor egoísta? Sim, sem dúvida, mas é preciso examinar com cuidado o significado do “amarás a teu próximo como a si mesmo”, explicitando como este amor nada tem da relação entre lobo e cordeiro sugerida por Fedro. O amor cristão não pode ser aquele sentimento espontâneo que os seres humanos sentem apenas pelas pouquíssimas pessoas que lhes fazem bem ou lhes produzem algum prazer. E a razão disso é muito simples, é muito fácil amar pessoas carismáticas, belas, bondosas, e inteligentes, mas é quase impossível senti-lo para com aquelas pessoas carentes dessas qualidades. Em outras palavras, é fácil amar Eloá, mas, por mais que se queira, é quase impossível amar Lindemberg. Pois, como dizia Kant, o amor para com os homens é possível, mas não pode ser comandado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O mandamento cristão deve ser entendido de outra maneira, portanto. É preciso submeter o amor às rédeas da razão, não para simplesmente amar a tudo e a todos indiscriminadamente. Isso é impossível. Mas para que o homem aja sempre como se amasse o seu próximo do mesmo modo que ama a si mesmo, e respeite a dignidade alheia do mesmo modo que deseja que sua própria dignidade seja respeitada. Esse amor cristão é incontestavelmente moral e não egoísta, diferenciando-se radicalmente do sentimento espontâneo e volúvel cujo exemplo extremo culminou na história de gritos, tiros e explosão no prédio da CDHU.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1913476363751269612-6795552184816795320?l=nobreordinario.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nobreordinario.blogspot.com/feeds/6795552184816795320/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1913476363751269612&amp;postID=6795552184816795320' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1913476363751269612/posts/default/6795552184816795320'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1913476363751269612/posts/default/6795552184816795320'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nobreordinario.blogspot.com/2008/10/dois-amores.html' title='Dois Amores'/><author><name>Denis Barbosa Cacique</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07947579438098992716</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://bp1.blogger.com/_042Q5imdD7k/SH8bfxGdKZI/AAAAAAAAAR0/qoj_FfuKrlA/S220/de3.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_042Q5imdD7k/SQIaHrRVsXI/AAAAAAAAATI/IZAEjalwiwA/s72-c/F%C3%A1bula%2BO%2Blobo%2Be%2Bo%2Bcordeiro.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1913476363751269612.post-4834412120839635160</id><published>2008-10-09T04:04:00.000-07:00</published><updated>2009-03-16T05:33:08.811-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Caism Notícias (Filosofemas Simples)'/><title type='text'>Passagem de Ida</title><content type='html'>&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5255110158738569282" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_042Q5imdD7k/SO3m2LsouEI/AAAAAAAAATA/Nvq1cTuj9fI/s400/mba0727l.jpg" border="0" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Por Denis Barbosa Cacique&lt;/strong&gt; &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Proponho ao leitor o seguinte problema: você emprestaria algum pertence, esperando recebê-lo de volta, a uma pessoa que lhe fosse totalmente desconhecida? Você o faria sem exigir desse estranho, antes de ceder-lhe o empréstimo, algum número de documento, o nome completo, o endereço e o telefone? Aposto que não. Mas, a despeito de tudo que manda o bom senso, e afrontando todos os preconceitos que emergem do senso comum, foi algo exatamente assim que a Empresa Municipal de Desenvolvimento de Campinas, a EMDEC, decidiu fazer.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A partir do dia 23 de Setembro, um acervo com mais de dois mil livros foi colocado à disposição dos usuários do transporte coletivo, nos nove terminais urbanos de Campinas, além do Terminal Multimodal de Passageiros “Ramos de Azevedo”, na nova rodoviária. O projeto em questão chama-se “Leitura, a melhor viagem”, e seu funcionamento é bastante simples. Os usuários que freqüentam os terminais poderão passar pelas estantes ali instaladas e retirar os livros que desejarem. Não há, para isso, qualquer burocracia: nada de inscrições, carteirinhas, registro dos empréstimos e prazos de devolução dos livros. Mas as devoluções deverão acontecer, apostam os idealizadores e responsáveis pelo projeto, da EMDEC.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A idéia é meritória em diversos aspectos. Pessoas sem tempo para freqüentar bibliotecas, escolas ou livrarias não terão mais desculpas para deixar de ler. Durante os minutos que separam a integração entre um ônibus e outro, o usuário poderá escolher um livro convenientemente, e já começar a lê-lo poucos minutos depois, no ônibus, durante o restante da viagem. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O projeto também deverá ajudar aquelas pessoas que, não exatamente por falta de tempo, e sim por falta de coragem, não ousam botar os pés em bibliotecas. Essas pessoas existem sim, e não são poucas. Elas temem parecer estúpidas, perdidas nos labirintos dos corredores das bibliotecas, ou incapazes de compreender a ordem estranha em que as obras são arquivadas. É um medo razoável, mas que desaparece quando a biblioteca deixa de ser o clube privado dos cultos e especialistas, materializando-se num lugar familiar e seguro, o terminal de ônibus.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Outro ponto positivo do projeto é a desburocratização do acesso à cultura. Que outro direito é exercido tão facilmente no Brasil? Matricular uma criança numa creche, agendar uma consulta médica e abrir um processo trabalhista, para citar apenas alguns exemplos, não são coisas das mais fáceis de conseguir, mesmo que esses direitos, à educação, à saúde e à justiça, respectivamente, sejam assegurados pela Constituição Brasileira.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Por todas essas razões, a idéia parece ótima. Mas será que vai funcionar? &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A confiança cega depositada nos usuários das bibliotecas deve colocar, no mínimo, uma pulga atrás da orelha dos organizadores e demais pessoas interessadas no sucesso do projeto: será que os livros serão devolvidos? Somente se os livros retornarem o projeto dará certo. E será uma grata surpresa se isso vier a acontecer.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Sem qualquer força coercitiva que constranja os usuários das bibliotecas a devolverem os livros, há poucos motivos para acreditar que eles o farão. Talvez essa perspectiva pareça excessivamente pessimista, mas ela não o é por acaso. Estamos no Brasil, nunca é demais lembrar. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;No país da Lei de Gerson, apostar na honestidade alheia é sinônimo de imprudência, ingenuidade e até estupidez. Levando isso em conta, não é absurdo antever as prateleiras vazias do projeto “Leitura, a melhor viagem”. E a razão disso é que, em pleno terminal de ônibus, deram aos livros apenas passagem de ida. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1913476363751269612-4834412120839635160?l=nobreordinario.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nobreordinario.blogspot.com/feeds/4834412120839635160/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1913476363751269612&amp;postID=4834412120839635160' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1913476363751269612/posts/default/4834412120839635160'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1913476363751269612/posts/default/4834412120839635160'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nobreordinario.blogspot.com/2008/10/passagem-de-ida.html' title='Passagem de Ida'/><author><name>Denis Barbosa Cacique</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07947579438098992716</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://bp1.blogger.com/_042Q5imdD7k/SH8bfxGdKZI/AAAAAAAAAR0/qoj_FfuKrlA/S220/de3.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_042Q5imdD7k/SO3m2LsouEI/AAAAAAAAATA/Nvq1cTuj9fI/s72-c/mba0727l.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1913476363751269612.post-1349674252294448744</id><published>2008-10-02T18:32:00.000-07:00</published><updated>2008-12-09T09:09:03.381-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Coisas da Vida'/><title type='text'>Qualquer um sabe tocar guitarra*</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_jSKVTbU47EI/SOV4JrzZItI/AAAAAAAAANE/mFFPyTb5m6g/s1600-h/gh.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://3.bp.blogspot.com/_jSKVTbU47EI/SOV4JrzZItI/AAAAAAAAANE/mFFPyTb5m6g/s320/gh.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5252736648169988818" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;por B. F. Teixeira&lt;/span&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;Pelo menos assim diz Thom Yorke vocalista e líder do Radiohead. Para mim, Yorke está para música e para poesia, assim como Rogério Ceni está para os gramados, o que quer dizer que eu sou fã assumido e “pago pau mesmo, foda-se”! Contudo, nesse ponto em específico, sou obrigado a discordar de Yorke (o que me traz um certo pesar). Eu não sei tocar guitarra. E, dia desses, sei lá, fui invadido pelo insano desejo de ter uma banda. &lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;Não o desejo adolescente de ser megastar – estilo Rolling Stones – e rodar o mundo consumindo todas as bebidas, drogas e “groupies” possíveis. Nem o arrogante sonho “adultescente” de revolucionar a música pop com melodias “pra-lá-de-complexas”, experimentais e letras “prá-lá-de-inexpugnáveis” cantadas com voz de bêbado sendo, por fim, chamado pela revista Q de inventor do “Quantick Rock”! &lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;O desejo que me invadiu foi o de ter uma banda de velhos amigos que tocasse como quem joga a pelada de domingo à tarde. E que de vez em quando, muito de vez em quando, tocasse nos &lt;i style=""&gt;Mutlões&lt;/i&gt; ou nos &lt;i style=""&gt;Deltas Blues&lt;/i&gt; da vida apenas para ganhar umas brejas de graça e uns VIP pros camaradas. &lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p st
